Dólar dispara a R$ 5,60 após reeleição de Lula; Ibovespa futuro despenca
Moeda norte-americana registra forte valorização na abertura desta segunda-feira (26), enquanto contratos futuros da Bolsa brasileira sofrem interrupções após atingirem limites de oscilação
O dólar disparou na abertura do mercado financeiro nesta segunda-feira (26), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A moeda norte-americana chegou a R$ 5,60, com alta superior a 12% em relação ao fechamento anterior. Ao mesmo tempo, os contratos futuros do Ibovespa registraram forte queda e tiveram as negociações interrompidas na B3, a bolsa de valores brasileira.
Na sexta-feira (23), o dólar comercial havia encerrado a sessão cotado a R$ 4,99. Já no início do pregão desta segunda-feira, a moeda abriu próxima de R$ 5,42, com valorização de aproximadamente 8,6%. A escalada dos preços provocou mudanças nos limites de negociação e acionou mecanismos de proteção contra oscilações extremas.
A reação ocorreu após Lula vencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Com 100% das urnas apuradas, o petista recebeu 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário.
B3 interrompe negociações após forte oscilação
A intensidade das movimentações levou a B3 a alterar os limites de oscilação dos contratos futuros de dólar e de outros ativos financeiros. A bolsa também acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações quando os índices atingem determinados limites de queda.
O Ibovespa futuro chegou a registrar perdas expressivas durante a manhã. Mesmo após a ampliação dos limites de oscilação e a retomada das operações, os contratos voltaram a atingir os parâmetros que provocam a suspensão dos negócios.
No mercado de câmbio, o dólar futuro para novembro também apresentou forte valorização. Às 9h11, o contrato subia 9,16%, negociado a R$ 5,43, conforme informações divulgadas pela Reuters. A moeda chegou a superar os limites de variação inicialmente estabelecidos para a sessão.
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Cenário fiscal entra no radar dos investidores
Além do resultado eleitoral, as perspectivas para a política econômica do próximo mandato passaram a ser observadas pelos investidores. Entre os fatores considerados pelo mercado estão as contas públicas, o comportamento da dívida e as futuras decisões do governo sobre despesas e receitas.
Chris Turner, chefe global de mercados do banco ING, avaliou que a situação fiscal brasileira representa um ponto de atenção para os ativos do país. Em análise divulgada pelo Money Times, o estrategista citou o déficit orçamentário e o nível da dívida pública entre os fatores que podem deixar o Brasil vulnerável a movimentos de venda de títulos.
A definição da equipe econômica e as primeiras sinalizações sobre a condução da política fiscal também estão entre os elementos que podem influenciar o comportamento do câmbio. Analistas da Ágora Investimentos apontaram a possibilidade de atuação do Banco Central no mercado cambial, enquanto as condições externas também permanecem relevantes para a cotação do real.
A volatilidade registrada nesta segunda-feira ocorre em meio à reavaliação das expectativas dos investidores após a definição do resultado presidencial. O comportamento do dólar e dos ativos negociados na bolsa dependerá, entre outros fatores, das próximas sinalizações econômicas e das condições dos mercados internacionais.
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