Centrão adere à candidatura de Flávio e mira espaço em eventual governo
UB-PP, Republicanos, Novo e Podemos já anunciaram apoio ao candidato do PL, enquanto MDB negocia adesão; articulação envolve ministérios e base no Congresso
A maioria dos partidos do Centrão já articulou apoio ao candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, para o segundo turno das eleições. Legendas que optaram pela neutralidade no primeiro turno se aproximam do projeto do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, já com olhares nas tratativas para um eventual governo de Flávio.
Desde o último domingo (4), quando as urnas colocaram o presidenciável dos liberais à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, a federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, o Republicanos, o Novo e o Podemos já anunciaram que irão caminhar com o PL no próximo dia 25.
A aproximação entre a federação UB-PP aconteceu logo após o fim das apurações no domingo, quando o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), ligou para o presidente do PP, Ciro Nogueira, já na busca do apoio das legendas. Ciro disputou a reeleição ao Senado pelo Piauí, mas acabou derrotado.
Quem esteve no centro das articulações foi a senadora Tereza Cristina (PP-MS). Ex-ministra da Agricultura no governo Bolsonaro, Tereza participou da articulação que fechou o apoio a Flávio. Na reunião que sacramentou o apoio da federação ao candidato na última quarta-feira (7), Tereza afirmou que o papel de cada político eleito é de trabalhar em seus respectivos Estados pela eleição de Flávio.
Também na quarta, o Republicanos anunciou apoio. Flávio contou com apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que tratou sobre o assunto com o presidente nacional da legenda, o deputado federal Marcos Pereira (SP). A legenda também esteve cotada para indicar a vice de Flávio no primeiro turno. A favorita era a ex-presidente da Caixa, Daniella Marques, coordenadora da área econômica na campanha de Flávio. Porém, as negociações não avançaram na época em razão da proximidade de diretórios nordestinos com Lula.
O mesmo aconteceu com o MDB. Após manter a neutralidade no 1º turno, o partido negocia apoio a Flávio. No entanto, a legenda não deve adentrar por inteiro na campanha do PL. O presidente nacional da legenda, deputado federal Baleia Rossi, trabalha para que a maioria dos diretórios estaduais caminhe com Flávio, já que os diretórios do Norte e Nordeste possuem ligação política com Lula.
Maioria no Congresso e ministérios
A aliança de Flávio com os partidos de centro também já abre especulações para a partilha de ministérios da Esplanada, caso o senador seja eleito presidente. Nos bastidores, a sinalização é de que as legendas de centro já procuram apoiar Flávio para ganhar espaço no eventual governo.
O PP, por exemplo, deve ser um dos contemplados. Além de Tereza Cristina, que já aparece cotada para a Casa Civil, Flávio teria acenado positivamente para que Guilherme Derrite (PP-SP), recém-eleito senador, comandasse o Ministério de Segurança Pública. O nome do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) também aparece como possível titular de uma das pastas na Esplanada.
Além disso, os cinco partidos que já declararam apoio a Flávio somam 165 deputados federais e 22 senadores. Com as 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e as 28 vagas no Senado Federal do PL garantidas para a próxima legislatura, Flávio, caso eleito, pode iniciar seu governo com ampla base no Congresso, acima de 200 deputados e 40 senadores.
No núcleo duro do PL, uma base consolidada no Congresso é tratada como prioridade, já que o senador tem como pautas prioritárias o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e um “tesouraço” nos gastos públicos que pode resultar em medidas impopulares.
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