Plano Diretor Florestal prevê expansão de áreas plantadas em Goiás
Estratégia estadual estabelece metas de 205 mil hectares até 2030 e 270 mil hectares até 2035, após redução de 13,6% na área de florestas plantadas em 2025
Goiás pretende ampliar a área de florestas plantadas de 106,4 mil hectares, em 2025, para 205 mil hectares até 2030 e 270 mil hectares até 2035. As metas fazem parte do Plano Diretor Florestal de Goiás, conduzido pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), com apoio do Sebrae Goiás, do Sistema Faeg/Senar, da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) e de produtores rurais. A iniciativa busca ampliar a oferta de madeira para atender à demanda agroindustrial, com previsão de utilizar áreas de pastagens degradadas para a expansão da silvicultura.
Dados da Pesquisa da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que Goiás tinha 106,4 mil hectares de florestas plantadas em 2025, ante 123,2 mil hectares em 2024. A redução de 13,6% foi a maior entre os estados brasileiros, enquanto o país registrou crescimento de 4,8% no período. Em 2024, o consumo de eucalipto em Goiás chegou a 4,8 milhões de metros cúbicos, dos quais 67% foram destinados à produção de lenha.
A retração da área plantada ocorre em um cenário de expansão agroindustrial, com usinas de etanol de milho, laticínios e frigoríficos que utilizam biomassa em seus processos produtivos. O ciclo de produção do eucalipto, que pode levar cerca de seis anos até o corte, também exige planejamento antecipado para atender à demanda futura.
Carlos José Caetano Bacha, professor titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), analisa a concentração da produção florestal em grandes empresas, que priorizam o abastecimento próprio.
O pesquisador também destaca a necessidade de articulação entre o setor produtivo e o poder público para ampliar os plantios, considerando o tempo necessário para o crescimento das árvores e as incertezas sobre os preços futuros da madeira.
Zoneamento prevê uso de pastagens degradadas
O plano prevê a expansão das florestas comerciais em áreas já antropizadas, com o objetivo de evitar a conversão de vegetação nativa do Cerrado. O diagnóstico identificou que as pastagens ocupam 35% do território goiano. Desse total, 29% apresentam baixo vigor e 46%, vigor médio, segundo os dados utilizados no planejamento.
O zoneamento silvicultural identificou 8,16 milhões de hectares com potencial para receber florestas plantadas ou sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). A definição das áreas considera restrições ambientais e características territoriais. O levantamento excluiu 9% do estado em razão de limitações relacionadas a Unidades de Conservação, terras indígenas e quilombolas.
O território foi dividido em três zonas. A Zona A, de expansão prioritária, abrange regiões do Sudoeste, Oeste e Norte goianos. A Zona B prevê expansão moderada, com integração a sistemas produtivos, como a ILPF. Já a Zona C é destinada à manutenção das áreas florestais, com foco no consumo local e na conservação.
A presidente da Comissão de Silvicultura da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e vice-presidente da Associação Goiana de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Goflor), Daniela Romão, afirma que a implantação de florestas comerciais em áreas degradadas depende de critérios técnicos. Segundo a dirigente, terrenos com fragilidade ambiental podem exigir restauração ou regeneração natural, em vez da implantação de florestas destinadas à produção de madeira.
“Goiás tem um potencial enorme para a implantação de florestas plantadas. Nós temos hoje cerca de 8 milhões de hectares de áreas com esse potencial, que incluem pastagens degradadas e que podem receber a silvicultura”, afirma Daniela.

Expansão da cadeia florestal em Goiás une proteção de recursos hídricos e geração de renda
Além da oferta de madeira, o planejamento florestal envolve a conservação da vegetação nativa e a proteção dos recursos hídricos. O pesquisador Marcos Pellegrini Coutinho, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), examina a relação entre o uso do solo e a ocorrência de eventos como inundações e deslizamentos.
“O processo inadequado e irregular de ocupação do solo, nas bacias hidrográficas, sejam estas rurais ou urbanas […] ocasiona desequilíbrio no comportamento hidrodinâmico do solo, podendo acentuar inundações e deslizamentos, em períodos de chuvas, devido à diminuição da capacidade de armazenamento de água no solo da bacia”, pontua Coutinho.
No Cerrado, a conservação da vegetação também está relacionada à recarga de aquíferos e à regulação do ciclo hidrológico. A proteção dessas áreas deve ser considerada no planejamento do uso do solo, especialmente em regiões sujeitas a períodos de estiagem e incêndios florestais.
O artigo 41 do Código Florestal prevê instrumentos de incentivo à preservação ambiental e à adoção de práticas produtivas sustentáveis. Em Goiás, o planejamento também se relaciona a ferramentas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), como o licenciamento ambiental IPÊ, o Reflor, voltado à reposição florestal e aos créditos ambientais, e o Sistema de Cadastro Ambiental Rural (SIGCAR). Também integram esse contexto o Plano ABC+ Goiás e o Regulariza Campo.
Capacitação e estruturação da cadeia produtiva
O Sistema Faeg/Senar e o Sebrae Goiás participam da articulação entre o poder público, produtores rurais e empresas. O presidente do Sistema Faeg/Senar e do Conselho Deliberativo do Sebrae Goiás, José Mário Schreiner, destacou a mobilização das instituições para estruturar o setor antes da chegada de novos investimentos.
“Goiás está dando um passo à frente, mobilizando as instituições antes mesmo de o investimento chegar, para criar um ambiente mais estruturado e dar mais confiança para esse tipo de empreendimento”, afirmou Schreiner.
O dirigente também ressaltou a geração de empregos e renda no campo. No segundo pilar do plano, o Senar Goiás prevê ações de capacitação profissional e assistência continuada, com treinamentos em manejo florestal e produção em viveiros, atividades relacionadas à formação de mão de obra para o setor.
Demanda industrial e metas para 2035
A expansão de empreendimentos industriais em Goiás integra as projeções de demanda por madeira. Entre os investimentos citados no planejamento estão a usina da Inpasa, em Rio Verde, com aporte de R$ 2,4 bilhões; a Planalto, em Formosa e Cristalina, com R$ 1,8 bilhão; a São Martinho, em Quirinópolis, com R$ 1,1 bilhão; e a unidade da Cargill, em Cachoeira Dourada.
Segundo as estimativas apresentadas pelo setor, esses empreendimentos exigirão cerca de 70 mil hectares adicionais de eucalipto para atender à demanda de biomassa destinada à produção de vapor.
Gerido pela Seapa, o Plano Diretor Florestal estabelece quatro pilares estratégicos e prevê alcançar 205 mil hectares de florestas plantadas em 2030 e 270 mil hectares em 2035, com produção estimada de 8 milhões de metros cúbicos. A projeção é que Goiás alcance a décima posição nacional no setor.
O planejamento estima R$ 5,3 bilhões em investimentos, a geração de 4 mil empregos e a integração de 320 novos pequenos negócios à cadeia produtiva florestal.
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