Como foi a prisão do serial killer que aterrorizou Goiânia em 2014
Prisão de Tiago Henrique Gomes da Rocha completa 12 anos nesta quarta-feira (14); captura ocorreu após cerca de 70 dias de buscas e uma investigação que mobilizou 200 policiais.
A prisão de Tiago Henrique Gomes da Rocha, condenado por uma série de assassinatos em Goiânia, completa 12 anos nesta quarta-feira (14). O então vigilante foi capturado em 14 de outubro de 2014, após cerca de 70 dias de buscas e uma operação que mobilizou aproximadamente 200 policiais. A investigação já havia reunido características físicas do suspeito e informações sobre a motocicleta usada nos crimes, mas a abordagem ocorreu depois de um imprevisto: um agente esqueceu a carteira e obrigou a equipe a refazer parte do caminho.
Naquele período, a capital enfrentava uma sequência de homicídios, principalmente de mulheres, e a polícia tentava determinar se diferentes ocorrências tinham o mesmo autor. Imagens de câmeras de segurança ajudaram a identificar o modelo e as características da motocicleta. Com os dados reunidos, um mandado foi distribuído de forma sigilosa aos policiais envolvidos na procura, para evitar que o suspeito soubesse que o veículo havia se tornado uma das principais pistas.
Dois dias antes da prisão, equipes chegaram a fazer vigilância noturna em um ponto relacionado a multas registradas por uma motocicleta semelhante. Tiago não foi localizado. A captura aconteceu quando uma das equipes retornava à Secretaria de Segurança Pública porque um policial havia esquecido a carteira. No trajeto, os agentes avistaram a moto procurada e fizeram a abordagem.
Em entrevista ao g1, o delegado Douglas Pedrosa, que integrou a força-tarefa, classificou o encontro como uma “coincidência divina”. Tiago foi levado para a delegacia, onde permaneceu por aproximadamente três horas em interrogatório. A conversa alterou a dimensão da investigação.
Confissão ampliou número de casos investigados
Pedrosa contou que, depois de cerca de 50 minutos de interrogatório, perguntou qual havia sido a primeira mulher morta por Tiago. A resposta foi: “Eu não comecei matando mulheres”. Em outro momento, questionado sobre o número de vítimas, afirmou: “42 pessoas”.
A partir das declarações, os investigadores passaram a confrontar os relatos com homicídios que até então eram apurados separadamente. A confissão, por si só, não encerrava os inquéritos: foi necessário verificar datas, locais, circunstâncias e provas para estabelecer a participação de Tiago em cada caso.
As investigações apontaram vítimas de diferentes perfis ao longo da sequência criminosa. Tiago também declarou sentir uma “vontade muito grande de matar”. À época, trabalhava como vigilante e, conforme a apuração policial, utilizou em parte dos crimes uma arma furtada da empresa onde atuava.
Nos anos seguintes, ele foi submetido a sucessivos julgamentos e recebeu condenações que, somadas, chegam a quase 700 anos de prisão. Mais de uma década após a captura, permanece no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, em cela isolada.
Embora as penas ultrapassem séculos, o tempo efetivo de prisão segue as regras vigentes quando os crimes foram cometidos. Como Tiago foi preso em 2014, o limite máximo então previsto era de 30 anos de cumprimento de pena privativa de liberdade. Por esse cálculo, 2044 aparece como marco possível para o fim do período de encarceramento.
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