Cresce procura por atendimento psicológico a mulheres em situação de violência em Goiás
Alta foi de 88% em relação ao mesmo período de 2025; Goiânia conta com centro de referência, casa de acolhimento e legislação específica
O número de atendimentos psicológicos a mulheres em situação de violência realizados pelo Centro de Referência Estadual da Igualdade (Crei) cresceu 88% em Goiás nos primeiros quatro meses de 2026. Entre janeiro e abril, foram registrados 363 atendimentos, contra 193 no mesmo período de 2025. A diferença representa 170 registros a mais em um ano. A unidade também realizou 156 orientações jurídicas no primeiro quadrimestre. Os dados são da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Seds).
A alta indica uma procura maior pelo serviço, mas não permite afirmar que os casos de violência cresceram na mesma proporção. A variação pode estar relacionada a fatores como ampliação do acesso, maior divulgação dos canais de atendimento ou mudanças na procura pelos serviços. A Seds não apresentou uma explicação para o aumento nem informou quantas mulheres diferentes foram atendidas, já que uma mesma pessoa pode receber acompanhamento em mais de uma ocasião.
O Crei oferece acolhimento psicológico e social e orientação jurídica especializada, em articulação com serviços municipais. Outra iniciativa estadual é o Goiás Por Elas, que prevê o pagamento mensal de R$ 300, por até 12 meses, a mulheres em situação de violência doméstica que tenham medida protetiva. Entre janeiro e setembro de 2026, foram entregues 4.221 cartões do programa. A secretaria não detalhou quantas mulheres recebem atualmente o benefício.
Goiânia mantém atendimento especializado às vítimas
Na Capital, a prefeitura mantém o Centro de Referência da Mulher Cora Coralina, que oferece atendimento individualizado nas áreas social, psicológica e jurídica. O serviço funciona por demanda espontânea e orienta mulheres sobre seus direitos e os caminhos para buscar proteção. A rede municipal também articula o atendimento com os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) e a Guarda Civil Metropolitana, por meio da Guarda da Mulher.
O município também possui legislação específica para situações de violência. A Lei nº 11.334, de janeiro de 2025, garante acompanhamento psicológico na rede pública ou conveniada às mulheres cujos filhos tenham sido vítimas fatais de crimes violentos. A norma prevê ainda incentivo à criação de grupos de apoio.
Outra medida é o Programa Escudo Feminino, instituído pela Lei nº 11.595/2026. A iniciativa prevê ações de proteção, capacitação, apoio psicossocial e orientação jurídica a mulheres em situação de violência, além de medidas de prevenção e incentivo à autodefesa. A legislação também trata de possíveis auxílios para aquisição de equipamentos de proteção, conforme as regras aplicáveis.
Já o Sistema Revela prevê um cadastro on-line com informações sobre agressores que respondem a processos ou possuem condenações e medidas protetivas relacionadas à violência contra mulheres. A proposta busca reunir informações que possam auxiliar as ações de prevenção e proteção.
Ações estaduais chegam a comunidades do interior
Fora dos centros urbanos, o governo estadual utiliza o Ônibus Lilás para levar orientação, acolhimento e atividades de prevenção a assentamentos, aldeias indígenas e comunidades rurais e quilombolas. Em 2026, foram realizadas cinco ações itinerantes em Goiás. A Seds não informou quantas mulheres foram atendidas nem quais municípios receberam as equipes.
O Estado também mantém o Goiás Pela Vida das Mulheres, direcionado a municípios com maiores taxas de violência, e o Pacto Goiano pelo Fim da Violência contra as Mulheres, que prevê ações municipais de prevenção e enfrentamento. Até o primeiro semestre de 2026, 936 profissionais haviam sido capacitados para atuar em grupos reflexivos e no atendimento especializado.
Outra iniciativa citada pela secretaria é o Dignidade Menstrual, que alcançou 15.640 mulheres em situação de vulnerabilidade em 37 municípios. O programa é voltado à distribuição de absorventes e à promoção da saúde menstrual, com finalidade diferente das ações de enfrentamento à violência doméstica.
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