Marieta Severo completa 80 anos com seis décadas de teatro, vilãs inesquecíveis e uma carreira que atravessou a ditadura
Atriz estreou nas novelas em 1966 como serial killer que estrangulava vítimas e chegou a ser apedrejada nas ruas do Rio por espectadores revoltados com a personagem
Marieta Severo completa 80 anos nesta segunda-feira (2) com novo trabalho no ar e uma carreira que atravessa seis décadas sem sinais de desaceleração. Nascida no Rio de Janeiro no Dia de Finados de 1946, foi registrada apenas no dia 3, por decisão do pai diante do simbolismo da data. Ao longo do tempo, acumulou participação em cerca de 90 produções entre teatro, cinema e televisão.
Iniciou a carreira artística no Teatro O Tablado e estreou nos palcos em meados dos anos 1960 com montagens como “As Feiticeiras de Salém” e “Roda Viva”. Na televisão, a estreia veio em 1966, na novela “O Sheik de Agadir”, da Rede Globo, com a vilã Éden, personagem que escondia a identidade de Rato, serial killer que estrangulava suas vítimas. As cenas mostravam apenas as luvas da assassina em ação. A repercussão foi além das telas: Marieta foi xingada e apedrejada nas ruas do Rio por espectadores revoltados com a personagem.
Décadas depois, ela se tornaria sinônimo de outro tipo de afeto. Dona Nenê, a matriarca de “A Grande Família” (2001-2014), é o papel mais lembrado pelo público. “Dia de Mãinha Marieta, um grande amor, uma figura fundamental na minha vida. Na minha segunda vida, convivemos intensamente por quase 14 anos, de muitas conquistas, muita luta e, claro, dores também”, declarou Lúcio Mauro Filho. Outros papéis marcantes incluem Alma, em “Laços de Família”, a empresária Fanny, em “Verdades Secretas” (2015), e participações em “Que Rei Sou Eu?” e “O Outro Lado do Paraíso”.
No cinema, tornou-se símbolo da retomada do audiovisual brasileiro com “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil” (1995). Reynaldo Gianecchini, que trabalhou com ela em “Laços de Família” e “Verdades Secretas”, resumiu bem o efeito que Marieta provoca nos colegas: “Como é bom poder desfrutar da convivência dela, é uma mulher elegante, divertida e generosa. Afeto eterno por ela.”
Poucos dias antes do aniversário, estreou na Netflix com “Dom de Iludir”, série com direção-geral de Mauro Mendonça Filho. A atriz Nanda Costa, que divide cenas com ela na produção, contou o impacto de tê-la ao lado durante as gravações: “Eu olhei para o lado e estava a Marieta. Eu falei isso para ela: ‘Você é um farol’.”
O diretor Mauro Mendonça Filho não esconde a admiração. “Marieta é sempre a mais brother da equipe. É uma mulher incrível, uma tremenda atriz. Este trabalho, e olha que temos muitos juntos, é o meu favorito dela”, afirmou.
A vida pessoal também marcou sua história. O casamento de mais de 30 anos com o músico Chico Buarque, pai de suas três filhas, atravessou a ditadura militar e se encerrou em janeiro de 1997. Mas a convivência familiar não terminou com a separação: em 2013, a atriz contou que Chico, as filhas e os netos frequentavam sua casa aos domingos. A celebração conjunta do resultado das eleições de 2026 voltou a evidenciar esse laço. Marieta também foi casada com o ator e apresentador Aderbal Freire-Filho, que faleceu em 2023.
Fora das telas, fundou em 2005 o Teatro Poeira, em Botafogo, ao lado de Andréa Beltrão, para fomentar produções independentes, e faz doações ao Retiro dos Artistas. “O mais bonito é que são artistas que a vida inteira deram para nós prazer, alegria, emoções, sensações, e que vão ter aqui o reconhecimento disso”, disse sobre o espaço que abriga veteranos das artes.
LEIA MAIS:
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.