Goiás registra 62 feminicídios em 2026 após duas mortes em menos de 24 horas
Casos foram registrados em Niquelândia e Aparecida de Goiânia durante o fim de semana
Duas mulheres foram mortas em circunstâncias violentas em Goiás em um intervalo inferior a 24 horas, elevando para 62 o número de feminicídios registrados no estado em 2026, conforme os dados apresentados no levantamento. O total já supera os 60 casos contabilizados durante todo o ano de 2025.
A primeira vítima foi Cícera Abadia de Souza Botelho, de 38 anos, atingida por um disparo de arma de fogo na região frontal da cabeça, na noite de sábado (31), na zona rural de Niquelândia, no Norte de Goiás. O principal suspeito é o marido da vítima, identificado pelas autoridades pelas iniciais A.L.S., que fugiu e não havia sido localizado até a divulgação das informações.
A ocorrência foi comunicada à Polícia Militar às 23h04, após a equipe de plantão do Hospital Municipal Santa Efigênia solicitar apoio para averiguar a entrada de uma mulher ferida por disparo de arma de fogo. No hospital, os policiais foram informados de que o marido teria efetuado o tiro contra o rosto da esposa. Cícera foi levada à unidade pelo irmão, Antônio Adriano Ribeiro Botelho, mas, devido à gravidade do ferimento, a equipe médica constatou que ela já estava sem vida.
Suspeito alegou disparo acidental
Segundo o relato do irmão às autoridades, familiares passaram parte do dia na propriedade do casal, onde assaram carne, consumiram cerveja e jogaram baralho. Durante a confraternização, Cícera e o marido aparentavam tranquilidade e não demonstravam desentendimentos. Depois de deixar o imóvel, o irmão retornou para sua residência, localizada a aproximadamente 300 metros do local, e foi descansar.
Algum tempo depois, o marido de Cícera chegou à casa do cunhado pedindo ajuda para socorrer a mulher. Na ocasião, teria afirmado que o disparo havia ocorrido acidentalmente. O irmão ajudou a colocar a vítima em um veículo GM Corsa e a transportou até o Hospital Municipal Santa Efigênia.
O suspeito também acompanhou os familiares até a unidade de saúde. No entanto, ao perceber a chegada dos policiais militares, deixou o hospital e fugiu a pé, em direção ignorada. As equipes iniciaram buscas em possíveis endereços de familiares e nas proximidades da unidade, mas ele não havia sido encontrado até o encerramento dos primeiros levantamentos.
A equipe de plantão da Delegacia de Polícia de Niquelândia realizou os primeiros levantamentos no hospital e manteve contato com a testemunha. A autoridade policial também determinou a realização de exame cadavérico e acionou o Instituto Médico-Legal (IML) e a Polícia Científica. A investigação deverá esclarecer as circunstâncias do disparo e a responsabilidade pela morte.
Mulher é atropelada em Aparecida de Goiânia
O segundo caso ocorreu no domingo (1º), no setor Cidade Vera Cruz, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. Larissa Pereira Macêdo, de 32 anos, foi encontrada morta no meio da rua. A Polícia Científica confirmou que a morte foi provocada por atropelamento.
Testemunhas relataram à Polícia Militar que estavam em uma festa na casa da vítima desde o início do dia. À noite, parte do grupo foi até uma distribuidora de bebidas. Quando retornaram a pé, encontraram a filha de Larissa, de 8 anos, desesperada na rua e pedindo ajuda.
Segundo os relatos, a criança contou que o companheiro da mãe havia dado três socos nela. A Polícia Militar informou que, nesse momento, os presentes encontraram o corpo da mulher na via pública. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou a morte ainda no local.
Vizinhos disseram à TV Anhanguera que, após uma discussão, o homem entrou em um caminhão para deixar o local. Larissa teria subido na escada de acesso à cabine e pedido que ele descesse. Conforme os relatos, o veículo arrancou e percorreu cerca de dois quarteirões, até que a mulher caiu e foi atingida pelas rodas traseiras.
A Polícia Científica confirmou que a causa da morte foi anemia aguda por politraumatismo.
Investigação
A Polícia Civil investiga o caso de Aparecida de Goiânia por meio da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam). A corporação informou que solicitou as perícias necessárias, mas não detalhou se o companheiro da vítima é formalmente investigado. Segundo a Polícia Militar, ele não havia sido localizado até a última atualização da ocorrência
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