Disputa pelo comando da Alego expõe articulações dentro da base governista
Daniel Vilela (MDB) reuniu deputados aliados no Palácio, enquanto parlamentares se movimentam pela sucessão de Bruno Peixoto (União Brasil)
O governador Daniel Vilela (MDB) reuniu deputados da base na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) na última terça-feira (20) em um encontro no Palácio das Esmeraldas que ocorreu em meio às articulações para a sucessão do presidente da Casa, Bruno Peixoto (União Brasil).
A reunião aconteceu para que o chefe do Executivo estadual agradecesse os deputados da atual legislatura tanto pela atuação na Alego quanto pelo trabalho exercido na campanha eleitoral, que reelegeu Daniel no primeiro turno. O emedebista ainda precisará do empenho dos parlamentares para a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027. O projeto foi lido no expediente da sessão da terça, horas depois do encontro.
Deputados da base consultados pela reportagem do O HOJE afirmaram que a sucessão na presidência não integrou a pauta do encontro. Daniel tem tratado o assunto com cautela e sinalizado para que os parlamentares articulem por conta própria.
A definição do próximo presidente envolve interesses que vão além da relação entre o Palácio das Esmeraldas e os deputados. A influência de Bruno Peixoto também entra na equação, assim como a capacidade dos postulantes de reunir apoio entre os parlamentares.
Um dos nomes cotados para assumir o comando do Legislativo, o deputado Issy Quinan (MDB) disse ao O HOJE que ainda não conversou diretamente com Daniel sobre a possibilidade de presidir a Assembleia. O parlamentar reconhece que seu nome tem sido posto nas conversas, mas prega cautela e ressalta que é um “momento de muito diálogo” com os pares.
O parlamentar é visto como o parlamentar mais próximo do governo Daniel e, nos bastidores, é visto como um dos favoritos do governador. Além dele, outros dois deputados do MDB também demonstram interesse na presidência: Cairo Salim, Charles Bento e Paulo Cezar Martins.
Além dos emedebistas, o líder de governo Talles Barreto (União Brasil) e Virmondes Cruvinel (União Brasil) aparecem entre os pretendidos. Talles trabalha para repetir Peixoto, que antes de presidir a Alego por dois mandatos foi líder do governo de Ronaldo Caiado (PSD) na Casa. A articulação enquanto porta-voz do ex-governador na Alego credenciou o parlamentar, que foi eleito deputado federal neste ano.
Correligionário de Talles, Virmondes disse ao O HOJE que articula na busca de consenso dentro da Federação União Progressista (formada por União Brasil e PP). O deputado tem mantido conversas com os pares na busca para viabilizar sua candidatura.
O interesse dos deputados pela chefia do Legislativo também tem, como pano de fundo, uma possível indicação ao Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO), já que uma possível aposentadoria antecipada de um integrante do Tribunal abriria vaga para indicação.
O nome do conselheiro Valcenor Braz e do presidente do Tribunal, Joaquim de Castro, aparecem nas especulações. Caso uma aposentadoria antecipada acontecesse, tanto Talles quanto Virmondes aparecem como cotados para serem indicados.
A especulação é que o movimento contaria com articulação do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), Sebastião Tejota. Isso porque o filho de Sebastião, o deputado estadual Lincoln Tejota (União Brasil), não foi reeleito e está como primeiro suplente da Federação UB-PP para a próxima legislatura. Uma indicação de Talles ou Virmondes levaria Tejota de volta para a Alego.
Entorno busca espaço
A movimentação no rearranjo de forças na Assembleia também envolve lideranças do Entorno do Distrito Federal, região que busca ampliar sua influência nas decisões políticas estaduais. O deputado Wilde Cambão (União Brasil) entrou na disputa pela presidência. O parlamentar, que também foi líder de governo na gestão Caiado, enfrenta o desafio de reunir consenso entre as lideranças da região próxima à capital federal.
O prefeito de Novo Gama, Carlinhos do Mangão (PL), também participa das conversas. Com a eleição de sua mulher, Joscilene do Mangão (Agir), para a Assembleia, o prefeito passou a articular e manter diálogo nas discussões em torno da sucessão da Casa.
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