Raynner Sousa revela bastidores de sucessos do sertanejo goiano em entrevista ao podcast Manda Vê
No podcast Manda Vê, compositor relembra parcerias com Cristiano Araújo, histórias de músicas conhecidas e mudanças no mercado musical
Uma música pode levar anos até encontrar uma voz. Outra nasce em dez minutos e atravessa gerações de festas. Entre composições que ficaram guardadas, sucessos disputados por cantores e a experiência de administrar carreiras, o compositor Raynner Sousa contou parte dos bastidores do sertanejo goiano em entrevista ao podcast Manda Vê, transmitida na quarta-feira (21). Na conversa, falou sobre Cristiano Araújo e as mudanças na indústria.
A relação com os palcos começou em família. O avô mantinha a Arco-Íris Show, uma das primeiras casas de espetáculos de Goiânia, e o pai trabalhava com bandas. Antes de escrever para intérpretes sertanejos, Raynner tocou guitarra e violão em grupos de forró. A experiência ampliou seu repertório. Aos 18 anos, compôs a primeira canção, que acabou gravada por um artista. Aos 39, soma duas décadas como autor.
O interesse pela composição sertaneja cresceu quando passou a ouvir Jorge & Mateus. A linguagem da dupla tornou-se referência. No começo, escrevia sobretudo repertório romântico, até que uma observação do pai o levou a experimentar faixas mais animadas. Dessa fase vieram trabalhos como “Lê Lê Lê”, gravada por João Neto & Frederico, e “Sinal Disfarçado”, conhecida na voz de Zé Ricardo & Thiago, com participação de Israel Novaes.
Canções que mudam de destino
A história de “Sinal Disfarçado” reúne criação rápida e uma decisão comercial. Raynner relatou que a música ficou pronta em cerca de dez minutos e que recebeu uma proposta de aproximadamente R$1 milhão para destiná-la a outro intérprete. Preferiu manter a composição no projeto para o qual havia sido concebida. A canção continua presente em festas e na televisão.
Com “Bala Alojada”, o caminho foi o oposto. Escrita cerca de quatro anos antes de ganhar projeção, a música passou por recusas e negociações de exclusividade. Segundo o compositor, uma dupla chegou a receber autorização gratuita para gravá-la, mas outros interessados surgiram enquanto uma gravação não se concretizava. Encerrado o período de exclusividade, a canção chegou a Gusttavo Lima. No podcast, mostrou um trecho descartado da versão original.
Ele também lembrou a surpresa ao descobrir que o ator Will Smith havia usado, em uma publicação com fotografias da família, uma versão em MTG de “Romance”. Para ele, foi uma prova do alcance inesperado da música feita em Goiás.
Da composição aos bastidores
A ligação com Cristiano Araújo foi além das músicas. Raynner contou que conheceu o cantor quando ele ainda integrava uma dupla e que, mais tarde, participou de sua equipe empresarial. Segundo o compositor, Jorge, da dupla Jorge & Mateus, incentivou a aproximação e ajudou financeiramente na produção do primeiro DVD da fase solo do artista. Da convivência vieram parcerias e gravações, entre elas “Efeitos” e “Me Apego”.
Durante a entrevista, Raynner reproduziu gravações antigas de suas composições, incluindo uma guia de “Efeitos” com a voz de Cristiano e um registro de “Me Apego” feito durante uma sessão de criação no apartamento de Maiara e Maraisa. Eram versões anteriores às gravações conhecidas.
O compositor também participou do desenvolvimento de carreiras como as de Zé Ricardo & Thiago e Thiago Brava. Ao recordar esse período, descreveu o trabalho de empresário como uma rotina de decisões urgentes, problemas de logística e pouco tempo para criar. Mesmo com experiência nos dois lados do mercado, afirmou que prefere compor.
Novas ferramentas, velhos impasses
A chegada da inteligência artificial à música foi outro assunto. Raynner disse utilizar ferramentas digitais para experimentar arranjos de composições que já criou, mas distinguiu esse uso da geração integral de melodias e letras. Para ele, ainda há dúvidas sobre como reconhecer a autoria e proteger direitos quando parte da criação é produzida por sistemas automatizados.
A pressão por músicas de consumo rápido também entrou na conversa. Na avaliação do compositor, a busca por fórmulas parecidas torna mais difícil apresentar propostas diferentes às gravadoras e aos artistas. Ele identifica, ao mesmo tempo, espaço para canções românticas e para a recuperação de repertórios antigos.
Raynner ainda afirmou que estuda voltar a atuar como empresário de artistas, embora não tenha anunciado nomes ou acordos. Mantém também o hábito de anotar ideias assim que aparecem, antes que a próxima melodia desapareça da memória. O episódio completo está disponível no canal do YouTube do Manda Vê.
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