Neste domingo, voto e democracia dividem a mesma data
Segundo turno das eleições coincide com os 51 anos da morte de Vladimir Herzog e reforça a importância da participação política e da defesa das liberdades
Neste domingo (25), brasileiros voltam às urnas para escolher o presidente da República, na mesma data em que se completam 51 anos do assassinato de Vladimir Herzog. Morto sob tortura durante a ditadura militar, o jornalista tornou-se símbolo da defesa da liberdade de imprensa. A coincidência com o segundo turno traz à discussão a importância do voto em um país que passou quase três décadas sem escolher diretamente seu presidente.
Na noite de 24 de outubro de 1975, agentes da repressão procuraram Herzog na TV Cultura, onde ele dirigia o jornalismo. Ficou combinado que compareceria ao DOI-Codi na manhã seguinte. Em 25 de outubro, apresentou-se ao órgão e foi assassinado sob tortura. Os militares divulgaram a versão de suicídio, posteriormente desmentida. Seis dias depois, cerca de 8 mil pessoas participaram de um culto ecumênico na Catedral da Sé, que se tornou um marco da resistência à ditadura.
Sua morte inspirou o projeto que propõe instituir 25 de outubro como Dia Nacional de Defesa da Democracia. Apresentada pela senadora Eliziane Gama em 2023, a proposta surgiu após os ataques de 8 de janeiro, quando manifestantes contrários ao resultado das eleições invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Aprovado pelo Senado em 2024, o projeto ainda tramita na Câmara dos Deputados. A data não foi instituída por lei federal.
O valor da participação
De origem grega, democracia reúne os termos demos, povo, e kratos, poder. Na prática, não se resume à eleição de governantes. Pressupõe liberdade de expressão, acesso à informação e condições para fiscalizar decisões públicas. O voto influencia políticas de saúde, educação e cultura, além da destinação de recursos que afetam a vida cotidiana.
A participação eleitoral também enfrenta obstáculos. A circulação de informações falsas, os ataques à imprensa e a intolerância diante de opiniões diferentes dificultam o debate público. A crítica aos governantes é parte da democracia, mas a tentativa de silenciar opiniões ameaça direitos fundamentais, como a liberdade de expressão e a participação política.
Uma conquista a preservar
A história de Herzog recorda o alcance da censura durante a ditadura, que atingiu jornais, livros, músicas e espetáculos. Também revela as consequências da perseguição política. Conhecer esse passado ajuda a compreender por que os direitos assegurados pela Constituição de 1988 precisam ser permanentemente respeitados e protegidos.
Neste domingo, a votação acontece das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Quem não votou no primeiro turno poderá comparecer normalmente, desde que esteja com a situação eleitoral regular.
Comparecer às urnas é exercer um direito conquistado após décadas de mobilização democrática. Cada eleitor tem a liberdade de fazer sua escolha, mas a responsabilidade não termina com a apuração. Acompanhar decisões, cobrar transparência e fiscalizar os governantes também são formas de participação. Cinquenta e um anos após a morte de Herzog, a data recorda as consequências da perda dos direitos democráticos e a importância de exercer um direito que nem sempre esteve ao alcance dos brasileiros.
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