Flávio e Lula trocam acusações no último debate antes da eleição
Salário mínimo, transporte público, agronegócio, programas sociais e dívida pública marcaram confronto entre os candidatos a presidente na TV Globo nesta sexta-feira (23)
Bruno Goulart
O presidente Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram uma noite de cobranças, promessas e ataques pessoais no último debate presidencial antes da votação de domingo (25). Transmitido pela TV Globo na noite desta sexta-feira (23), o confronto entre os candidatos que disputam o segundo turno foi marcado por discussões sobre o salário mínimo, o custo de vida, o agronegócio e políticas sociais.
Salário mínimo e tarifa zero
No início do debate, Lula questionou Flávio sobre o salário mínimo e a política de reajustes acima da inflação. O presidente afirmou que, sem as correções promovidas durante os governos petistas, o valor seria de aproximadamente R$ 900, em referência às gestões de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL).
Flávio rebateu e responsabilizou o atual governo pela perda do poder de compra da população. Segundo o senador, os juros elevados e o aumento das dívidas comprometem a renda das famílias. “Lula, por que que você endividou o povo brasileiro desse jeito?”, questionou o candidato do PL. Em seguida, criticou a diferença entre o valor recebido pelos trabalhadores e os gastos que precisam assumir.
O salário mínimo de R$ 1.621, vigente em 2026, voltou à discussão quando Lula perguntou ao adversário sobre a proposta de tarifa zero nos ônibus aos fins de semana. Flávio afirmou ser favorável à medida, mas questionou como ela seria financiada e criticou a política tributária do governo federal. Ao final da discussão, prometeu reajustar o salário mínimo acima da inflação caso seja eleito.
Agronegócio e Nordeste
A situação dos produtores rurais também entrou na pauta. Flávio afirmou que agricultores do Centro-Oeste enfrentam dificuldades para conseguir financiamentos destinados à compra de sementes, máquinas e animais. O senador criticou a burocracia e disse que os juros reais podem chegar perto de 20%.
Como resposta, prometeu ampliar os recursos destinados ao seguro rural e ao Plano Safra, além de impedir o contingenciamento dessas verbas. Lula, por sua vez, criticou a insistência do adversário no discurso contra os impostos e afirmou que ele reproduz argumentos de setores economicamente privilegiados.
Na discussão sobre o Nordeste, Lula citou obras de infraestrutura, como a transposição do Rio São Francisco e a Transnordestina, além da criação de universidades e institutos federais. O presidente também mencionou investimentos na indústria automobilística e a implantação de uma unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará.
Flávio afirmou que pretende ampliar a presença do governo federal na região e criticou a segurança pública nos estados nordestinos, atribuindo a governos de esquerda a responsabilidade pela expansão do Comando Vermelho. O senador também prometeu manter o diálogo com governadores de diferentes partidos. “Eu vou ser presidente do Brasil, vou governar inclusive para você. Eu vou governar para o Nordeste”, declarou.
Licença-maternidade e Bolsa Família
O debate ganhou um tom mais pessoal quando Lula questionou o voto de Flávio Bolsonaro, na época deputado estadual no Rio de Janeiro, contra uma proposta de ampliação da licença-maternidade para 180 dias.
O senador reconheceu que estava errado e afirmou que mudou de opinião depois de se casar e ter filhos. Segundo ele, a possibilidade de a ampliação do benefício dificultar a contratação de mulheres pesou em sua decisão naquele momento. “Hoje, depois que eu casei, depois que tenho duas filhas, mais do que nunca eu sei da importância da mãe estar perto do filho”, afirmou.
Lula contestou a justificativa e disse que o adversário teve a oportunidade de apoiar a medida quando era parlamentar, mas não o fez. Na sequência, o presidente questionou declarações anteriores de Flávio que associavam o Bolsa Família à expressão “bolsa farelo”. Para Lula, a expressão demonstra desrespeito à população de baixa renda.
Nove dedos
A discussão ficou ainda mais acalorada quando o presidente reagiu ao fato de Flávio ter usado a expressão “nove dedos” para se referir a ele durante o debate sobre o salário mínimo. “Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos”, afirmou Lula, que lembrou ter perdido um dedo em um acidente de trabalho aos 17 anos.
No final do debate, o candidato do PL citou o filho do presidente Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha) e a relação dele com uma lobista. O “caso Lulinha no INSS” refere-se a uma série de investigações da Polícia Federal que apuram o suposto envolvimento do filho do presidente Lula em um esquema de tráfico de influência e corrupção.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.