Meningite preocupa após registro de mortes em Goiás
Estado contabiliza 147 casos da doença neste ano; infectologista alerta para sintomas e reforça a importância da imunização
Goiás registrou 147 casos de meningite e 32 mortes pela doença em 2026, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO). Diante do cenário, a pasta reforça a importância da vacinação para prevenir formas graves da enfermidade. Os imunizantes disponíveis gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ajudam a reduzir o risco de infecções e complicações, embora não protejam contra todas as causas de meningite.
A doença é caracterizada pela inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal e pode ser provocada por bactérias, vírus, fungos e outros agentes. As formas bacterianas exigem atenção especial devido à possibilidade de evolução rápida, com risco de sequelas permanentes e morte. Entre os agentes que podem ser prevenidos por vacinas estão os meningococos, os pneumococos e a bactéria Haemophilus influenzae tipo b.
Sintomas exigem atendimento imediato
A rapidez com que a meningite pode evoluir torna fundamental reconhecer os sintomas e procurar atendimento médico sem demora. O infectologista Marcelo Daher alerta que a doença deve ser considerada uma emergência médica.
“A meningite pode evoluir rapidamente. Os sintomas principais incluem febre alta, dor de cabeça intensa, náuseas, vômitos em jato, sensibilidade à luz, rigidez na nuca e, em casos mais graves, convulsões e confusão mental. Nos bebês, os sinais podem ser mais sutis, como choro excessivo, sonolência e recusa alimentar”, explica.
A recomendação é buscar assistência médica imediatamente diante de sinais suspeitos, mesmo que a vacinação esteja em dia. Em bebês e crianças pequenas, alterações de comportamento, irritabilidade e dificuldade para se alimentar também merecem atenção. A identificação precoce e o início rápido do tratamento são importantes para reduzir o risco de complicações.
A forma de transmissão varia conforme o agente causador. No caso da doença meningocócica, provocada pela bactéria Neisseria meningitidis, a transmissão ocorre por meio de secreções respiratórias, principalmente em situações de contato próximo com uma pessoa infectada. A bactéria pode causar meningite ou meningococcemia, uma infecção que se espalha pela corrente sanguínea e também pode evoluir de forma grave.
Vacinas estão disponíveis gratuitamente no SUS
A rede pública oferece imunizantes contra diferentes agentes associados à meningite. Entre eles estão as vacinas meningocócica C, meningocócica ACWY, pneumocócica, pentavalente e BCG. Esta última protege contra formas graves da tuberculose, incluindo a meningite tuberculosa. A indicação e o esquema de cada vacina variam conforme a idade e a situação vacinal da pessoa.
Daher destaca que a vacinação contribuiu para reduzir a ocorrência de algumas formas da doença no país. “A vacina contra o Haemophilus influenzae tipo B, por exemplo, praticamente erradicou os casos de meningite causados por essa bactéria no Brasil. A vacinação é uma das ferramentas mais eficazes da medicina moderna”, afirma.
Por isso, para o infectologista, pais e responsáveis devem verificar a caderneta de vacinação das crianças. Adolescentes e adultos também podem procurar uma unidade de saúde para conferir as recomendações aplicáveis a cada faixa etária. Manter as doses em dia é uma das principais medidas para reduzir o risco de formas graves de meningite.
Casos de doença meningocócica voltam a crescer no Brasil
Enquanto Goiás contabiliza os casos de meningite registrados no estado, os dados nacionais reunidos pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) mostram a evolução específica da doença meningocócica. Segundo informações do Ministério da Saúde citadas pela entidade, o Brasil registrou 22.351 casos desse tipo de infecção entre 2010 e 11 de setembro de 2026. O número corresponde a aproximadamente 25% de todas as meningites bacterianas notificadas no período.
A inclusão da vacina meningocócica C no calendário infantil, em 2010, foi seguida por uma redução nos registros. Naquele ano, o país contabilizou 3.003 casos. Em 2019, foram 1.064, uma queda de aproximadamente 65%. Durante a pandemia de Covid-19, os números diminuíram ainda mais, chegando a 369 casos em 2020 e 254 em 2021.
A partir de 2022, no entanto, os registros voltaram a aumentar. Em 2025, o Brasil contabilizou 1.146 casos de doença meningocócica. Já em 2026, até 11 de setembro, foram confirmados 588 casos, conforme os dados parciais citados pela SBIm. A entidade aponta que a redução durante a pandemia pode estar relacionada à menor circulação da bactéria, em razão de medidas como o uso de máscaras e o distanciamento social. Possíveis falhas nas notificações durante a sobrecarga dos serviços de saúde também podem ter influenciado os números.
Sorogrupo B concentra maior parte dos casos identificados
Além da variação no total de registros, o país também apresentou mudanças nos tipos de meningococo em circulação. Essas variações são classificadas em grupos chamados sorogrupos, definidos por características da estrutura da bactéria. Os tipos A, B, C, W, Y e X estão associados à maioria dos casos de doença meningocócica.
Em 2025, o sorogrupo B representou 55% dos casos em que foi possível identificar o tipo da bactéria. O sorogrupo C respondeu por 30,5%, enquanto os tipos W e Y corresponderam a 7,5% e 7%, respectivamente. Entre os bebês com menos de 1 ano, a participação do sorogrupo B chegou a 73% dos registros com identificação.
Essa mudança reforça a importância da vacinação, já que a proteção oferecida pelos imunizantes meningocócicos varia conforme os sorogrupos contemplados em cada fórmula. Por isso, além de manter a caderneta atualizada, é importante seguir as orientações dos profissionais de saúde sobre as vacinas indicadas para cada faixa etária.
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