Grupo de deputados quer fim da reeleição para maior alternância na direção da Alego
Proposta de Talles Barreto recebeu 21 votos favoráveis em votação preliminar; articulação reúne parlamentares de diferentes partidos e movimenta disputa pela presidência da Assembleia
Bruno Goulart
Um grupo de deputados estaduais articula o fim da reeleição para a presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) com o argumento de que a alternância no comando da Casa amplia a participação dos parlamentares na Mesa Diretora. A movimentação reúne integrantes de diferentes partidos e ganhou um novo capítulo com a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) pelo líder do Governo na Alego, Talles Barreto (União Brasil). A iniciativa se soma às negociações para a escolha do presidente no biênio 2027/2028, em uma disputa que envolve tanto a formação de alianças internas quanto a influência das principais lideranças políticas do Estado.
Além de Talles, o grupo favorável ao fim da reeleição reúne Virmondes Cruvinel (União Brasil), Cairo Salim (PSD), Charles Bento (MDB), Wilde Cambão (União Brasil), Jamil Calife (PP) e Wagner Neto (Solidariedade). A articulação pretende mudar as regras para a escolha da presidência e abrir espaço para que deputados que ainda não ocuparam o cargo também possam disputar o comando do Legislativo.
A PEC apresentada por Talles modifica o artigo 16 da Constituição Estadual, estabelece mandato de dois anos e proíbe a reeleição ou recondução sucessiva para a presidência. O texto recebeu 21 votos favoráveis em votação preliminar e será encaminhado à Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). A proposta ainda precisa passar pelas etapas previstas no processo legislativo para que a mudança seja efetivada.
Alternância de poder
Ao justificar a iniciativa, Talles defendeu a renovação da Mesa Diretora e o respeito à proporcionalidade partidária na distribuição dos espaços de poder. “É importante dar oportunidade a quem não fez parte poder fazer. Respeitar a proporcionalidade partidária. E isso dá abertura para outros pensamentos”, afirmou.
A defesa da alternância também se relaciona à disputa em torno dos nomes que pretendem assumir a presidência. O deputado Issy Quinan (MDB) tem se movimentado para reunir apoio, mas Talles considera que a escolha não deve ficar restrita ao emedebista. “O Issy é um ótimo deputado. Tenho respeito por ele, mas acho que deveria ser melhor debatido com outros parlamentares, principalmente com os que já estão na Casa”, declarou.
O líder do Governo reconheceu que Issy é o parlamentar mais empenhado nas conversas até o momento, mas ressaltou que ainda não há definição. “Está cedo”, afirmou. Talles também admitiu que tem interesse em presidir a Assembleia. “Acha que não tenho vontade de ser presidente? Todos nós que temos algum mandato temos vontade de presidir. Faz parte do jogo”, disse.
Na avaliação de Talles, o governador Daniel Vilela (MDB), obviamente, terá influência na escolha do próximo presidente, mas a articulação deverá passar pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). “A decisão do governador é a que vai prevalecer. E acho que o governador deve conversar com o doutor Ronaldo Caiado. Essa é a vez do Daniel ter influência, mas tem que consultar o ex-governador”, afirmou. O líder governista, no entanto, disse que ainda não recebeu sinalização específica de Daniel em favor de um nome.
A forma como Issy tem conduzido sua candidatura também é alvo de avaliação nos bastidores. O parlamentar tem se vendido como o candidato do governo, mas isso pode dificultar a aproximação com a oposição como PT, PSDB e PL, que reivindicam participação nas negociações e não querem que a escolha seja apresentada como uma decisão apenas do Executivo.
O PT é uma das bancadas que devem participar das conversas. A deputada estadual eleita, vereadora Kátia (PT) afirmou ao O HOJE que foi procurada por quatro parlamentares interessados em discutir a eleição, mas preferiu aguardar o encerramento do segundo turno presidencial. Durante o período, segundo ela, a prioridade era a campanha pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o fim da eleição, a parlamentar pretende iniciar as conversas e discutir o posicionamento da legenda.
“Vou começar a fazer essas conversas e dialogar dentro do PT para ter uma posição de unidade dentro do partido”, afirmou Kátia. A sinalização indica que o apoio petista será discutido internamente, em busca de uma posição comum da bancada. O PT tem o hábito de votar em bloco. Com isso, os interessados na presidência terão de negociar não apenas com deputados individualmente, mas também com o partido.
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