quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Presidência da Alego

Grupo de deputados quer fim da reeleição para maior alternância na direção da Alego

Proposta de Talles Barreto recebeu 21 votos favoráveis em votação preliminar; articulação reúne parlamentares de diferentes partidos e movimenta disputa pela presidência da Assembleia

Bruno Goulartpor em
Alego
Eleição da Mesa Diretora da Alego deve ocorrer em fevereiro do próximo ano. Foto: Will Rosa/Alego

Bruno Goulart

Um grupo de deputados estaduais articula o fim da reeleição para a presidência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) com o argumento de que a alternância no comando da Casa amplia a participação dos parlamentares na Mesa Diretora. A movimentação reúne integrantes de diferentes partidos e ganhou um novo capítulo com a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) pelo líder do Governo na Alego, Talles Barreto (União Brasil). A iniciativa se soma às negociações para a escolha do presidente no biênio 2027/2028, em uma disputa que envolve tanto a formação de alianças internas quanto a influência das principais lideranças políticas do Estado.

Além de Talles, o grupo favorável ao fim da reeleição reúne Virmondes Cruvinel (União Brasil), Cairo Salim (PSD), Charles Bento (MDB), Wilde Cambão (União Brasil), Jamil Calife (PP) e Wagner Neto (Solidariedade). A articulação pretende mudar as regras para a escolha da presidência e abrir espaço para que deputados que ainda não ocuparam o cargo também possam disputar o comando do Legislativo.

A PEC apresentada por Talles modifica o artigo 16 da Constituição Estadual, estabelece mandato de dois anos e proíbe a reeleição ou recondução sucessiva para a presidência. O texto recebeu 21 votos favoráveis em votação preliminar e será encaminhado à Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ). A proposta ainda precisa passar pelas etapas previstas no processo legislativo para que a mudança seja efetivada.

Alternância de poder

Ao justificar a iniciativa, Talles defendeu a renovação da Mesa Diretora e o respeito à proporcionalidade partidária na distribuição dos espaços de poder. “É importante dar oportunidade a quem não fez parte poder fazer. Respeitar a proporcionalidade partidária. E isso dá abertura para outros pensamentos”, afirmou. 

A defesa da alternância também se relaciona à disputa em torno dos nomes que pretendem assumir a presidência. O deputado Issy Quinan (MDB) tem se movimentado para reunir apoio, mas Talles considera que a escolha não deve ficar restrita ao emedebista. “O Issy é um ótimo deputado. Tenho respeito por ele, mas acho que deveria ser melhor debatido com outros parlamentares, principalmente com os que já estão na Casa”, declarou.

O líder do Governo reconheceu que Issy é o parlamentar mais empenhado nas conversas até o momento, mas ressaltou que ainda não há definição. “Está cedo”, afirmou. Talles também admitiu que tem interesse em presidir a Assembleia. “Acha que não tenho vontade de ser presidente? Todos nós que temos algum mandato temos vontade de presidir. Faz parte do jogo”, disse.

Na avaliação de Talles, o governador Daniel Vilela (MDB), obviamente, terá influência na escolha do próximo presidente, mas a articulação deverá passar pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD). “A decisão do governador é a que vai prevalecer. E acho que o governador deve conversar com o doutor Ronaldo Caiado. Essa é a vez do Daniel ter influência, mas tem que consultar o ex-governador”, afirmou. O líder governista, no entanto, disse que ainda não recebeu sinalização específica de Daniel em favor de um nome.

A forma como Issy tem conduzido sua candidatura também é alvo de avaliação nos bastidores. O parlamentar tem se vendido como o candidato do governo, mas isso pode dificultar a aproximação com a oposição como PT, PSDB e PL, que reivindicam participação nas negociações e não querem que a escolha seja apresentada como uma decisão apenas do Executivo.

O PT é uma das bancadas que devem participar das conversas. A deputada estadual eleita, vereadora Kátia (PT) afirmou ao O HOJE que foi procurada por quatro parlamentares interessados em discutir a eleição, mas preferiu aguardar o encerramento do segundo turno presidencial. Durante o período, segundo ela, a prioridade era a campanha pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com o fim da eleição, a parlamentar pretende iniciar as conversas e discutir o posicionamento da legenda.

“Vou começar a fazer essas conversas e dialogar dentro do PT para ter uma posição de unidade dentro do partido”, afirmou Kátia. A sinalização indica que o apoio petista será discutido internamente, em busca de uma posição comum da bancada. O PT tem o hábito de votar em bloco. Com isso, os interessados na presidência terão de negociar não apenas com deputados individualmente, mas também com o partido.

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