Telescópio da Nasa encerra missão após quase 22 anos e deve cair na Terra
Swift fez sua última observação científica em 20 de outubro; agência ainda não definiu data ou local da reentrada, e não há previsão de queda de destroços no Brasil
O telescópio espacial Neil Gehrels Swift Observatory, da Nasa, encerrou sua missão após quase 22 anos em órbita e deve reentrar na atmosfera terrestre nas próximas semanas. Lançado em novembro de 2004 para uma operação inicialmente prevista para durar dois anos, o equipamento realizou sua última observação científica em 20 de outubro. Na ocasião, estava a aproximadamente 275 quilômetros de altitude, onde o aumento do arrasto atmosférico já dificultava a manutenção de sua orientação.
A Nasa ainda não divulgou uma data, um horário ou um local exatos para a reentrada. Embora a trajetória orbital do Swift passe por uma faixa que inclui parte do território brasileiro, não há previsão de que destroços atinjam o país. O satélite percorre uma órbita inclinada cerca de 20,6 graus em relação ao equador, o que torna uma queda no Brasil fisicamente possível, mas não significa que esse cenário seja esperado. As estimativas sobre o local da reentrada devem ganhar precisão conforme o equipamento perder altitude.
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A incerteza ocorre porque pequenas variações na densidade da atmosfera, na atividade solar e no comportamento da espaçonave podem alterar o momento e a região em que ela entrará na atmosfera. Durante a descida, o aquecimento intenso deverá destruir grande parte da estrutura, embora componentes mais resistentes possam sobreviver e alcançar a superfície. Marcos Calil, responsável pelo Setor de Observatório da Urânia Planetário, ressaltou que a possibilidade de uma queda no Brasil não deve ser confundida com uma previsão. Segundo ele, até o momento não existem dados que permitam afirmar que destroços atingirão o território brasileiro.
Ao longo de sua operação, o Swift contribuiu para o estudo de fenômenos astronômicos, incluindo mais de 2 mil explosões de raios gama, além de observações de supernovas e buracos negros. O observatório também registrou alvos como asteroides e cometas. A missão prolongada permitiu que o equipamento permanecesse ativo por quase duas décadas além do período inicialmente planejado. A Urânia Planetário informou que acompanhará as atualizações da Nasa à medida que a reentrada se aproximar e mantém transmissões ao vivo no YouTube às terças-feiras, às 19h30.
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