Desemprego cai a 5,2% no Brasil, mas mercado de trabalho pressiona juros
Número de pessoas ocupadas atinge recorde histórico, enquanto aumento da renda mantém o consumo aquecido e exige atenção do Banco Central
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,2% no trimestre encerrado em setembro de 2026, o menor índice desde o início da série histórica, em 2012. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo IBGE e repercutida em reportagem do InfoMoney, publicada na sexta-feira (30).
No trimestre anterior, encerrado em junho, a taxa estava em 5,4%. Já no mesmo período de 2025, o indicador registrava 5,6%.
Além da redução do desemprego, o número de pessoas ocupadas chegou a 103,6 milhões, o maior patamar da série histórica. O resultado acompanha o crescimento da renda e a manutenção do consumo das famílias.
Renda sustenta consumo, mas pressiona inflação
Segundo a análise do economista Leandro Padulla, do ASA, o rendimento efetivo real cresceu 1,7% no trimestre, enquanto a massa de rendimentos avançou 2%. A avaliação é que o aumento da renda continua contribuindo para a movimentação da economia.
A construção civil também apresentou crescimento, com 210 mil trabalhadores a mais, uma alta de 2,8%.
Por outro lado, o mercado de trabalho aquecido pode dificultar o controle da inflação. A menor disponibilidade de mão de obra favorece a pressão sobre os salários e eleva os custos das empresas, principalmente no setor de serviços.
O CEO da MA7 Capital, André Matos, avalia que esse cenário reduz o espaço para cortes mais rápidos da taxa básica de juros, a Selic, já que a inflação de serviços apresenta maior resistência à queda.
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Projeções apontam desaceleração do emprego
Apesar do resultado positivo, economistas já identificam sinais de desaceleração na geração de vagas. A consultoria 4Intelligence observa estabilidade na taxa de participação da força de trabalho, em 62,2%, e relaciona o movimento ao envelhecimento da população.
Na comparação anual, setores como serviços domésticos e indústria de transformação apresentam menor ritmo de abertura de postos.
O economista Rodolfo Margato, da XP, projeta que o desemprego termine 2026 em 5,4%. Para 2027, a estimativa é de 6,5%.
A informalidade também permanece no radar dos analistas. Segundo o economista sênior do Inter, André Valério, a taxa está em 37,5%, enquanto a renda habitual apresenta estabilidade.
Os dados da 4Intelligence mostram ainda que o emprego formal cresceu 1,8% em um ano, enquanto as ocupações informais avançaram 0,2%.
Já o Banco Daycoval avalia que o custo elevado do crédito pode contribuir para uma redução gradual do ritmo de contratações nos próximos meses.
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