quinta-feira, 5 de novembro de 2026
Mudanças

PEC da Segurança pode mudar atuação das guardas municipais em Goiás

Proposta aprovada pelo Senado prevê novas corporações de natureza civil, mas implantação dependerá de critérios específicos e capacidade financeira das prefeituras

Renata Ferrazpor em
PEC da Segurança pode mudar atuação das guardas municipais em Goiás
Divulgação

A possibilidade de criação de polícias municipais deve colocar as estruturas de segurança das cidades goianas diante de uma nova discussão. Com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Senado Federal, na terça-feira (3), os municípios passam a ter uma previsão constitucional para ampliar a participação no policiamento ostensivo e comunitário. A medida, no entanto, não representa uma transformação automática das Guardas Civis Municipais (GCMs), já que a implantação das novas corporações dependerá de critérios específicos e da capacidade administrativa e financeira de cada prefeitura.

Em Goiás, uma das cidades que pode ter a discussão retomada é Goiânia. Em 2025, o prefeito Sandro Mabel tentou alterar a identificação da Guarda Civil Metropolitana para Polícia de Goiânia, iniciativa que provocou um impasse jurídico. Na ocasião, o Ministério Público de Goiás (MP-GO) questionou a mudança e recomendou que a administração municipal interrompesse a alteração da nomenclatura e retirasse a nova identificação das viaturas.

A discussão também envolveu o Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisões anteriores, a Corte reconheceu a possibilidade de as guardas municipais atuarem na segurança urbana, inclusive com ações de policiamento preventivo e comunitário, mas estabeleceu limites para evitar a sobreposição de funções com as polícias estaduais. Em abril de 2026, o STF firmou entendimento contrário à substituição da denominação Guarda Municipal por Polícia Municipal ou expressões semelhantes, no contexto das regras então vigentes.

Com a nova PEC, a discussão ganha outro contorno. O texto aprovado pelo Senado prevê expressamente a possibilidade de criação de polícias municipais de natureza civil. Dessa forma, a proposta pode oferecer uma nova base constitucional para que municípios discutam a organização de suas corporações. Isso não significa, porém, que a tentativa feita por Mabel em 2025 esteja automaticamente autorizada ou que a prefeitura possa simplesmente alterar o nome da guarda sem cumprir as novas exigências.

Novas atribuições e custos para as prefeituras

A PEC 18/2025 também incorpora o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) à Constituição Federal, com o objetivo de fortalecer a integração entre União, Estados, Distrito Federal e municípios. A proposta busca ampliar o compartilhamento de informações e a cooperação entre as instituições no enfrentamento ao crime organizado, às facções criminosas e às milícias.

No âmbito municipal, as polícias previstas no texto terão natureza civil e poderão atuar no policiamento ostensivo e comunitário. A criação dessas instituições, entretanto, estará condicionada ao cumprimento de requisitos relacionados à formação dos agentes, à capacidade financeira dos municípios e à fiscalização institucional. O texto também busca evitar a existência simultânea de guardas municipais e polícias municipais com atribuições sobrepostas.

Na prática, a mudança pode representar uma ampliação da responsabilidade das prefeituras na segurança pública. Para colocar uma nova estrutura em funcionamento, será necessário considerar despesas com treinamento, equipamentos, viaturas, instalações e manutenção das equipes. A exigência de capacidade financeira também pode dificultar a implantação em municípios menores, que possuem orçamentos mais limitados.

A preocupação com os recursos foi destacada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que criticou a distribuição das verbas federais previstas na proposta. Segundo a entidade, o texto estabelece a destinação obrigatória de 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) aos Estados e ao Distrito Federal, sem garantir aos municípios o mesmo modelo de transferência automática.

PMGO mantém atribuições constitucionais

Questionada pelo O HOJE sobre os possíveis reflexos da PEC na atuação das forças de segurança estaduais e na relação com as futuras polícias municipais, a Polícia Militar de Goiás (PM-GO) não apresentou uma avaliação específica sobre as mudanças. Em nota, a corporação afirmou que continuará desempenhando seu papel constitucional, em consonância com a legislação vigente, e que manterá a atuação integrada e cooperativa com os demais órgãos do sistema de segurança pública.

A PM-GO acrescentou que a cooperação entre as instituições tem como objetivo preservar a ordem pública e proteger a sociedade.

Procurada pela reportagem, a Agência da Guarda Civil Metropolitana de Goiânia (AGCM) informou que não vai se manifestar sobre o assunto. A Secretária de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) não respondeu aos nossos questionamentos.

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