Entidades pedem permanência de auxílios no serviço público após decisão do STF
Pedido foi apresentado após ministro Flávio Dino suspender pagamentos nos Três Poderes
Onze entidades ligadas ao sistema de Justiça ingressaram no Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido para participar do processo que discute os chamados “penduricalhos” do serviço público nos Três Poderes. As associações defendem a permanência dos auxílios e gratificações. O movimento ocorre após decisão do ministro Flávio Dino, que suspendeu esses pagamentos na última quinta-feira (5).
A medida do ministro alcança Executivo, Legislativo e Judiciário. A decisão foi proferida no âmbito de ação que tratava originalmente de honorários de procuradores municipais de Praia Grande, em São Paulo. No entanto, segundo as entidades, a liminar acabou tendo efeito mais amplo.
Pedido de ingresso no processo
As associações protocolaram manifestação para integrar formalmente o processo em tramitação na Corte. Elas sustentam que a decisão foi além do objeto inicial da ação. Além disso, afirmam que a suspensão atinge servidores e membros de instituições em todo o país.

De acordo com o documento apresentado, as entidades defendem que normas editadas por conselhos nacionais possuem força normativa e organizam a estrutura das carreiras. Sendo assim, argumentam que essas regras não podem ser afastadas sem análise específica.
As associações também contestam o entendimento expresso pelo ministro ao mencionar a necessidade de pôr fim ao que classificou como “império dos penduricalhos”. Para os representantes das entidades, os benefícios possuem previsão normativa e atendem a critérios definidos.
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Argumentos apresentados pelas entidades
No texto encaminhado ao STF, as associações citam déficit de magistrados e membros do Ministério Público. Segundo o documento, há mais de 4,6 mil cargos vagos na magistratura. Esse cenário, conforme alegam, justificaria o pagamento de gratificações por acúmulo de funções e licenças compensatórias.
O pedido afirma que concursos públicos não têm preenchido todos os cargos iniciais disponíveis. Por consequência, servidores e membros ativos assumem volume adicional de trabalho. Nesse contexto, as entidades defendem que a política remuneratória busca compensar o acúmulo de atribuições até que o número de profissionais seja adequado à demanda processual.
Entre as verbas mencionadas na decisão do ministro estão auxílio-educação, auxílio-saúde pago sem comprovação específica, gratificação por acúmulo de funções exercidas na mesma jornada e a conversão de licenças compensatórias em valores.

Impactos e próximos passos
As associações afirmam que a suspensão imediata pode gerar insegurança jurídica. Além disso, sustentam que a medida pode afetar a estrutura das carreiras consideradas típicas de Estado.
Por outro lado, a decisão do STF ainda será analisada no curso do processo. O pedido de ingresso das entidades será apreciado pela Corte. Até lá, o tema permanece sob debate no Supremo.
Enfim, o caso envolve discussão sobre legalidade, alcance da decisão e organização das carreiras públicas. A análise do STF deverá definir os próximos desdobramentos sobre o pagamento dos auxílios e gratificações no serviço público.