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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
Julgamento de Marielle

Moraes afirma que irmãos Brazão foram mandantes do assassinato de Marielle

Durante o segundo dia do julgamento dos mandantes do assassinato de Marielle Franco, a mãe da vereadora, Marinete da Silva, passou mal ao acompanhar o voto do relator Alexandre de Moraes

Paula Costapor Paula Costa em 25 de fevereiro de 2026
Marielle
Relator do caso, Alexandre de Moraes considerou que provas confirmam participação dos acusados. Ainda votam Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. Crédito: STF.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quarta-feira (25) para condenar os irmãos Chiquinho Brazão e Domingos Brazão por planejar e mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro. A mãe da vereadora, Marinete da Silva, passou mal no plenário da Primeira Turma e precisou ser atendida por socorristas, após acompanhar a sessão presidida por Moraes, relator do processo. O episódio ocorreu enquanto a Corte analisava um dos casos mais emblemáticos da história recente da política brasileira, marcado por denúncias de envolvimento de milícias e motivação política.

Marinete deixou o plenário por volta das 10h, acompanhada da filha, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, visivelmente abalada. Ela foi encaminhada a uma sala de apoio, onde recebeu atendimento médico. A suspeita inicial foi de pico de pressão. A família solicitou privacidade e pediu que não fossem feitos registros do momento. Cerca de 20 minutos depois, os familiares retornaram à sessão.

O julgamento foi retomado pela Primeira Turma com a continuidade do voto do relator, ministro Alexandre de Moraes. Logo no início, o magistrado rejeitou todas as questões preliminares apresentadas pelas defesas, que buscavam anular o processo por supostos vícios técnicos. “Desde logo, afasto as preliminares de incompetência do STF, de inépcia da inicial, de inexistência de justa causa e de nulidade da colaboração premiada”, afirmou.

Ao longo do voto, Moraes reforçou que o assassinato de Marielle teve motivação política associada a práticas típicas de milícias, incluindo ações para eliminar adversários e garantir o controle territorial e eleitoral. Segundo o ministro, o crime foi marcado por misoginia, racismo e intolerância. “Se juntou a questão política com misoginia, racismo e discriminação. Marielle era uma mulher preta, pobre, que enfrentava os interesses dos milicianos. Na cabeça misógina dos executores, quem iria ligar para isso?”, declarou.

O relator também destacou que os envolvidos não imaginavam a repercussão nacional e internacional do crime. “Eles acreditavam que não haveria consequências. Não esperavam tamanha repercussão, que acabou revelando uma série de execuções”, completou.

Moraes reforçou ainda a tese de que a denúncia da Procuradoria-Geral da República se sustentaria apenas na delação premiada de Ronnie Lessa, apontado como executor. Segundo ele, as informações foram confirmadas por testemunhos e provas técnicas produzidas principalmente pela Polícia Federal. “Os dados da colaboração foram corroborados por provas técnicas e testemunhais. As evidências são coerentes, especialmente sobre a promessa de terreno como pagamento e a posição de comando”, explicou.

De acordo com o ministro, a investigação revelou que o crime teve como objetivo afastar Marielle da cena política e preservar os interesses econômicos ligados ao loteamento clandestino em áreas dominadas por milícias. “A motivação era eliminar a oposição e manter os negócios. Parte da área seria dada como pagamento. Há conexão direta entre o crime, a forma de remuneração e a influência política dos irmãos Brazão”, afirmou.

No voto, Moraes sustentou que os irmãos Brazão e Robson Fonseca integravam uma organização criminosa estruturada, voltada à obtenção de lucro, à lavagem de dinheiro e à formação de redutos eleitorais. “Não se tratava apenas de enriquecimento ilícito, mas de afastar adversários e garantir a perpetuação do poder por meio da violência”, destacou.

O relator classificou as provas como “harmônicas e convergentes” e afirmou que não há dúvida razoável sobre a relação dos réus com atividades milicianas no Rio de Janeiro. “Eles não tinham apenas contato com milícias. Eles eram a milícia”, declarou.

Após a conclusão do voto de Alexandre de Moraes, o julgamento segue com as manifestações dos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e do presidente da Primeira Turma, Flávio Dino. A expectativa é de que a análise do caso avance nos próximos dias, em um processo que simboliza a cobrança por justiça, responsabilização política e combate ao crime organizado no país.

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