Furto de celulares cresce e golpe do pix acende alerta

Criminosos limpam contas bancárias, fazem empréstimos em nome das vítimas

Postado em: 04-07-2022 às 08h00
Por: Maria Paula Borges
Criminosos limpam contas bancárias, fazem empréstimos em nome das vítimas | Foto: Reprodução

Os crimes de estelionato eletrônico, furtos e roubos de celulares no Brasil, segundo os dados reunidos pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados na última terça-feira (28/06). Conforme os dados, em 2021, Goiás registrou a variação de 121,2% para roubos de celulares, -24,1% para furtos de celulares, 9,4% para roubos e furtos de celulares, e para estelionato em fraude eletrônica foi registrada 2.589,1%.

Em relação aos roubos de celulares, de 2020 até 2021, o número de registros sofreu queda de 4.141 no Estado. Entretanto, desde 2018 até o ano passado, a quantidade aumentou em 7.423, registrando variação de 121,2%. 

Já em relação aos furtos, em 2021 foram registrados 14.973, com taxa de 207,8%. Quando comparados as quantidades desde 2018 até o ano passado, o número caiu, com variação de -24,1%. Entretanto, recentemente em um único dia foi registrado um alto nível de furtos. No dia 5 de junho durante o show da dupla Henrique e Juliano, em que, após o evento, um homem foi preso por ter furtado 80 celulares.  

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A popularização da ferramenta Pix foi um fator que respingou no aumento de roubos e furtos de celulares, trazendo ainda mais prejuízo para as vítimas. A utilização do meio, reconhecido pelo Banco Central, facilita as transações bancárias em tempo real, em que é necessário apenas adicionar uma chave, senha ou usuário para realizar a transação, e repassar o dinheiro, fazendo com que roubos e furtos sejam frequentemente precedidos de desvios de dinheiro.

Estelionato digital

Ao longo do último ano, os crimes de estelionato dispararam. Os dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública notificaram 1.265.073 casos, com alta de 36% em comparação com 927.898 ocorrências em 2020. Ao analisar apenas golpes por meios eletrônicos, o número é ainda maior, com 74,5%, passando de 34.713 para 60.519.

São diversas as estratégias utilizadas por criminosos para cometer o golpe, sendo as principais as clonagens de WhatsApp, utilização de perfis falsos nas redes sociais, além de hackear perfis para comercializar falsos produtos. Com a popularização e maior adesão ao Pix, pagamento instantâneo adotado pelo Banco Central (BC), os golpes ficaram ainda mais fáceis. 

Apesar do aumento de golpes virtuais, ainda é um crime subnotificado, sem haver padronização para registro das ocorrências. Além disso, as estruturas policiais ainda não são capazes de investigar volume e variedade dos golpes. 

Grande quantidade dos perfis utilizados para estelionato digital são no Instagram, em que podem ser usados perfis já existentes ou até mesmo criar uma conta apenas com essa finalidade. Em entrevista ao O Hoje, tratada na reportagem como ‘J’, relata que foi vítima do golpe. “Uma amiga minha postou que estava vendendo um micro-ondas pelos Stories e estava assustadoramente barato, então nem pensei duas vezes, até porque era minha amiga. Ela me passou os dados e fiz o Pix, mas quando mandei o comprovante para ela no WhatsApp ela ficou confusa sobre o que era aquilo. Quando contei para ela, descobri que era golpe”, afirma.   

Ela ainda relatou que, após o golpe, se sentiu mal com o prejuízo. “Me senti péssima, tive crise de ansiedade. Foi um valor baixo para um eletrodoméstico, mas alto demais para ter prejuízo financeiro. A gente trabalha todo dia para ter nosso dinheiro e comprar o que queremos para chegar alguém e tirar tão fácil”. 

Pelo WhatsApp o golpe também utiliza da confiança dos usuários. É comum que os golpistas utilizem a foto de uma pessoa e chegue até os conhecidos dizendo que mudou de número e solicitam dinheiro por alguma necessidade. Outra fonte, que será tratada como ‘P’, relata que teve sua foto utilizada para pedir dinheiro. “Não sei como, mas conseguiram o contato da minha mãe e da minha irmã. Chegaram nelas pedindo dinheiro para trocar de celular e dizendo que eu tinha trocado meu número. Graças a popularização de casos sendo relatados, elas me mandaram print na hora e eu tive tempo de avisar aos meus amigos e conhecidos”, relata. 

Como se prevenir de golpes

Um golpe que tem preocupado as autoridades de segurança pública e tirado o sono de muitos cidadãos é o roubo de celular para limpar as contas bancárias. Com o acesso aos aplicativos e ao chip do celular, os criminosos conseguem realizar login em aplicativos, trocar senhas de redes sociais, e-mails e até dos app de banco. Além de transferências e pagamentos indevidos, os fraudadores aproveitam a oportunidade para fazer empréstimos em seu nome, usar o cartão de crédito para golpes na compra online, entre outros.

Os roubos em vias públicas ou no trânsito facilitam essa prática. Os criminosos escolhem vítimas que estão mexendo no celular, dessa forma eles têm acesso ao aparelho já desbloqueado, o que facilita o trabalho, pois permite buscar as senhas ou dados pessoais armazenados pelos próprios usuários no smartphone, sites e e-mail para tentar entrar nos aplicativos de bancos e limpar o dinheiro das contas das vítimas ou fazer empréstimos.

Cuidados com as configurações do celular são fundamentais para evitar os golpes. Os aparelhos guardam muitas informações que podem permitir que os criminosos tenham acesso a tudo que precisam. 

  • Use sempre uma configuração de bloqueio da tela de início do celular e opte pela opção de bloqueio automático mais rápida (30 segundos, por exemplo);
  • Mantenha o sistema operacional do celular atualizado e verifique sempre se há atualizações de aplicativos pendentes;
  • Nunca utilize o recurso de “lembrar/salvar senha” em navegadores e sites;
  • Jamais anote senhas em blocos de notas, e-mails, mensagens de WhatsApp ou outros locais do celular;
  • Procure usar senhas fortes e não repetir o código de acesso ao seu banco para uso em outros aplicativos, e-mail ou sites de compras;
  • Utilize ferramentas de segurança adicionais como biometria, reconhecimento facial e dupla autenticação (a segunda senha) em apps e também no e-mail;
  • Nas configurações do aparelho, desative as notificações e funções que são exibidas independentemente do bloqueio de tela inicial;
  • Coloque um PIN também no chip do celular. Dessa forma, se o aparelho for reiniciado, será necessário inserir o código pessoal para uso da linha e envio e recebimento de SMS.

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