Alta do milho preocupa produtores de aves e suínos

Postado em: 02-04-2016 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Aumento pressiona os custos de produção de aves e suínos, já que o grão pode corresponder a até 70% do total dos custos

Responsável por 70 a 80% da composição da ração animal, o milho tem trazido preocupação para os produtores de aves e suínos. A alta do preço do grão no comércio brasileiro e a diminuição dos estoques públicos nas regiões consumidoras impulsionaram as cadeias produtivas a discutir medidas emergenciais para abastecer o mercado com preços acessíveis e, assim, reduzir prejuízos.

A melhoria no programa de venda do milho balcão, a utilização de instrumentos governamentais para o escoamento dos excedentes do grão das regiões produtoras e a desoneração de PIS e COFINS para importação de outros países estão entre as principais medidas discutidas pela Comissão Nacional de Aves e Suínos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), durante reunião, nesta semana.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), entre janeiro e fevereiro deste ano, o Brasil exportou 9,8 milhões de toneladas de milho, mais que o dobro do embarcado no mesmo período de 2015, quando acumulou 4,2 milhões de toneladas. Essa alta, somada à desvalorização do real frente ao dólar, pressiona os custos de produção de aves e suínos, já que o grão pode impactar 70% no total dos custos.

Enquanto o setor produtivo de milho se redesenhou, investindo em produtores capacitados, armazéns próprios nas propriedades e desenvolvendo a infraestrutura logística para escoamento da safra de Mato Grosso para fora do país pelo Arco Norte, a produção independente de aves e suínos pouco se atentou a mecanismos de proteção de mercado para seus principais insumos, o milho e a soja. “Por conta disso, alguns produtores brasileiros vêm importando o milho de países vizinhos, mas para tanto, precisamos nos certificar dos impactos das medidas para desonerar os tributos PIS e COFINS e aliviar, de fato, o bolso do produtor”, explicou o presidente da Comissão e  presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (FAPE/DF), Renato Simplício. 

Alternativa para manter fluxo 

Os membros da Comissão Nacional de Aves e Suínos também discutiram as regras de compartimentação da produção, de acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Para o diretor de produção da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ariel Mendes, também presente no debate, a compartimentação da avicultura e suinocultura pode ser uma alternativa para garantir o fluxo do comércio exterior de carnes e material genético. “O compartimento permite a divisão de cada núcleo de produção, estabelecendo o rastreamento sanitário pleno e alcançando gestões mais rápidas em caso de surtos sanitários”, afirmou Mendes.

O Programa de Compartimentação foi criado pela OIE em 2006, mas só começou a ser desenvolvido em 2008, com o Brasil saindo na frente, investindo em projetos pilotos. Trata-se de um modelo, no qual todos os elos que compõem uma cadeia industrial são isolados de doenças, por meio de medidas rigorosas de biosseguridade e monitoramento criterioso para garantir o status sanitário daquele compartimento. “Seria uma alternativa para as empresas não serem afetadas por restrições de mercado impostas por outros países, caso ocorra surtos de doenças. O problema é que, além de serem elevados os custos para sua implantação, existe a sobreposição de frigoríficos e a alta eficiência do Serviço de Vigilância Oficial (SVO)”, destacou o assessor técnico da Comissão Nacional de Aves e Suínos da CNA, Victor Ayres.

Imagem: Karine Viana/Fotos Públicas

 

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