Dados do BC apontam que Open Banking atinge 1 milhão de autorizações em 4 meses

Sistema de compartilhamento de dados financeiros foi lançado no início de 2021 e é supervisionado pelo Banco Central

Postado em: 18-12-2021 às 14h00
Por: Maria Paula Borges
Sistema de compartilhamento de dados financeiros foi lançado no início de 2021 e é supervisionado pelo Banco Central | Foto: Reprodução

O open banking (na tradução literal para o português, banco aberto), conjunto de regras sobre o uso e compartilhamento de dados e informações financeiras entre instituições, registrou, nos primeiros quatro meses de compartilhamento “em torno de 1 milhão de consentimentos para compartilhamento de dados”. A informação foi fornecida pelo Banco Central (BC).

O sistema de compartilhamento de dados financeiros foi lançado no início de 2021 e é supervisionado pelo próprio Banco Central. O open banking chegou para a população de forma efetiva apenas em agosto deste ano. 

A quarta e última fase de implementação do open banking entra em vigor nesta quarta-feira (15/12). Dessa forma, as instituições financeiras poderão compartilhar dados de produtos relacionados a investimentos, dólar, seguros e previdência.

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Segundo o Banco Central, ainda não é possível dizer que 1 milhão de brasileiros já aderiram ao sistema, uma vez que o número de autorizações para compartilhamentos de dados autorizados pode incluir mais de um consentimento do mesmo cliente. Portanto, até o momento poucos brasileiros aderiram ao open banking, mas o BC afirma que os números estão dentro do esperado e “superam o quantitativo visto” em outros países se analisado o mesmo período de implementação.

Em nota ao G1, o Banco Central afirmou que acreditam que os números vão evoluir. “Com o início da fase de compartilhamento de serviços de iniciação do pagamento e o surgimento de novos serviços e modelos de negócios nos trilhos do open banking, acreditamos que esses números continuarão a evoluir de forma sustentada”, informou.

A promessa do open banking é estimular a competitividade e beneficiar os consumidores com ofertas de novos produtos e serviços financeiros. Vale lembrar que qualquer compartilhamento de dados só pode ser feito mediante autorização expressa do cliente. Na autorização o usuário decide que dados são compartilhados, com quem e por quanto tempo. 

Adesão 

Mais de 700 instituições são autorizadas pelo Banco Central para participar do sistema, atualmente. As diferentes instituições financeiras, em uma plataforma integrada e segura, podem compartilhar dados de clientes, além de se conectar para oferecer serviços como o de iniciação de transação de pagamento. 

De acordo com o Banco Central, aproximadamente 51 milhões de conexões entre instituições financeiras ou com empresas desenvolvedoras de soluções e modelos de negócio já foram realizadas desde o início do open banking. O número de chamadas de Application Programming Interfaces (APIs, em português, Interface de Programação de Aplicações) vem apresentando aumento todos os meses. Em outubro eram 5,4 milhões, saltando para 12,7 milhões em novembro. 

Mesmo com a baixa adesão de brasileiros até o momento, as autoridades acreditam e afirmam que o open banking deve ser visto com um projeto de médio a longo prazo. Além disso, os potenciais ganhos para o consumidor serão concretizados com a “evolução natural do ecossistema” e oferta de novos serviços e produtos customizados.

Segundo o BC, já existem iniciativas de agregação e comparação de dados abertos. “Já existem iniciativas, ainda incipientes, de agregação e comparação dos dados abertos. Além disso, temos visto aprimoramento nos processos de análise de crédito e de onboarding de clientes, bem como soluções de aconselhamento financeiro, processos que as instituições ainda estão aperfeiçoando. Também já temos iniciadores de pagamento autorizados e outros com pleto em análise pelo regulador”, informou. 

Última fase

Na quarta e última fase, o compartilhamento de dados de produtos como investimento, câmbio, seguros e previdência complementar entre as instituições começará. Assim, a partir de quarta-feira (15/12), as instituições poderão compartilhar informações de produtos e serviços ofertados, sem envolver dados de clientes. Já a partir do dia 31 de maio de 2022, dados financeiros pessoais do usuário que envolvam câmbio, investimentos, seguros e previdência complementar aberta poderão fazer parte do sistema, mediante autorização do usuário.

Durante a primeira etapa, as instituições começaram a iniciar as trocas de informações cadastrais dos clientes e dados pessoais. Posteriormente, na segunda etapa, aconteceu a troca de informações relacionadas a contas de movimentação e informações de operações de crédito e cartões de crédito. 

Na terceira etapa, implementada desde o dia 29 de outubro, passou a permitir que o cliente inicie pagamentos de contas e transferências bancárias fora do internet banking ou do aplicativo do banco, por meio de um aplicativo intermediário e transferência por PIX.

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a quarta fase acontecerá em duas etapas. “A partir de dezembro, as instituições poderão compartilhar informações de produtos e serviços ofertados, não envolvendo dados de clientes. Dados financeiros pessoais do usuário que envolvam câmbio, investimentos, seguros e previdência complementar aberta entrarão no open banking no ano que vem”, explica.

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