Setor Imobiliário encerra 2021 com saldo positivo

Número de concessões de empréstimos para compra da casa nova bate recorde

Postado em: 15-01-2022 às 14h00
Por: Igor Afonso
Número de concessões de empréstimos para compra da casa nova bate recorde | Foto: Reprodução

O Produto Interno Bruto (PIB) da Construção Civil cresceu 3,9% no terceiro trimestre de 2021 em comparação com o segundo trimestre, apresentando o melhor desempenho da Indústria, de acordo com relatório divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro. No acumulado do ano passado, o PIB da Construção subiu 8,8% enquanto o nacional apresentou crescimento de 5,7%. Esses números demonstram que, assim como ocorreu em 2020, o mercado imobiliário seguiu em alta mesmo com a pandemia de Covid-19 acontecendo.

A pandemia, a inflação, a alta de juros e o aumento do custo da construção foram alguns dos desafios enfrentados pelo mercado imobiliário, mas eles não foram suficientes para frear o avanço do setor. Segundo estimativa da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Rio de Janeiro (Ademi-RJ),o valor Geral de Vendas (VGV) no Brasil deve chegar a R$ 99 bilhões em 2022, um crescimento de 12% em comparação com 2020.

Outro número que demonstra que 2021 foi um ano histórico para o mercado imobiliário brasileiro é o de concessões de novos empréstimos para a compra da casa própria por pessoas físicas, que bateu um novo recorde. Segundo dados do Banco Central, até outubro já eram R$ 152,8 bilhões, o que superou todo o ano de 2014 com R$ 134,8 bilhões, até então o maior patamar de empréstimos imobiliários já realizados. De janeiro a outubro, mais de 284 mil novas vagas no setor, no período de janeiro a outubro de 2021, segundo relatório da Brain Inteligência Estratégica. De acordo com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) o PIB do setor subiu de 2,5% para 4% em 2021.

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Em âmbito regional, o setor imobiliário de Goiânia e Aparecida de Goiânia viveu um de seus melhores momentos da história. Até setembro de 2021, vendeu 50% a mais de imóveis – 7.775 – em comparação com o mesmo período de 2020 – 5.168 -, um recorde desde o ano de 2014, analisando o período de nove meses. 

Em volume de lançamentos, os nove primeiros meses de 2021 foram suficientes para quase superar todo o ano de 2020: foram 7.760 unidades ante 7.879. Em paralelo, o volume de distratos foi o mais baixo dos últimos sete anos (685). De acordo com a pesquisa realizada pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), a valorização dos imóveis chegou à casa dos 40%.

Em Goiânia, um exemplo desse setor que tem se destacado é a Opus Incorporadora, que apresentou crescimento 20% maior em 2021 quando comparado ao ano anterior. “Em 2021 tivemos cinco lançamentos, entre comerciais e residenciais, sendo um a mais que em 2020, mostrando a diversificação do nosso portfólio, tanto em tipologia, quanto localização e público-alvo. Esses são alguns dos motivos do recorde de VGV (Valor Geral de Vendas)”, destaca o diretor da empresa, Dener Justino.

Em previsão para o mercado em 2022, o especialista em desenvolvimento imobiliário Cleberson Marques pontua que “O mercado imobiliário, assim como o mercado financeiro, é feito de confiança. Teremos um ano de eleições, Copa do Mundo, ainda em meio às novas cepas da Covid-19, o que irá causar insegurança no incorporador e, consequentemente, uma produção mais regulada. O crédito também vai ficar mais caro, em razão da alta da Selic, o que irá atrapalhar o consumo. Ainda assim, a demanda por imóveis continua latente e quem aproveitar essa lacuna em meio a essa movimentação econômica vai terminar 2022 muito bem”.

Financiamentos

De acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) realizada pela Brain Inteligência Estratégica, no acumulado de 12 meses, entre outubro de 2020 e setembro de 2021, o montante de financiamentos no país somou cerca de R$ 200 bilhões, uma alta de 94,5% em relação ao período anterior. Somente no terceiro trimestre de 2021, o montante financiado somou R$ 57,64 bilhões, alta de 62,6%.

Guilherme Feitosa realizou o sonho de comprar o apartamento próprio em Goiânia no fim de 2021 e explica que o financiamento foi um grande trunfo. “Eu estava pronto para dar uma entrada no apartamento que eu queria no início de 2020, mas com a chegada da pandemia não me senti confiante para investir, até porque eu não sabia se ia continuar no meu emprego. Agora com o avanço da vacinação e a retomada da economia, me senti confiante de novo. O financiamento me ajudou e agora é só alegria, já estou no meu cantinho”, explica.

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