Caiado e o desafio de recuperar o agronegócio

Se ainda há tempo de estancar a sangria, só o tempo dirá. Ciente dos eventuais prejuízos, governador recorre ao passado para consertar o presente e garantir o futuro

Postado em: 13-05-2022 às 08h51
Por: Felipe Cardoso
Se ainda há tempo de estancar a sangria, só o tempo dirá. Ciente dos eventuais prejuízos, governador recorre ao passado para consertar o presente e garantir o futuro | Foto: Reprodução

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), tem como uma de suas principais missões a recuperação do agronegócio goiano. Conhecido historicamente por figurar como um político das causas ruralistas, o governador parece, agora, ter perdido seu principal segmento. 

Caiado sempre esteve ao lado desse setor e lutou incansavelmente pelas principais causas do grupo ao longo de sua trajetória de vida pública. Foi lançado aos postos de deputado e senador, por exemplo, por empunhar essa bandeira. 

Três segmentos costumam ter uma representação de peso nos espaços de decisão e poder do País — leia-se: a bancada popularmente conhecida como BBB, ou seja, da Bala, do Boi e da Bíblia. Sem dúvidas, o segundo deles é o mais tradicional, haja vista que foi o primeiro a ocupar lugar de destaque em um Brasil predominantemente ruralista.

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Acontece que nos últimos tempos, a cabeça do eleitor tem se transformado. Em especial do público ligados ao agro, sobretudo quando o assunto envolve o nome do governador.  Isso porque Caiado parece ter conseguido o inimaginável: se distanciar de suas origens. 

No começo do seu mandato como governador goiano, muitas expectativas foram criadas acerca daquele que se elegeu ao lado do presidente Jair Bolsonaro. O alinhamento era nato. Tinha tudo para dar certo, mas deu errado.

A chegada da pandemia é avaliada, nos bastidores, como fator crucial para a cisão dos gestores. Enquanto o gestor estadual decidiu se travestir de um discurso mais urbanizado, com foco na saúde, Bolsonaro, por sua vez, mirou a economia e saiu em defesa do segmento que, por óbvio, não parou: o agro. 

A partir das declarações energizadas do governador contra o presidente, o segmento se viu obrigado a tomar um lado. E decidiram por Bolsonaro. Agora, a voz do agro tem se mostrado cada vez mais intensa. Vale lembrar que durante a passagem de Caiado por Rio Verde, Região Sudoeste do Estado, o movimento marcou posição. Bolsonaro, ao falar, foi aplaudido. Caiado, por sua vez, vaiado. 

O governador até tentou reconquistar espaço. Ele disse, mesmo sob vaias, que luta pelo segmento desde 1986 e lembrou de sua candidatura à presidência em 1989. Direcionado ao presidente, ainda acrescentou: “Vossa Excelência podia fazer um favor a mim aqui: avisar e exatamente informar aos desinformados que em 1989 ninguém tinha coragem de ser candidato a presidente para defender produtor rural”.

Mas não colou. E mais vaias vieram. Depois, em outras aparições pelo Estado, as vaias se repetiram. Fato é que o governador segue com a liderança, especialmente com a classe média rural, seu grande capital político, abalada. Agora, o que se vê são aparições do gestor montado a cavalo em eventos estratégicos. No fundo, ele sabe que o segmento desequilibra um eventual segundo turno nas eleições que se aproximam. 

Se ainda há tempo de estancar a sangria, só o tempo dirá. Ao que tudo indica, todavia, é que Bolsonaro e Caiado estarão mesmo em lados opostos em um eventual segundo turno em Goiás. Ciente dos eventuais prejuízos que a debandada pode trazer, o governador recorre ao passado para consertar o presente e garantir o futuro. Resta saber o quanto é capaz de ceder.

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