Brasil exporta R$ 1,9 bi em sacas de café solúvel no 1º semestre

No entanto, em relação ao volume, o mercado atual apresenta uma queda de 2,2%.

Postado em: 23-07-2022 às 09h49
Por: Ana Bárbara Quêtto
No entanto, em relação ao volume, o mercado atual apresenta uma queda de 2,2%. | Foto: Reprodução

No primeiro semestre deste ano, o Brasil exportou US$ 323,501 milhões – cerca de R$ 1,873 bilhões – em sacas de 60 kg de café solúvel, segundo relatório da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O valor corresponde a um aumento de 34,6% em comparação ao mesmo período de 2021 (US$ 240,426 milhões).  

No entanto, em relação ao volume, o mercado atual apresenta uma queda de 2,2%. Para o diretor de Relações Institucionais da Abics, Aguinaldo Lima, a performance, até agora, surpreende em volume, uma vez que recuou pouco diante das expectativas.  

“O resultado aferido no primeiro semestre é interessante diante da crise logística no comércio marítimo global e dos mais de quatro meses de conflito entre Rússia e Ucrânia”, comenta no documento publicado na sexta-feira (15) da semana passada.  

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Assim, os brasileiros consumiram o equivalente a 478.998 sacas. De acordo com Aguinaldo, “a guerra fez com que as importações russas e ucranianas de café solúvel do Brasil caíssem, juntas, quase 126 mil sacas, potencializando um declínio previsto”.  

“Em contrapartida, as indústrias brasileiras ampliaram, de 45% a até 534%, suas vendas a outros 24 mercados, com destaque para Mianmar, Canadá, Reino Unido e Colômbia, que figuram entre os 10 principais destinos do produto nesses seis meses”, destacou 

Lima também acrescentou que, apesar da atividade acima da esperada, a continuidade dos altos custos da matéria-prima faz com que o segmento permaneça apreensivo e preocupado, além dos impactos da guerra e dificuldades logísticas enfrentadas pelo mercado cafeeiro.  

“A apreensão aumenta quanto ao desempenho do segundo semestre, pois são vendas efetivadas no fim de 2021 e início de 2022, que incorporam os custos maiores dos cafés robusta e arábica, com impacto direto na competitividade internacional de nossos produtos”, explicou.  

“Não há um cenário nítido para o futuro sobre logística, custos e guerra. Precisamos seguir monitorando constantemente e procurando soluções para mitigar os significativos impactos disso tudo”, analisou.  

O diretor ainda reforçou o desempenho dos embarcamentos para a China. “De janeiro ao fim de junho, o país asiático adquiriu 14.575 sacas do produto, apresentando um crescimento de 148,3% frente ao primeiro semestre de 2021”, ressaltou.  

No início de 2022, o País exportou cafés solúveis a 104 nações, tendo os Estados Unidos como o principal comprador. Os norte-americanos importaram 386.015 sacas até o fim de junho, representando 20,6% do total.  

Na sequência, aparecem Argentina, com 154.137 sacas (8,2%); Indonésia, com 136.755 (7,3%); e Japão, com 94.688 (5,1%). Já a China, mencionada pelo diretor da Abics, aparece na 28ª posição do ranking dos principais parceiros e vem ampliando suas importações do solúvel brasileiro. 

Os tipos de café produzidos no Brasil 

O Brasil é o maior produtor de café no mundo e produz, então, dois tipos de café: o arábica e robusta (Conilon), que é usado na indústria de café solúvel. Em 2021, o grão do tipo arábica teve uma fabricação de 32,05 milhões, já o Conilon totalizou cerca de 11,19 milhões de sacas.  

O café arábica é considerado gourmet, pois seus grãos – se forem 100% do tipo Coffea arábica – trazem aroma e doçura intensos. Além de variações em acidez, corpo e sabor, dependendo da mistura.  

Ele também pode ser considerado especial por ter 50% menos cafeína que o café Robusta. A espécie é originária da Etiópia e foi um dos primeiros tipos de café a ser produzido no Brasil. A manufatura está concentrada em Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Bahia.  

Diferente da classe arábica, o grão Robusta é mais comercializado no mercado popular. Porém, seu cultivo é menos complexo e de fácil manejo. Sem contar que são mais resistentes a parasitas.  

Por isso, sua produtividade é superior ao arábica, mas com valor inferior, devido, também, à sua colheita não seletiva. Além de que, é comercializado moído (em pó), o que desvaloriza ainda mais, já que impede a conferência de qualidade. (Especial para O Hoje) 

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