Chocolate e pele: mitos e verdades sobre as espinhas

Postado em: 27-03-2018 às 06h00
De acordo com o presidente da SBD-GO, Adriano Loyola, o chocolate não é o culpado pela produção exagerada de sebo, e sim a ingestão em excesso de suas variações mais gordurosas

A Páscoa está chegando e, com ela, inevitavelmente vêm os chocolates e questionamentos como: “Chocolate faz mal à saúde? E como fica a pele? Mesmo se eu comer pouca quantidade, terei espinhas? E o quadro se agrava em quem tem acne? De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Goiás (SBD-GO), Adriano Loyola, o chocolate é considerado, por muitos, o “culpado pelo surgimento da acne”. No entanto, segundo ele, a única ligação entre a produção exagerada de sebo e o alimento é a ingestão em excesso de suas variações mais gordurosas. “Na verdade, o que pode contribuir para o aparecimento de espinhas são os componentes utilizados para deixar o chocolate mais açucarado. O cacau, em si, não tem relação com o aumento da acne”, esclarece.

De acordo com o dermatologista, o consumo excessivo de chocolate pode agravar as espinhas se ele contiver muito açúcar e leite. “São dois alimentos que favorecem a produção de sebo pelas glândulas sebáceas, levando ao aumento da oleosidade da pele e ao aparecimento da acne”, explica Loyola, que completa: “A piora dessas espinhas, devido à alimentação, é mais frequente na adolescência e no início da juventude, especialmente porque as alterações hormonais dessa fase da vida também estimulam a oleosidade da pele, principalmente no período pré-menstrual para as mulheres”.

Apesar de ovos de Páscoa, barras, caixas de bombom e trufas parecerem irresistíveis, o especialista garante: “É possível comer o doce sem sofrer com a oleosidade excessiva da pele e ainda promover benefícios para o organismo”.

Açúcar X espinhas

O cacau, principal ingrediente do chocolate, aparentemente não estimula o desenvolvimento da acne, conforme mostram estudos clínicos que compararam pessoas que ingeriram barras de chocolate contendo a substânciacom quem que recebeu barras com a mesma composição de açúcares e gorduras, mas sem o cacau. “Nesses casos, não houve diferença significativa entre os grupos no que diz respeito ao surgimento de acne. Dessa forma, especialistas afirmam que os dados científicos disponíveis, atualmente, são insuficientes para comprovar a correlação causal entre o chocolate e as espinhas”, diz Loyola.

“O chocolate possui altos índices glicêmicos. O resultado disso é que a glicose chega ao sangue, rapidamente, e estimula um pico de insulina, responsável por levar o açúcar para dentro da célula. É esse pico que pode agravar a acne em pacientes com predisposição para o quadro”, esclarece Loyola, lembrando que isso pode acontecer com qualquer alimento que possua índices glicêmicos elevados – carboidratos, açúcares, leites, frituras, sorvetes, bolos, etc.

Benefícios do chocolate

O presidente da SBD-GO explica as diferenças entre os tipos de chocolate: “O chocolate branco não tem cacau, mas tem mais açúcar e gordura; o chocolate ao leite é o mais comum e tem alguma quantidade de cacau, leite e açúcar; o meio amargo possui de 40 a 55% de cacau, pouca quantidade de manteiga de cacau e açúcar; o chocolate negro ou amargo é o que tem mais cacau, entre 60 a 85%, e menos açúcar e gordura. Portanto, quanto mais cacau o chocolate tiver, mais benefícios haverá para a saúde”.

Assim, segundo Loyola, o melhor chocolate para a saúde é o chocolate meio amargo, com mais de 70% decacau e pouca quantidade de açúcar, preferencialmente inferior a 10g. “Esse tipo de chocolate apresenta a melhor relação entre a porcentagem de cacau e a quantidade de outros nutrientes – por isso é mais rico em antioxidantes importantes que protegem as células e previnem o envelhecimento precoce e ainda ajudam a diminuir as doenças cardiovasculares e o câncer”. Mas ele alerta quanto ao consumo: “Mesmo o chocolate meio amargo, quando consumido em excesso, pode prejudicar a saúde devido ao acúmulo de gordura, sem falar que a pessoa pode aumentar o peso”.

Mas não para por aí: o cacau, presente no chocolate meio amargo (ou amargo), proporciona mais benefícios importantes à saúde. “Pode combater o colesterol, melhorar a saúde cardíaca, estimular o sistema nervoso central, prevenindo o Alzheimer e a trombose, e até melhorar o humor, dando sensação de bem-estar (por causa do hormônio serotonina)”, diz o dermatologista, que reforça: “Para alcançar esses benefícios não se pode comer em exagero”.

Chocolate, pele e cabelos

Segundo Loyola, o cacau pode trazer benefícios importantes também para a saúde e a beleza da pele e dos cabelos por ser uma rica fonte de nutrientes que ajudam a restaurar, nutrir e hidratar as fibras capilares e da pele. “Esses produtos à base de cacautêm efeito antioxidante, porque o cacau, além de serrico em magnésio, ferro, zinco, vitaminas B6, B3 e C, possui moléculas que agem no organismo, neutralizando os efeitos dos radicais livres, e ainda protege a pele do sol, graças aos seus compostos bioativos, como os flavonoides, que preservam a pele dos danos da radiação UV”, explica o especialista.

O cacau ainda é muito utilizado na composição de produtos de beleza por conter flavonoides que possuem ação antioxidante e anti-inflamatória. “Ele é um excelente aliado para aqueles que desejam combater os sinais do envelhecimento”, finaliza Adriano Loyola. 

Por: Sheyla Sousa
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