Trem-bala Goiânia-Brasília em pauta

Governador apresentou projeto do empreendimento a investidores espanhóis

Postado em: 24-10-2017 às 06h00
Por: Sheyla Sousa
Governador apresentou projeto do empreendimento a investidores espanhóis

ALLAN DAVID

O projeto do trem-bala para ligar Goiânia a Brasília pode sair do papel em 2018. Foi o que sinalizou, nesta segunda-feira (23), o governador Marconi Perillo (PSDB) após reunião em Madri, com investidores espanhóis, a quem apresentou a proposta do empreendimento, calculado em R$ 9,5 bilhões. Se o projeto se materializar, será o primeiro trem de alta velocidade a ligar duas capitais brasileiras. Segundo Marconi e o presidente da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Jorge Bastos, que o acompanhou na Espanha, os investidores europeus deixaram claro o interesse pelo trem de passageiros.

A proposta da União e dos governos de Goiás e do Distrito Federal é de colocar o trem para funcionar através de parceria público-privada (PPP). Por isso, Marconi Perillo argumentou com os empresários espanhóis que a região a ser abrangida pelos trilhos tem potencial e demanda para suprir a oferta do modal, de 200 quilômetros de extensão. Segundo o projeto elaborado pelos governos federal e estadual, a localidade conta com 10 milhões de consumidores e apresenta taxa de crescimento acima da média brasileira. Conforme o governo, Madri endossa a proposta de instalação do trem-bala por meio de PPP.

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O governador Marconi comemorou a repercussão do projeto entre os espanhóis. Na sede da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (CEOE), Marconi disse que “em 2018 o projeto poderá ser licitado e as obras serão iniciadas”. Segundo ele, a busca por recursos da Espanha para a concretização do projeto foi motivada pelos investimentos recentes que o país fez nas linhas de trem de alta velocidade e por sua consequente expertise em obras do tipo. A intenção, de acordo com o governador, é licitar ainda neste ano o projeto executivo do trem.

Estudo de viabilidade do trem-bala feito pela ANTT mostra que ao longo do trecho haverá estações em Goiânia, Anápolis, Abadiânia, Alexânia, Samambaia e Brasília.

Jorge Bastos falou da experiência que o Brasil procura nos espanhóis para implantar o trem de passageiros. “As nossas expectativas são as melhores possíveis. O governo espanhol, na Europa, foi o último a investir muito na tecnologia de alta velocidade e eles têm uma expertise muito grande no setor”, comentou. O presidente da ANTT disse que o momento é “muito propício” para buscar os investimentos dos espanhóis, que, segundo ele, já concluíram a maior parte das obras naquele país.

Embaixador do Brasil na Espanha, Antônio Simões buscou convencer os empresários europeus citando a trajetória de Marconi como político e administrador público. “O governador Marconi Perillo está em seu quarto mandato e liderou uma série de planos e ações que mudaram a economia de Goiás”, frisou. Simões ressaltou as taxas de crescimento da economia goiana nas gestões do tucano.

Julian Nuñes, que é vice-presidente da Comissão de Relações Internacionais da CEOE, viu no potencial econômico de Goiás razões para levar adiante a proposta de parceria na execução do trem-bala. “O PIB de Goiás apresenta uma taxa de crescimento acima da média do Brasil. No último trimestre, o Produto Interno Bruto de Goiás cresceu quatro vezes mais que o nacional, confirmando a tendência de forte expansão da economia do Estado”, argumentou.

Dos R$ 9,5 bilhões estimados para executar a obra, o projeto do governo menciona que R$ 7,5 bilhões serão oriundos da iniciativa privada e R$ 2 bilhões, dos cofres do Estado de Goiás, do Distrito Federal e da União. O contrato da parceria público-privada prevê a concessão por 33 anos. As obras deverão levar três anos para serem concluídas. 

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