terça-feira, 25 de agosto de 2026
Estratégia

Reforma ministerial de Lula beneficia aliados e irrita Centrão

Com Gleisi e, possivelmente, Boulos, presidente dá indícios que os principais cargos no governo serão para aliados próximos

Thiago Borgespor Thiago Borges em
Reforma ministerial de Lula beneficia aliados e irrita Centrão
Foto: Reprodução

Ao que tudo indica, a reforma ministerial no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prometia abrir espaço para o Centrão no alto escalão da Esplanada dos Ministérios, tem tomado rumos diferentes. Com a indefinição dos partidos do bloco, que não decidiram se irão apoiar o presidente em 2026, Lula dá o recado: cargos no alto escalão são só para os aliados próximos.

Desde o início das tratativas da reforma ministerial é discutida uma representação maior para as siglas do Centrão. Porém, com a baixa na popularidade do governo e na incerteza da candidatura à reeleição de Lula – pelo desgaste político e a idade avançada -, os partidos passaram a reconsiderar um apoio ao presidente e acenar para o candidato da oposição.

O bloco busca abertura na Esplanada, mas sem prometer o apoio a Lula em 2026. O Centrão quer a liberdade de escolha no próximo ano. Alguns partidos desejam uma candidatura à direita que seja endossada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas com um perfil moderado que fuja de extremismos.

Sem saber se contará com apoio das legendas centristas, Lula adotou uma nova estratégia. O petista optou por colocar nos cargos de alto escalão só aqueles que ele tem certeza que irão apoiá-lo no próximo ano. Primeiro, o presidente escolheu a deputada e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR) para substituir, o também petista, Alexandre Padilha, que foi realocado para o Ministério da Saúde, na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Agora, os rumores indicam que Lula quer o deputado Guilherme Boulos (Psol-SP) para a Secretaria-Geral da Presidência, no lugar de Márcio Macêdo.

Leia mais: “Zero à esquerda”, diz Caiado sobre governo Lula

O presidente espera que os aliados próximos garantam o diálogo com o Centrão. Hoffmann, que tomará posse da SRI na próxima segunda-feira, 10, já afirmou que irá trabalhar para construir alianças para o ano que vem. “Vou fazer tudo que for possível para garantir 2026, vou buscar essas alianças”, afirmou Gleisi em entrevista para o portal G1. A nova ministra ainda exaltou sua boa relação com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Os rumores de Boulos assumir um ministério desagradou algumas lideranças do Centrão. O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do Progressistas (PP), criticou a possível escolha. Em uma publicação no X (antigo Twitter), Nogueira afirmou que a ida do psolista para a Esplanada “seria a comprovação definitiva de que o governo está sem rumo e sem chão”.

Antes, o mandatário também não poupou críticas à escolha de Lula por Gleisi no comando da SRI. “Só pode haver um motivo para a guinada de Lula na ultrapetizacão do governo, ao invés de ampliar sua base: Lula desistiu do Brasil, dos mais pobres, do povo e quer se eternizar como bottom e camiseta, tipo Che e Fidel. Entre presidir e ser bottom, escolheu ser bottom e camiseta”, escreveu o senador nas redes sociais.

Inclusive, o PP acena para uma saída do governo. O partido ocupa o Ministério do Esporte com André Fufuca. Os congressistas da sigla – 50 deputados e 6 senadores – têm pressionado Ciro para que a legenda deixe a base governista de vez. (Especial para O Hoje)

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