terça-feira, 25 de agosto de 2026
Eleições 2026

Candidatos goianos iniciam campanha com recursos próprios antes do Fundo Eleitoral

Ainda sem acesso aos repasses de fundos públicos, os postulantes iniciaram as agendas eleitorais com os recursos adquiridos via financiamento próprio, vaquinhas e doações

Thiago Borgespor Thiago Borges em
Candidatos goianos iniciam campanha com recursos próprios antes do Fundo Eleitoral
O Fundo Eleitoral terá R$ 4,96 bilhões. A liberação, no entanto, não significa que o dinheiro chega imediatamente aos candidatos | Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Os candidatos goianos que disputam as eleições de outubro iniciaram suas campanhas com recursos alternativos ao Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o Fundo Eleitoral. Ainda sem acesso aos repasses dos recursos públicos de campanha, os postulantes iniciaram as agendas eleitorais com os recursos adquiridos via financiamento próprio, recursos provenientes de vaquinhas eleitorais e doações de pessoas físicas.

Entre os candidatos ao Senado Federal que já iniciaram as prestações de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o deputado federal Gustavo Gayer (PL) é o que reúne o maior aporte. O parlamentar já declarou R$ 242,1 mil em recursos que serão utilizados durante a campanha. Do total, R$ 145,8 mil são provenientes de doações de pessoas físicas, R$ 92,4 mil foram arrecadados por meio de vaquinha eleitoral e R$ 3,8 mil correspondem a recursos próprios.

Na sequência, entre os candidatos ao Senado está Vanderlan Cardoso (PSD), que declarou R$ 100 mil, todo proveniente de recursos próprios. Ernesto Roller (PSDB) aparece com R$ 27,1 mil, sendo R$ 16 mil em doações de pessoas físicas e R$ 11,1 mil do próprio candidato. Gustavo Mendanha (PRD) declarou R$ 20 mil, também integralmente provenientes de recursos próprios, enquanto Zacharias Calil (MDB) registrou R$ 10 mil, igualmente retirados do próprio patrimônio.

Candidatos a deputado

Entre os candidatos à Câmara dos Deputados, os deputados Daniel Agrobom (PSD) e Rubens Otoni (PT) declararam R$ 100 mil e R$ 14 mil em recursos próprios, respectivamente. A deputada Adriana Accorsi (PT), por sua vez, iniciou a campanha com R$ 4.678,13. A maior parte do montante, R$ 4.478,13, foi arrecadada por meio de vaquinha eleitoral, enquanto R$ 200 vieram de doação de pessoa física.

Entre os deputados estaduais, os recursos declarados também apresentam diferentes estratégias de financiamento. Virmondes Cruvinel Filho (União Brasil) é quem tem maior aporte declarado entre os parlamentares da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), com R$ 135 mil, distribuídos em doações de pessoas físicas, recursos próprios e vaquinha eleitoral.

Virmondes e o deputado Amilton Filho (MDB), que aparece com R$ 69 mil provenientes integralmente de doações de pessoas físicas, receberam doações de seus próprios pais, o ex-deputado Virmondes Cruvinel e o ex-vereador de Anápolis Amilton Batista de Faria, respectivamente.

Gustavo Sebba (PSDB) e Rubens Marques (PSB), ambos com R$ 127 mil, e Cairo Salim (MDB), com R$ 100 mil, aparecem entre os parlamentares que mais desembolsaram em recursos próprios.

Bolo do Fundo Eleitoral

O Fundo Eleitoral terá R$ 4,96 bilhões para a disputa deste ano. A liberação, no entanto, não significa que o dinheiro chega imediatamente aos candidatos. Os valores são repassados aos diretórios estaduais, que posteriormente definem a distribuição entre os candidatos conforme os critérios estabelecidos pelas próprias legendas e as regras eleitorais.

Ao O HOJE, o presidente estadual do MDB, Haroldo Naves, avalia que o cenário não representa atraso na distribuição dos recursos, já que “historicamente” o repasse acontece depois do dia 10 de setembro. O mandatário ainda ressalta que, neste ano, os recursos devem ser antecipados para o dia 4 de setembro.

“Logicamente, quanto mais cedo chegar para os deputados, mais facilita a vida, a programação, o planejamento financeiro dos deputados. Mas isso já vem de várias eleições e o partido tem procurado otimizar e agilizar esse repasse. Cada parlamentar já sabe dessa logística, desses prazos, e já tem programado a sua pré-campanha e, no caso agora, a campanha efetivamente”, declarou Naves.

Disputa judicial

Além dos trâmites internos de cada legenda, a ausência dos recursos do Fundo Eleitoral no início da campanha ocorre em meio a uma disputa judicial que chegou a afetar a distribuição de parte dos recursos destinados aos partidos. Uma ação apresentada pelo PT ao TSE questionou o cálculo utilizado para definir a parcela do fundo distribuída de acordo com o tamanho das bancadas na Câmara.

A discussão levou à suspensão temporária da distribuição de 48% do Fundo, montante equivalente a aproximadamente R$ 2,3 bilhões. O processo foi encerrado pelo TSE na última terça-feira (18), após o PT desistir da ação, e a Corte liberou a distribuição dos recursos.

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