Terras raras colocam Goiás no mapa da nova economia da mineração
Mineração fatura R$ 150,7 bilhões no semestre, enquanto terras raras colocam Goiás no radar da indústria de alta tecnologia
A mineração brasileira fechou o primeiro semestre de 2026 com R$ 150,7 bilhões em faturamento, crescimento de 8,2% em relação aos R$ 139,2 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O resultado mostra que, embora o minério de ferro ainda concentre quase metade da receita do setor, a valorização de outros minerais começa a mudar a composição dos negócios e ampliar o interesse por matérias-primas consideradas estratégicas para a indústria.
Os dados são do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O ouro foi um dos principais destaques, com faturamento de R$ 25,3 bilhões, alta de 44,2%. O cobre também avançou: chegou a R$ 20,6 bilhões, crescimento de 41%. Já o minério de ferro recuou 3,1%, para R$ 71,2 bilhões, mas ainda respondeu por 47,2% da receita mineral brasileira.
Ouro e cobre mudam o ritmo do mercado
A valorização das commodities ajudou a explicar o desempenho do primeiro semestre. O preço médio do ouro aumentou 52,9% na comparação anual, enquanto o cobre subiu 38,8%. O ouro costuma ser procurado em momentos de incerteza econômica e geopolítica, enquanto o cobre ganhou importância com a expansão das redes elétricas e das tecnologias relacionadas à transição energética.

Nas exportações, o movimento também foi expressivo. As vendas externas de minerais alcançaram US$ 25,1 bilhões, alta de 24,1%, enquanto o volume exportado chegou a 196,2 milhões de toneladas. O minério de ferro respondeu por 53,6% do valor exportado, mas ouro e cobre apresentaram taxas de crescimento bem superiores.
As exportações de ouro cresceram 69,3%, para US$ 4,6 bilhões. As de cobre avançaram 83,8%, chegando a US$ 3,87 bilhões. O nióbio, outro mineral estratégico para o país, gerou US$ 1,4 bilhão em vendas externas, alta de 13,6%. A China permaneceu como principal destino da produção mineral brasileira. O resultado fez a mineração responder por US$ 20,3 bilhões do superávit da balança comercial brasileira, equivalente a 48% do saldo positivo registrado pelo país no primeiro semestre.
Goiás tenta transformar minerais em indústria
É nesse cenário que Goiás ganha espaço. O Estado tem buscado ampliar a participação na cadeia de minerais estratégicos, especialmente das terras raras, utilizadas na fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias ligadas à transição energética.
Em Minaçu, no Norte goiano, está instalada a Serra Verde, apontada pelo Governo de Goiás como a única planta de terras raras em operação no Brasil e a maior produtora em larga escala de terras raras pesadas fora da Ásia. O Estado afirma ainda que suas reservas representam cerca de 25% da disponibilidade mundial.
O movimento também envolve pesquisa. Em fevereiro, Goiás assinou acordo com a Universidade Federal de Goiás (UFG) para a criação de um Centro de Ciências e Tecnologia Mineral, com investimento previsto de R$ 28 milhões. A proposta é fortalecer pesquisa e desenvolvimento ligados ao processamento mineral.

Terras raras entram na disputa por investimentos
A corrida pelos chamados minerais críticos ajuda a explicar o interesse crescente em Goiás. No Brasil, a carteira de investimentos prevista para a mineração entre 2026 e 2030 soma US$ 76,9 bilhões. Desse total, US$ 21,3 bilhões estão relacionados a minerais críticos, como cobre, níquel, terras raras, grafita, lítio, nióbio e zinco. O valor destinado a essa frente cresceu 15,2% em relação à projeção anterior.
A mudança é relevante para o setor porque aumenta a possibilidade de o país deixar de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima e avançar para etapas de beneficiamento e transformação industrial.
Para Goiás, a oportunidade está justamente nessa cadeia. A existência de reservas e de uma unidade produtora de terras raras coloca o Estado em uma posição favorável para atrair empresas interessadas em processamento, tecnologia e fabricação de produtos de maior valor agregado.
Mineração mantém peso na economia brasileira
Além do faturamento, a mineração gerou R$ 52 bilhões em impostos, tributos e taxas no primeiro semestre, alta de 8,2%. A CFEM, compensação financeira paga pela exploração mineral, somou R$ 3,8 bilhões, crescimento de 3,6%.
O setor também registrava 229.614 empregos diretos em maio, sem incluir petróleo e gás. Entre janeiro e maio, foram criados 421 postos formais na indústria extrativa mineral.
O desempenho reforça a importância econômica da atividade, mas também expõe uma mudança de cenário: o minério de ferro continua sendo a principal fonte de receita, enquanto ouro, cobre, nióbio e terras raras ganham espaço na estratégia de longo prazo.
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