terça-feira, 25 de agosto de 2026
NEGÓCIOS

Terras raras colocam Goiás no mapa da nova economia da mineração

Mineração fatura R$ 150,7 bilhões no semestre, enquanto terras raras colocam Goiás no radar da indústria de alta tecnologia

Otavio Augustopor Otavio Augusto em
Terras raras colocam Goiás no mapa da nova economia da mineração
Divulgação/ ZJ Mineração

A mineração brasileira fechou o primeiro semestre de 2026 com R$ 150,7 bilhões em faturamento, crescimento de 8,2% em relação aos R$ 139,2 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O resultado mostra que, embora o minério de ferro ainda concentre quase metade da receita do setor, a valorização de outros minerais começa a mudar a composição dos negócios e ampliar o interesse por matérias-primas consideradas estratégicas para a indústria.

Os dados são do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). O ouro foi um dos principais destaques, com faturamento de R$ 25,3 bilhões, alta de 44,2%. O cobre também avançou: chegou a R$ 20,6 bilhões, crescimento de 41%. Já o minério de ferro recuou 3,1%, para R$ 71,2 bilhões, mas ainda respondeu por 47,2% da receita mineral brasileira.

Ouro e cobre mudam o ritmo do mercado

A valorização das commodities ajudou a explicar o desempenho do primeiro semestre. O preço médio do ouro aumentou 52,9% na comparação anual, enquanto o cobre subiu 38,8%. O ouro costuma ser procurado em momentos de incerteza econômica e geopolítica, enquanto o cobre ganhou importância com a expansão das redes elétricas e das tecnologias relacionadas à transição energética.

mineração
José Cícero/ Agência Pública

Nas exportações, o movimento também foi expressivo. As vendas externas de minerais alcançaram US$ 25,1 bilhões, alta de 24,1%, enquanto o volume exportado chegou a 196,2 milhões de toneladas. O minério de ferro respondeu por 53,6% do valor exportado, mas ouro e cobre apresentaram taxas de crescimento bem superiores.

As exportações de ouro cresceram 69,3%, para US$ 4,6 bilhões. As de cobre avançaram 83,8%, chegando a US$ 3,87 bilhões. O nióbio, outro mineral estratégico para o país, gerou US$ 1,4 bilhão em vendas externas, alta de 13,6%. A China permaneceu como principal destino da produção mineral brasileira. O resultado fez a mineração responder por US$ 20,3 bilhões do superávit da balança comercial brasileira, equivalente a 48% do saldo positivo registrado pelo país no primeiro semestre.

 

 

 

Goiás tenta transformar minerais em indústria

É nesse cenário que Goiás ganha espaço. O Estado tem buscado ampliar a participação na cadeia de minerais estratégicos, especialmente das terras raras, utilizadas na fabricação de ímãs permanentes, motores elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias ligadas à transição energética.

Em Minaçu, no Norte goiano, está instalada a Serra Verde, apontada pelo Governo de Goiás como a única planta de terras raras em operação no Brasil e a maior produtora em larga escala de terras raras pesadas fora da Ásia. O Estado afirma ainda que suas reservas representam cerca de 25% da disponibilidade mundial.

O movimento também envolve pesquisa. Em fevereiro, Goiás assinou acordo com a Universidade Federal de Goiás (UFG) para a criação de um Centro de Ciências e Tecnologia Mineral, com investimento previsto de R$ 28 milhões. A proposta é fortalecer pesquisa e desenvolvimento ligados ao processamento mineral.

Daniel Mansur/ Vale

Terras raras entram na disputa por investimentos

A corrida pelos chamados minerais críticos ajuda a explicar o interesse crescente em Goiás. No Brasil, a carteira de investimentos prevista para a mineração entre 2026 e 2030 soma US$ 76,9 bilhões. Desse total, US$ 21,3 bilhões estão relacionados a minerais críticos, como cobre, níquel, terras raras, grafita, lítio, nióbio e zinco. O valor destinado a essa frente cresceu 15,2% em relação à projeção anterior.

A mudança é relevante para o setor porque aumenta a possibilidade de o país deixar de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima e avançar para etapas de beneficiamento e transformação industrial.

Para Goiás, a oportunidade está justamente nessa cadeia. A existência de reservas e de uma unidade produtora de terras raras coloca o Estado em uma posição favorável para atrair empresas interessadas em processamento, tecnologia e fabricação de produtos de maior valor agregado.

 

 

 

 

Mineração mantém peso na economia brasileira

Além do faturamento, a mineração gerou R$ 52 bilhões em impostos, tributos e taxas no primeiro semestre, alta de 8,2%. A CFEM, compensação financeira paga pela exploração mineral, somou R$ 3,8 bilhões, crescimento de 3,6%.

O setor também registrava 229.614 empregos diretos em maio, sem incluir petróleo e gás. Entre janeiro e maio, foram criados 421 postos formais na indústria extrativa mineral.

O desempenho reforça a importância econômica da atividade, mas também expõe uma mudança de cenário: o minério de ferro continua sendo a principal fonte de receita, enquanto ouro, cobre, nióbio e terras raras ganham espaço na estratégia de longo prazo.

 

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