domingo, 1 de novembro de 2026
Maternidades

Organizações Sociais estão definidas para assumir maternidades de Goiânia

Os contratos somam R$ 38 milhões para as três OSs e preveem um repasse 40% menor que o feito à Fundahc

Anna Salgadopor em
Instituto Patris, SBSJ e HBB foram escolhidas para administrar as três maternidades públicas da Capita
Foto: Thalita Braga

A Prefeitura de Goiânia oficializou a contratação emergencial de três Organizações Sociais (OSs) para administrar as maternidades públicas da Capital pelos próximos três meses. O valor global empenhado é de R$ 38 milhões, o que representa uma redução de cerca de 40% em relação aos repasses feitos anteriormente à Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), antiga gestora das unidades.

As entidades contratadas são o Instituto Patris, do Mato Grosso, que ficará responsável pelo Hospital e Maternidade Dona Iris (HMDI), com contrato de R$ 16,7 milhões; a Sociedade Beneficente São José (SBSJ), de São Paulo, que assumirá o Hospital Municipal e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), com R$ 15,3 milhões; e a Associação Hospital Beneficente do Brasil (AHBB), também paulista, que passará a gerir a Maternidade Nascer Cidadão (MNC), com repasse de R$ 5,9 milhões.

Os contratos preveem custo mensal de R$ 12,6 milhões, abaixo dos R$ 20,6 milhões que vinham sendo destinados à Fundahc. A Prefeitura tentou renegociar os planos de trabalho para R$ 12,5 milhões e depois R$ 14,4 milhões, mas ambos foram rejeitados pelo Conselho Municipal de Saúde. 

Segundo a Fundahc, isso compromete a prestação de serviços. “Permanecem vigentes os planos de trabalho anteriores, da ordem de R$ 20,6 milhões, com restrições na oferta de serviços devido ao passivo financeiro junto aos fornecedores e prestadores de serviços”, informou a fundação.

Além da redução orçamentária, a Fundahc aponta que a administração municipal acumula dívida de R$ 158,4 milhões com a entidade, dos quais R$ 46,5 milhões se referem a direitos trabalhistas de 1.266 funcionários. Mesmo diante da transição, a instituição afirmou que “permanece empenhada na condução responsável de suas obrigações, lutando diariamente para garantir a continuidade deste serviço essencial de política pública à população goianiense”.

Para operacionalizar a troca de gestão, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) instituiu, por meio da Portaria nº 218/2025, três Comissões Especiais de Transição, Supervisão, Fiscalização e Acompanhamento (CT-OS), uma para cada maternidade. Os grupos terão atuação inicial de 30 dias para elaborar plano de trabalho, realizar inventário patrimonial, mapear contratos e passivos, acompanhar a assistência prestada e emitir relatórios semanais sobre a execução do processo.

As OSs escolhidas têm histórico de atuação no Sistema Único de Saúde (SUS). O Instituto Patris já administra o Hospital Estadual de Luziânia, com contrato de R$ 63 milhões anuais. A SBSJ opera em municípios do interior paulista e em Manaus. A AHBB é ligada à Rede Santa Casa e atua em cidades como Bilac, Itápolis, Garça e Taboão da Serra.

Em meio à transição, o caso das maternidades foi alvo de uma auditoria realizada em maio pelo Departamento Nacional de Auditoria do SUS (DenaSUS), do Ministério da Saúde. A vistoria técnica foi feita, após denúncias formais da vereadora Aava Santiago (PSDB). 

A equipe do DenaSUS percorreu as três unidades e apontou grave subutilização da estrutura hospitalar, com leitos e equipamentos desativados por falta de manutenção e recursos. “Encontramos unidades funcionando com apenas 30% a 40% da sua capacidade instalada”, declarou o diretor do órgão, Rafael Bruxellas.

Na Maternidade Célia Câmara, foi constatado que metade dos leitos de UTI estavam fechados, mesmo com demanda reprimida. Já no Hospital Dona Iris, um corredor segue interditado desde janeiro, com curto-circuito e infiltrações. Na Nascer Cidadão, foram identificados problemas semelhantes de infraestrutura e insumos. “Nosso compromisso é assegurar que os recursos públicos sejam aplicados corretamente e que o direito à saúde das mulheres e crianças seja respeitado”, afirmou Bruxellas.

Desde abril, o jornal O HOJE acompanha os desdobramentos da crise na rede materno-infantil, incluindo a suspensão de partos no início de julho e as dificuldades de abastecimento nas maternidades. A auditoria federal está em fase de conclusão, mas já indicou que poderá recomendar responsabilizações e até devolução de recursos caso sejam confirmadas irregularidades na aplicação de verbas federais.

O prefeito Sandro Mabel (UB) tem defendido publicamente a mudança de modelo. “O contrato da Fundahc custa quase R$ 20 milhões por mês só para a Maternidade Célia Câmara. Temos organizações dispostas a operar com valores entre R$ 8 milhões e R$ 11 milhões. É uma questão de responsabilidade com o dinheiro público”, afirmou.

O Sindicato dos Trabalhadores do SUS em Goiás (Sindsaúde-GO), no entanto, critica a medida e vê risco de precarização. “A sociedade pagou um preço alto. Serviços foram fechados, há falta de insumos e o atendimento já vinha sendo prejudicado”, declarou a presidente Luzinéia Vieira dos Santos. Ela também lamenta a ausência de diálogo sobre a transição: “Não nos foi passado nada nesse sentido. […] É uma lástima, porque são famílias que acabam ficando sem a possibilidade de garantir o sustento dos seus

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Goiás começa novembro com previsão de tempestades e calor de até 42 °C

CLIMA

Goiás começa novembro com previsão de tempestades e calor de até 42 °C

Primeiros dias do mês devem ter instabilidade em diferentes regiões, com pancadas de chuva, ventos...
goiânia

DESTAQUE INTERNACIONAL

Goiânia supera Nova York e Tóquio em ranking de desempenho ambiental

Capital goiana aparece entre as cidades com melhor desempenho ambiental em levantamento global que a...
ian caetano

LUTO EM GOIÁS

Ativista e sociólogo Ian Caetano de Oliveira morre aos 32 anos em Goiânia

Graduado pela UFG e mestre em Sociologia pela UERJ, goiano teve atuação no movimento estudantil e ...
goiânia

CHUVA FORTE

Defesa Civil emite alerta severo para risco de alagamentos em Goiânia

Aviso foi enviado por SMS e WhatsApp neste sábado (31); moradores devem evitar deslocamentos e fica...
DF estabelece regras para criação de novo bairro na Saída Norte

Brasília

DF estabelece regras para criação de novo bairro na Saída Norte

Estudo publicado pela Seduh-DF define áreas para ocupação residencial, atividades comerciais e pr...
Mega-Sena acumula e pode pagar R$ 42 milhões neste domingo (1º)

Fézinha

Mega-Sena acumula e pode pagar R$ 42 milhões neste domingo (1º)

Concurso 3080 será realizado neste domingo (1º); aposta simples custa R$ 6 e pode ser registrada e...
Governo Federal prevê novo CNU em 2027 com até 3 mil vagas

Concursos

Governo Federal prevê novo CNU em 2027 com até 3 mil vagas

Ministério da Gestão avalia realizar uma nova edição do “Enem dos Concursos”, mas certame de...
Prefeitura de Goiânia prevê investir R$ 100 milhões em obras na Perimetral Norte

MOBILIDADE

Prefeitura de Goiânia prevê investir R$ 100 milhões em obras na Perimetral Norte

Projeto de R$ 60 milhões prevê viaduto, trincheira e eliminação dos semáforos próximos ao Post...