sábado, 31 de outubro de 2026
Cultura

Documentário revela o cotidiano de Fernanda Montenegro aos 97 anos ainda em frente às câmeras

Dirigido pelo neto da atriz, filme entrelaça passado e presente

Luana Avelarpor em
Documentário revela o cotidiano de Fernanda Montenegro aos 97 anos ainda em frente às câmeras

Aos 97 anos, Fernanda Montenegro ainda tem algo a descobrir diante das câmeras. Depois de atravessar gerações, conquistar reconhecimento internacional e se tornar um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira, a atriz continua enfrentando o mesmo desafio que marcou sua trajetória: dar vida a novos personagens. É essa artista, longe dos discursos de consagração e próxima das exigências cotidianas da profissão, que o documentário “Fernanda”, dirigido por seu neto Pedro Waddington, apresenta ao público.

Exibido no Festival do Rio e na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o longa tem previsão de chegar ao streaming Universal+ até o fim de 2026. Produzido pela Conspiração em parceria com a NBCUniversal, o filme propõe um olhar sobre a artista que vai além dos prêmios e personagens que a tornaram uma referência nacional.

A narrativa acompanha Fernanda durante as filmagens de “Vitória” (2025) e “Velhos Bandidos” (2026). Em vez de seguir uma cronologia convencional, Pedro Waddington aproxima imagens do presente de registros de diferentes fases da trajetória da avó, construindo uma história sobre o trabalho, a passagem do tempo e a permanência da arte em sua vida.

Os bastidores mostram uma atriz que continua envolvida com as exigências da profissão. As dificuldades para memorizar falas convivem com o interesse pela construção dos personagens e com observações bem-humoradas sobre o cotidiano das gravações. O teatro, linguagem na qual iniciou sua carreira, também ocupa espaço importante nas lembranças e reflexões apresentadas no documentário.

Uma vida dedicada à interpretação

A montagem recupera cenas de obras como “A Falecida”, “Eles Não Usam Black-Tie” e “Casa de Areia”, produção na qual contracenou com a filha Fernanda Torres. Os registros ajudam a dimensionar a trajetória de uma artista que participou de diferentes momentos da história do audiovisual brasileiro.

Na televisão, Fernanda esteve em novelas como “Baila Comigo” (1981), “Guerra dos Sexos” (1983), “Renascer” (1993) e “Belíssima” (2005). Também protagonizou “Doce de Mãe” (2014), trabalho que lhe rendeu o Emmy Internacional de Melhor Atriz.

No cinema, ganhou projeção mundial com “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles. Ao interpretar Dora, professora aposentada que escreve cartas para pessoas analfabetas, tornou-se a primeira brasileira indicada ao Oscar de Melhor Atriz.

O reconhecimento internacional, entretanto, é apenas uma parte da história que o documentário procura contar. Ao acompanhar a atriz em atividade, o filme dá espaço às suas reflexões sobre família, envelhecimento e criação artística.

Embora Fernanda mencione a possibilidade de “Vitória” e “Velhos Bandidos” estarem entre seus últimos trabalhos no cinema, a produção não assume o tom de despedida. O que emerge das imagens é uma artista que, mesmo diante das transformações impostas pelo tempo, mantém uma relação intensa com a profissão que escolheu.

Mais do que recuperar uma carreira consagrada, “Fernanda” observa o cotidiano de quem fez da interpretação uma forma de viver e continua encontrando, diante das câmeras, novas maneiras de contar histórias.

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