sábado, 15 de agosto de 2026
OPINIÃO

MDB, União Brasil, PL e PT têm problemas para montar chapas

São 18 ou 19 vagas para deputado federal e 42 para estadual, mas os pretendentes querem distância de partidos grandes ou de qualquer um que já tenha filiado com mandato parlamentar

Nilson Gomespor Nilson Gomes em
Foto : Carlos Costa/Alego
Foto : Carlos Costa/Alego

Em 2022, 17 partidos elegeram os 41 deputados estaduais e 10 fizeram os 17 federais. Exagero no número de siglas? Segura que vem mais. Lucas Vergílio teve 76.283 votos, ficou na suplência na Câmara dos Deputados e dois anos depois chegou à Câmara de Goiânia. Mas quatro tiveram menos que Vergílio e estão com mandato em Brasília. Na disputa por vaga na Assembleia Legislativa, mais da metade dos eleitos não alcançou os 31.903 de Rubens Marques nem os 31.828 de Claudio Meirelles, que perderam. Por isso, as agremiações estão suando sangue para compor as chapas.

O primeiro passo para a glória ou o sótão da política reside na escolha do partido, sejam os pequenos, como o PDT, que tem o casal Flávia Morais federal e George Morais estadual, ou os grandalhões, como o MDB, que em 2022 elegeu apenas metade da bancada do PL, outro gigante. Os partidos do governador (União Brasil), de seu vice (MDB) e dos três senadores (PL, PSD e PSB) estão com problemas, pois as listas que rodam de mão em mão falam em corte de 40 mil para estadual e 100 mil para federal nas siglas mais robustas.

Cofres cheios dos atuais

Um fator que afasta eventuais interessados em concorrer é o excesso de dinheiro que deputados e senadores trouxeram nas mais diversas formas de emendas. Ninguém consegue competir. Se não estiverem mentindo, e é provável que não, os três senadores goianos, juntos, anunciam ter trazido R$ 20 bilhões para o Estado e os municípios. Por mais rico que o concorrente seja, não vai torrar do seu patrimônio semelhante quantia.

É o fantasma de quem está no front e não levanta a cabeça nem para mostrar o capacete. Nenhum novato deseja concorrer com Silvye Alves, Zacharias Calil e José Nelto, o trio do UB, que se mantiver a federação com o PP ainda vai encontrar Adriano do Baldy. Quem quer se filiar ao PL para peitar Gustavo Gayer, caso saia à reeleição, e Daniel Agrobom, caso saia à reeleição pelo PL?

Alguns devem furar a bolha, mas não se trata de gente comum. É o caso do petista Delúbio Soares, que vai pelejar num grupo em que já estão Adriana Accorsi e Rubens Otoni, além do Professor Edward, vítima do fenômeno que fulminou Lucas Vergílio: perdeu com mais votos que dois vencedores e agora é vereador em Goiânia. Dificilmente o PT bateria seu recorde e mandaria quatro parlamentares a Brasília – só teve senador no início dos anos 1980, quando conseguiu a filiação de Henrique Santillo, e seu máximo para a Câmara foram três de uma vez.

O sujeito é de esquerda e evita o PT por se sentir pequeno, então, tem de procurar um partido de seu tamanho. Não existe. O PDT não tem cor ideológica, apesar de Flávia Morais votar com o Governo Lula, mas já foi secretária estadual com Alcides Rodrigues (PP) e do time de Marconi Perillo (PSDB). Então, eventuais socialistas e comunistas terão exatamente nenhum espaço – o PCdoB já teve integrante na Assembleia, Isaura Lemos, mas há tempos a foice e o martelo não fazem mais nem vereador. Filiou-se ao PCdoB? Perda de tempo se quer ser deputado.

Daí vem a força dos nanicos, os partidecos fisiológicos que abrigam não apenas oportunistas vagabundos, mas também pessoas sérias sem chance em outras agremiações. O PRTB do coach goiano Pablo Marçal, 3º colocado para prefeito de São Paulo, levou quatro à Assembleia em 2022, perdendo em número apenas para o UB de Ronaldo Caiado e o MDB de Daniel Vilela, que fizeram meia dúzia cada. O que é exatamente um militante do PRTB? Não se sabe, o que todos têm conhecimento é que eles sabem muito bem fazer as tais nominatas de eleger deputados.

Quem vai desocupar vagas para Delúbio, Bruno, Paulo do Vale…?

Está na mão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o projeto aprovado que aumenta para 18 a quantidade de deputados federais goianos. É a última chance de novidade, porque para alguém entrar outro tem de sair. E quem chega lá se robustece com poder, dinheiro e cargos, não tem combo melhor para fazer base. Por isso, para Delúbio Soares recuperar o prestígio político está com o encargo complicado de derrotar Adriana Accorsi ou Rubens Otoni ou, o que complica mais ainda, aumentar em 30% os votos do PT para a Câmara. 

De qualquer forma, alguém vai ter de levantar para a chegada de Bruno Peixoto, atual presidente da Assembleia, uma potência com 10 mil cargos comissionados e 120 prefeitos apoiando, mais de 200 mil votos na capanga – dentro da galinha. Alguém vai perder para aportar em Brasília o ex-prefeito de Rio Verde Paulo do Vale. Outra vaga certa é a de Pedro Sales, tocador de obras do Governo Caiado. Quais três deputados federais de hoje vão ficar no sereno? Se os atuais temem a concorrência, o miudinho que sonha tem primeiro que ganhar na Mega Sena acumulada – a probabilidade é semelhante.

É pouco provável que o candidato do prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, não se eleja. O bruto tem nome: João Campos, seu vice e veterano na Câmara dos Deputados. Quem vai sobrar para ele voltar? Outro delegado ex-deputado federal que perdeu para senador, igual a Campos, foi Waldir Soares, que ganhou músculos políticos no Detran. Quem vai espirrar para ele tossir? Fala-se que Daniel Agrobom vai do PL para o União Brasil. Quem circula pelas cidades e, principalmente, pelo campo retorna comentando que Agrobom duplicará seu eleitorado, mais de 70 mil em 2022. Quem do UB será sacrificado para Agrobom cumprir a profecia? É o que os novatos não querem pagar (caro) para ver.

Às vezes, o desavisado corre para um partidinho que limitou seus filiados a quem supõe que terá no máximo 15 mil votos. Aí, só reúne miúdos de frango e, na hora da apuração, faltam votos para fazer qualquer deputado, aí não tem suplência, aí não tem diretorias muito menos secretarias no governo, aí não tem é nada aí ai ai ai por que vocês não me avisaram que era furada? Com este texto, considere-se alertado.

Outra fria maior que ir sem blusa para a Sibéria é entrar em partido grande achando que vai ter dinheiro, tempo de TV ou, em caso (mais certo do mundo) de derrota, uma boquinha como assessor de quem ganhar. Nada disso ocorre. Quanto maior o partido, maior o silêncio dos inocentes. Fundo Eleitoral é somente para os figurões, os pequeninos conseguem no máximo um contador para fazer a prestação de contas e uma gráfica para imprimir santinho. Esperar mais que isso é sofrer dobrado.

 

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