sexta-feira, 16 de outubro de 2026
ECONOMIA

Empresas goianas renegociam mais de 31 mil dívidas em 2025

Alta dos juros e dificuldades econômicas levam micro e pequenos empreendedores a buscar acordos para manter negócios ativos

Caroline Gonçalvespor em
Empresas goianas renegociam mais de 31 mil dívidas em 2025
Goiás já soma mais de 31 mil renegociações de dívidas com CNPJ neste ano. Crescimento de quase 32% mostra esforço dos empreendedores para equilibrar as contas Foto: Marcello Casal Jr./ABr

O endividamento de empresas continua crescendo em Goiás e em todo o País. A alta das taxas de juros e o custo elevado de manter um negócio têm levado cada vez mais empreendedores a buscar renegociações para evitar o fechamento das portas.

Dados da Serasa Experian mostram que o Brasil tem mais de 8 milhões de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJs) inadimplentes, um aumento de mais de 200 mil empresas desde junho e de 1,1 milhão em relação a julho de 2024. Entre os pequenos negócios, o problema é ainda mais comum, principalmente entre os microempreendedores individuais (MEIs), que muitas vezes abrem o próprio negócio sem um planejamento financeiro adequado.

Em Goiás, o número de renegociações disparou em 2025. De janeiro a agosto, foram firmados mais de 31,1 mil acordos de dívidas com CNPJ, um crescimento de quase 32% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 23.651. No Brasil, o total de renegociações ultrapassou 904 mil acordos apenas nos primeiros oito meses do ano, alta de 27,86%.

O economista Luiz Carlos Ongaratto, explica que essa situação reduz a margem de lucro e aumenta a inadimplência. “As empresas passam por dificuldade financeira para honrar pagamentos com folha, impostos e fornecedores. Essa inadimplência é algo esperado por conta do aumento das taxas de juros e sua persistência nesse patamar.”

Segundo o especialista, renegociar dívidas é um passo necessário para evitar o colapso financeiro. “Esses acordos são importantes para tentar alongar a dívida, diluir os pagamentos no tempo. Nenhum banco quer que o cliente pare de pagar. A renegociação é muito melhor do que a inadimplência, porque garante a continuidade da economia”, analisa Ongaratto.

Ele ressalta ainda que o cenário deve continuar nos próximos meses. “As empresas precisam reperfilar dívidas,  trocando débitos de curto prazo por prazos mais longos ou renegociando taxas e amortizações. Isso vai continuar nesse ano de 2025 e também em 2026”, prevê.

Entre os microempreendedores individuais, o endividamento também preocupa. Muitos abrem o negócio por necessidade e acabam se surpreendendo com as responsabilidades financeiras que vêm junto com o CNPJ.

“Muitos microempreendedores individuais criam seu negócio sem saber como se planejar financeiramente e acabam se tornando inadimplentes por essa falta de conhecimento”, explica Ana Luisa de Mello, especialista em educação financeira. “Através do Guia MEI, nosso maior objetivo é ajudar a promover a educação financeira para esse público que é um grande pilar econômico do País.”

Segundo Mello, a falta de controle financeiro é o principal motivo de inadimplência entre pequenos empreendedores. “Muitos não têm clareza sobre o quanto realmente entra e sai do caixa. Isso faz com que o endividamento cresça rapidamente”, alerta.

De acordo com o educador financeiro Fernando Gambaro, o aumento de renegociações em Goiás reflete tanto a necessidade das empresas quanto a oportunidade de reorganizar as finanças.

“Assim como acontece em nível nacional, Goiás também acompanhou a tendência de crescimento na busca por negociações de dívidas com CNPJ. Esse aumento reflete tanto a necessidade das empresas em organizar suas finanças diante de um cenário econômico desafiador quanto a maior oferta de condições atrativas por parte dos credores”, explica.

Ele destaca que os descontos em renegociações podem chegar a 90%, o que tem atraído empreendedores em busca de fôlego financeiro. “O objetivo é que o acordo seja sustentável, evitando que o empreendedor volte à inadimplência. Regularizar a situação melhora o acesso ao crédito e fortalece a credibilidade da empresa”, afirma.

Para Gambaro, a renegociação é uma forma de manter a empresa viva. “Regularizar dívidas é um passo importante para que os empreendedores consigam respirar financeiramente, planejar o crescimento e investir novamente no negócio. Esse movimento contribui para manter empregos e a competitividade no mercado.”

Antes de fechar um acordo, ele orienta que o empresário analise o orçamento. “É fundamental avaliar quanto realmente pode comprometer do caixa sem prejudicar o funcionamento do negócio. Mais importante do que apenas fechar um acordo é garantir que ele seja sustentável, evitando atrasos e um novo ciclo de inadimplência.”

Com juros altos e crédito restrito, a renegociação tem sido uma alternativa para garantir a sobrevivência de muitos negócios. Em Goiás, o número de acordos mostra que, mesmo em um cenário de dificuldade, os empreendedores têm buscado reorganizar as finanças para continuar de portas abertas.

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