sábado, 31 de outubro de 2026
Taxa de Limpeza Pública

Câmara de Goiânia retoma análise da revogação da “Taxa do Lixo” em meio a divisão entre vereadores

Projeto que extingue a TLP será pautado na segunda-feira e divide a Comissão de Finanças da Casa; Paço defende obrigatoriedade da cobrança, enquanto vereadores apontam bi-tributação e ausência de impacto no orçamento

Thiago Borgespor em
Câmara de Goiânia retoma análise da revogação da “Taxa do Lixo” em meio a divisão entre vereadores
Foto: Millena Cristina/Câmara Municipal

A Comissão de Finanças, Orçamento e Economia (CFOE) da Câmara Municipal de Goiânia irá pautar o projeto que revoga a Taxa de Limpeza Pública (TLP), popularmente conhecida como “Taxa do Lixo”, na reunião do colegiado marcada para a próxima segunda-feira (1º/12). 

O presidente da CFOE, vereador Welton Lemos (Solidariedade), confirmou à reportagem do O HOJE que o projeto será analisado pelo colegiado na segunda e afirmou que é a favor do projeto. “Sou a favor. Votei a favor na primeira votação. É um projeto de impacto na vida das pessoas. Todo projeto que impacta financeiramente a vida das pessoas é um projeto antipopular”, destacou o parlamentar. 

Apesar de favorável ao projeto, Lemos garantiu que não é possível “medir o clima” para aprovação da matéria. “Acho que a base hoje está ficando, cada dia que passa, mais fortalecida e consolidada”, opinou o parlamentar. 

O texto estava paralisado na CFOE desde a última reunião da comissão, no dia 13 de outubro, quando o autor da matéria, vereador Lucas Vergílio (MDB), pediu vistas do projeto. Na ocasião, o líder do prefeito, Wellington Bessa (DC), apresentou um pedido de diligências para que o Paço apresentasse dados que justificassem a manutenção da TLP. 

Com 12 vereadores, a CFOE está dividida sobre a aprovação do texto ou não. Além de Lemos e Vergílio, os favoráveis à matéria são: Aava Santiago (PSDB), Kátia Maria (PT), Sanches da Federal (PP) e o relator do projeto na comissão, Coronel Urzêda (PL). 

A outra metade da comissão é composta por parlamentares da base, a qual é orientada a votar contra o projeto. São eles: Thialu Guiotti (Avante), Anselmo Pereira (MDB), Heyler Leão (PP), Léo José (Solidariedade) e Lucas Kitão (União Brasil), além, claro, do próprio Bessa. 

Leia mais: Daniel Vilela reforça defesa dos colégios militares na educação básica

Legalidade da Taxa do Lixo

A discussão em torno da legalidade do projeto coloca o Paço e alguns parlamentares em rota de colisão. O prefeito Sandro Mabel (União Brasil) alega que a cobrança é obrigatória pela lei nº 14.026/2020, do Marco Legal do Saneamento Básico, que impõe aos municípios garantir fonte de custeio para os serviços de limpeza. 

Já os parlamentares sustentam que a TLP configura bi-tributação. O relatório de Urzêda, apresentado em outubro, cita que a Constituição Federal autoriza os municípios instituírem taxas em razão de serviços públicos específicos e divisíveis. Porém, o vereador ressalta que, de acordo com a Constituição, as taxas são facultativas e não obrigatórias. 

Outro argumento do Paço é que a revogação da taxa implicará no descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que condiciona a renúncia de receita ao apontamento de outra fonte de arrecadação. Porém, Vergílio justifica que a TLP não consta na previsão orçamentária do município para 2025, logo, a revogação não significa renúncia de receita. 

Advogado alerta estudo por parte da Câmara

O advogado constitucionalista Anderson Rosa disse ao O HOJE que “concorda em partes com os vereadores”. Para Rosa, a Câmara precisa apresentar um estudo técnico a respeito da revogação, se não “ela entrega munição gratuita para a Prefeitura”. “A Prefeitura vai usar a narrativa da perda de receita, porque é simples, vende bem e coloca a Câmara na posição de quem age no improviso e causa dano às contas públicas”, explicou o advogado. 

“Se o objetivo da Câmara é sustentar a alteração com legitimidade, ela precisa imediatamente apresentar cálculo de impacto, demonstrar neutralidade orçamentária ou justificar tecnicamente a ausência de perda relevante”, destacou o especialista. 

Para a reportagem do O HOJE, a Procuradoria-Geral do Município (PGM) informou, via assessoria, que ainda não há posicionamento acerca de uma possível judicialização do projeto caso a revogação seja aprovada pela Câmara Municipal. Entretanto, uma fonte ligada ao Paço relatou em off que, caso haja a derrubada da TLP, o município deve levar a discordância com a Câmara para a esfera judicial.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

Justiça manda Meta remover posts que incentivam assédio eleitoral

Redes Sociais

Justiça manda Meta remover posts que incentivam assédio eleitoral

Empresa tem 24 horas para retirar 14 publicações e deverá alertar usuários sobre discriminação...
Articulações começam a movimentar disputa da Prefeitura de Goiânia em 2028 

Próximo pleito à vista

Articulações começam a movimentar disputa da Prefeitura de Goiânia em 2028 

Com fim do pleito de 2026, partidos e personagens políticos da Capital já visam projetos que miram...
Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança e reabre debate sobre maioridade penal

Senado

Alcolumbre marca votação da PEC da Segurança e reabre debate sobre maioridade penal

Senado vota PEC da Segurança na terça e pode discutir punição a menores de idade
Caiado

Risco de debandada

Caiado pode levar para o PSD a força política que construiu no União Brasil

Saída do ex-governador abre disputa por prefeitos e lideranças municipais; enquanto PSD tenta ampl...
Reeleição de Lula dificulta negociação do DF para salvar o BRB

CRISE NO BANCO

Reeleição de Lula dificulta negociação do DF para salvar o BRB

Governo de Celina Leão mantém estratégia para obter garantia da União em empréstimo bilionário...
Palácio do Itamaraty

Relações exteriores

Itamaraty convoca diplomata argentina para cobrar explicações sobre fuga de Flávio Bolsonaro

Governo brasileiro quer esclarecimentos sobre possível participação da Argentina na saída do sen...
Indígenas cobram de Lula demarcação de todas as terras até 2030

Carta Aberta

Indígenas cobram de Lula demarcação de todas as terras até 2030

Em carta ao presidente, organizações pedem avanço na regularização de 73 territórios e cobram ...
Celina Leão promete mudanças no GDF e diz que ainda precisa concluir transição

POLÍTICA

Celina Leão promete mudanças no GDF e diz que ainda precisa concluir transição

Governadora reeleita afirma que novo mandato terá uma “transição de verdade” e cita recupera�...