Daniel, Marconi e Wilder têm de rimar digital com sol, suor e saliva
Mídias sociais são ótimas, painéis de LED brilham muito, mas nada substitui o contato olho no olho, o abraço fraterno, as dez horas por dia em cima da caminhonete abanando a mão para o povo
Abra sites, canais no YouTube, grupos de WhatsApp no Brasil inteiro e veja como se comportam governadores e prefeitos bem avaliados. Estão sempre agindo. Com gente ao redor, não qualquer gente, mas gente do povo. Se seu tempo estiver curto, consulte apenas as mídias de Ronaldo Caiado, o 1º colocado nacionalmente em aprovação popular. O governador de Goiás abraça mesmo, puxa a pessoa de encontro a ele e a afaga com palavras, olhares, gestos. Ah, mas isso é método antigo. De jeito nenhum: desde que o homem saiu das cavernas quer ser querido. Não tem nada mais tecnológico que um sorriso genuíno, dispõe de mais brilho que qualquer painel de LED.
Em Goiás, os principais pré-candidatos ao governo e ao Senado estão aplicando suas estratégias, possivelmente de acordo com os conselhos de especialistas. Os estudiosos reconhecem que uma fórmula não anula outra, apenas se soma a ela; uma tecnologia não substitui a anterior, a aprimora. É no contato com a população que o político gera o conteúdo das mídias sociais. O velhíssimo aperto de mão produz a moderníssima imagem a ser postada.
Gracinha, novata nas urnas, experiente em campanha
Entre os concorrentes a cargos majoritários, a única que estará disputando a primeira vez é a que tem mais experiência. Trata-se da advogada Gracinha Caiado, que foi a verdadeira condutora de todas as campanhas do marido, as de deputado federal, a de senador e as duas de governador. Sabe tudo de disputa eleitoral. Tudo. Agenda, discursos, palanques, movimentação de rua, escolha de material, treinamento de cabos eleitorais, tudo. É entusiasta do mundo digital, porém não dispensa o calor humano – que em determinados lugares de Goiás chega a 44ºC.
O vice-governador Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), o senador Wilder Morais (PL) e a deputado federal Adriana Accorsi (PT) já estiveram em outras lutas majoritárias e conhecem o riscado. Daniel já perdeu (governador 2018) e já ganhou (para vereador 2008, deputado estadual 2010 e federal 2014 e vice-governador 2022), tanto ele mesmo quanto seu pai, Maguito Vilela. Marconi ganhou para deputado estadual (1990) e federal (1994), governador (1998, 2002, 2010, 2014) e senador (2006), cargo para o qual foi derrotado em 2018 e 2022. Wilder já ganhou duas para senador (2010, como suplente, que depois assumiu; e 2022) e perdeu uma para senador (2018) e outra para vice-prefeito de Goiânia (em 2020, junto com Vanderlan Cardoso). Adriana também ganhou para deputada estadual (2014) e federal (2018 e 2022), mas perdeu para prefeita de Goiânia (2020 e 2024), além de vitórias e derrotas ao lado do pai, Darci Accorsi. Enfim, nesse campo não entrou bobo nem inexperiente.
Cada qual no seu quadrado para agir
Daniel, presidente regional do MDB, tem a sede de seu partido e o gabinete no Palácio Pedro Ludovico, endereço no qual vai continuar trabalhando em 2027 se for reeleito. Ali, recebe lideranças, traça as táticas e recebe os ensinamentos, inclusive dos melhores professores: Ronaldo, Gracinha e os dois pré-candidatos a vice, José Mário Schreiner e Adriano Rocha Lima. Ali fecha compromissos, faz alianças, conversa, convence.
Wilder tem gabinete no Senado, escritório político em Goiânia e a sede do PL, que preside no Estado. Dispõe ainda da Casa Branca, sua residência na Capital, e a fazenda Toca da Orca, no município de Santo Antônio, indo para Nerópolis. É grande a andança de políticos para se reunir com Wilder.
Acontece o mesmo com Marconi, mestre na arte da conversa de bastidores, um ambiente em que vive desde a juventude. O mesmo ocorre com Adriana, que preside o PT em Goiás, tem gabinete na Câmara dos Deputados e escritório em Goiânia. Esses ambientes fechados são fundamentais para os acordos, porém é pequeno o número de populares com acesso a essas paredes. O veterano Iris Rezende dizia que apenas 200 pessoas visitam os escritórios dos políticos – e as mesmas 200 vão a todos de todos os partidos.
Por falar em Iris, sua filha e principal auxiliar nos últimos 25 anos, Ana Paula Rezende (MDB), também está com agenda cheia nas articulações. Ela é pré-candidata ao Senado junto com Gracinha Caiado, para concorrer com os deputados federais Gustavo Gayer (PL) e Zacharias Calil (União Brasil) e o ex-ministro Alexandre Baldy (PP). Cada qual a seu modo, os senatoriáveis vão se virando. Gayer tem seu universo nas redes sociais, onde fomenta o debate com vídeos opinativos. Baldy precisa encontrar tempo para presidir o PP e a Agehab em Goiás, mais a BYD no Brasil e a pré-campanha em todo lugar. Gracinha nunca perdeu o pique, desde os tempos em que era liderança dos agropecuaristas no Nordeste, de Feira de Santana para a Bahia, de seu Estado para o País.
Essa mobilidade é suficiente para que façam campanha eficaz em busca do Governo e do Senado? Desde a Grécia antiga, sim. Convencer pessoas a escolhê-lo para representá-las. Uns, como Gayer, postam o que sua faixa de eleitorado gostaria de ver. Outros, como Daniel, Gracinha e Ana Paula, vão aos municípios levando não somente palavras. E quem está na oposição, como Marconi, só tem a palavra para levar, ainda assim está encontrando eco, conforme demonstram as pesquisas de opinião.
Toda eleição as pesquisas se desmoralizam. Toda eleição voltam
A distribuição digital e em papel de resultados de pesquisas é uma forma de convencimento, pois costuma funcionar na busca do voto oferecer ao público a perspectiva de poder. Quem está bem nos levantamentos dos institutos, em tese, vai ter condição de chegar na frente, ganhar a eleição e exercer o mandato em conjunto com quem ajudou na vitória. O tempo passa, toda eleição diversas pesquisas são desmoralizadas pelos índices atabalhoados desmentidos nas urnas, e na próxima campanha lá estarão novamente com suas perguntinhas de praxe, em quem o senhor votaria para tal cargo se a eleição fosse hoje, em quem a senhora não votaria de jeito nenhum.
Nas campanhas municipais, como foi a de 2024, os institutos de pesquisa fazem a feira. Com as honrosas exceções de praxe, conseguem o milagre de entortar uma ciência que se espera ser exata, a estatística, para deixá-la como o encomendante quis. E, mesmo assim, muita gente continua votando apenas nos candidatos que lideram as tais entrevistas com o povo na rua. Essas entrevistas são realmente realizadas? Nem os Tribunais Eleitorais e os Ministérios Públicos têm condição de checar.
Outra técnica em comum aos principais candidatos é percorrer ruas e rodovias nos mais diversos veículos, da sandália rasteirinha ao helicóptero. Para isso, haja dinheiro e forma física. Porém, continua valendo a Fórmula 6S: sol na cara, suor, santinho, saliva, e sola de sapato. Por mais popular que o político seja, não abre mão de demonstrar esse recurso. Ninguém guarda santinho. Quem disse essa bobagem? Guarda, sim. E alguns ainda levam para a sala de votação. Sola de sapato é imprescindível, porque lá de cima da caminhonete não se viabiliza aquele aperto de mão de que tanto se fala. A saliva também é insubstituível. Você postou o vídeo, fez o texto, tudo lindo, mas o eleitor quer ouvir do candidato. Sol e suor formam uma dupla fantástica. No início deste texto foi tratado o assunto, pois o governador Ronaldo Caiado e lideranças como os saudosos Maguito Vilela, o casal Dona Íris e Iris Rezende, Darci Accorsi e Mauro Borges sempre souberam que o eleitor quer seu abraço, mesmo que esteja com a testa pingando suor, a camisa empapada pela lida.