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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
OPINIÃO

Ida de Caiado ao PSD mexe com política goiana inteira, até o PT

Sigla em estágio terminal agora é o centro de uma jogada de mestre que sacudiu governo e oposição, no Estado e no País, matando a ambição de uns e ressuscitando quem já era considerado morto e sepultado

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 3 de fevereiro de 2026
caiado
A mudança deixou a direita atônita, a esquerda paralisada e o Centrão tentando entender como vai ganhar algum com isso - Foto: Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab - Créditos: Wesley Costa Secom Goiás

Os políticos goianos ainda não acordaram, parecem anestesiados com a filiação do governador Ronaldo Caiado ao PSD, um partido que respirava por aparelhos, já quase sem oxigênio, e que agora está cheio de gás, no centro das decisões. A mudança deixou a direita atônita, a esquerda paralisada e o Centrão tentando entender como vai ganhar algum com isso.

A rigor, nada aconteceu de mais grave. Ampliando rigor, ocorreu tudo de gravíssimo. Em tese, o União Brasil perdeu o governador, mas premiou uma militante com quatro décadas de dedicação à causa, Gracinha Carvalho Caiado, gestora de 30 programas sociais. À frente do Diretório Regional, enfim, Gracinha ganha a visibilidade que lhe faltava, a partidária, já que nos dois mandatos do marido apresentou a Goiás a administradora conhecida antes somente nos bastidores.

Tocar partido é canseira

Partido dá muito trabalho. Muuuuuito. Seus presidentes, em geral detentores de cargos, gastam mais tempo regendo a sigla que com sua atividade-fim. É um dos motivos para ninguém ter sentido falta do senador Vanderlan Cardoso à frente do PSD, agora liderado pelo governador. O senador Wilder Morais preside o PL – observe o noticiário dos últimos vezes e conclua o que mais lhe dá mais dor de cabeça, suas empresas ou a direção da sigla… A deputada federal Adriana Accorsi comanda o PT e circula mais arrumando e nominando candidatos que propriamente buscando a própria reeleição. E assim por diante.

Todo esse universo foi sacudido pelo vídeo do governador de Goiás junto com seus colegas do Paraná, Ratinho Jr., e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, anunciando a entrada no PSD. Gravado em São Paulo na casa do presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, o spot foi feito ao lado do antigo cacique do PFL, Jorge Bornhausen, de Santa Catarina, adversário histórico de Caiado no partido, assim como Vilmar Rocha. A filiação de Caiado balançou tudo e todos. Vilmar, que dispunha de pouquíssima chance de voltar à Câmara dos Deputados, virou favorito. Ratinho e Leite terão de se contentar com candidaturas ao Senado.

A terra tremeu de Minas ao Tocantins

No âmbito estadual, o susto foi tamanho que do Rio Paranaíba (divisa com Minas Gerais) ao paralelo 13 (fronteira com o Tocantins) o tremor só não tem sido maior que o temor. As tais nominatas, aquelas listas de nomes de políticos com pretensões inalcançáveis, viraram borrões, arquivo corrompido num computador obsoleto. Não compensava ir para o PSD. E agora? Quem Caiado vai deixar no União Brasil e quem vai levar para sua nova casa? O presidente da Assembleia, Bruno Peixoto, vai sossegar no UB?

O PP elegeu dois federais, já perdeu um (José Nelto) e a primeira suplente (Fabianne Leão). Tem o ex-ministro das Cidades, Alexandre Baldy, que toca os projetos da Agência de Habitação (Agehab). Deseja o Senado, mas permanece o suspense, pois o governador ainda não disse se vai repetir a estratégia de 2022, com uma profusão de nomes, ou se concentrar nos dois que deseja eleger. Para reeleger o deputado federal Adriano Avelar vai depender do rol de filiados – e é difícil. Adriano não iria para o PSD se Caiado o convidasse, daí a angustiante espera por novidades progressistas.

Os sobressaltos dos senadores lulistas

Caiado no PSD movimentou até a esquerda. Os dois senadores lulistas, Vanderlan e Jorge Kajuru (PSB), causaram sobressaltos nos primeiros sete anos, não seria neste que se acalmariam. Daí o PT conservar um mínimo de esperança na formação de uma chapa algo competitiva, com os senadores, mais os petistas com mandato e os de alguma expressão. Agora presidido pelo governador, o PSD não vai nem com Vanderlan, muito menos com o grupo petista.

Depois de duas derrotas que se anunciavam vitórias seguidas, o ex-governador Marconi Perillo levou nova rasteira do destino. Estava tudo tranquilo, pelejou para levar a empresária Ana Paula Rezende, pré-candidata ao Senado, quer manter a deputada federal Lêda Borges no PSDB e caminhava firme para conversar com seu aliado tradicional Vilmar Rocha. Agora, sem o PSD, não há mais assunto. Não há como servir o que não se tem – Marconi não tem grupo e Vilmar está com Caiado, talvez até lhe sobre um mandato federal, mais um.

A dignidade de quem fundou o PSD

A turma que está(va) no PSD, além de Vanderlan, mantém a dignidade de quem ajudou a criá-lo, como os ex-deputados federais Vilmar Rocha e Francisco Jr., que alguns consideravam eliminados do BBB. Francisco teria chance como estadual, mas dinamitaria a possibilidade de Vilmar. Dependem unicamente de Caiado, que não pode lotar sua sigla com gente forte demais nem fraca em excesso, pois deve garantir uma meia dúzia de três ou quatro federais para ajudar nos Fundões Eleitoral e Partidário.

Outra sacudidela deve ser nos antes astros maiores, o UB agora chefiado por Gracinha e o MDB presidido pelo vice-governador Daniel Vilela. Os deputados federais insatisfeitos vão ficar onde estão? Para onde vai Marussa Boldrin se seu padrinho José Mário Schreiner sair de vice de Daniel e não puder ajudar em sua reeleição? E o sonhador Zacharias Calil, doidinho para ser senador e a oportunidade não vem? E o PDT do casal Morais, a federal Flávia e o estadual George, dará conta de preencher uma folha com 18 para a Câmara e 42 para a Assembleia? A essas interrogações não se deve chamar o governador. (Especial para O HOJE)

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