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quinta-feira, 5 de março de 2026
Eleições 2026

Base governista pode repetir estratégia de 2022 para o Senado

Sem composição com o PL, grupo de Caiado e Daniel pode acomodar aliados em candidaturas avulsas

Thiago Borgespor Thiago Borges em 3 de março de 2026
Base governista pode repetir estratégia de 2022 para o Senado
Entendimento é que o cenário de candidaturas avulsas à Casa Alta voltou ao radar da base | Foto: Divulgação

Os novos contornos da política goiana indicam que a base chefiada pelo governador Ronaldo Caiado (PSD) e pelo vice-governador Daniel Vilela (MDB) deve repetir a estratégia das eleições de 2022 neste ano no que tange à disputa pelo Senado Federal. Com um grupo de aliados robusto e um vasto arco de alianças partidárias, o entendimento é que o cenário de candidaturas avulsas à Casa Alta voltou ao radar da base. 

Inicialmente, a ideia era não repetir a estratégia das últimas eleições. Em 2022, a repartição dos votos entre os três candidatos da base, Delegado Waldir (União Brasil), Alexandre Baldy (PP) e Vilmar Rocha (PSD), contribuiu para a vitória de Wilder Morais (PL). O melhor desempenho entre os nomes da base foi de Waldir, que ficou em terceiro, atrás de Wilder e do ex-governador Marconi Perillo (PSDB). 

Mestre em Ciências Políticas pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB), Guilherme Carvalho lembra que, em 2022, a estratégia do governo foi não definir um candidato. 

“Como eram muitos pré-candidatos e todos demonstravam ter um montante importante de votos, a estratégia do governo foi pedir voto para todo mundo, mas não dizer que alguém era o candidato do governador”, disse à reportagem do jornal O HOJE.

Para Carvalho, as candidaturas avulsas da base governista “permitiram ao PL concentrar o arsenal e as forças em uma candidatura”. “A eleição de 2022 teve um panorama de forte fragmentação e a escolha do governo foi não focar em nenhuma candidatura, o que o PL e o Wilder conseguiram, de forma muito mais habilidosa, fazer”, frisou o cientista. 

Para este ano, o consenso na base era de que, com o PL na composição da chapa majoritária na segunda vaga para o Senado com o deputado federal Gustavo Gayer, o grupo indicaria apenas a primeira-dama Gracinha Caiado (União Brasil) para a disputa pela Casa Alta. Entretanto, a consolidação da pré-candidatura do senador Wilder Morais (PL) ao governo estadual alterou a dinâmica do grupo que comanda o Palácio das Esmeraldas. 

Leia mais: Zacharias Calil retorna à base e acerta filiação ao MDB em Goiás

Calil no MDB

Com a confirmação da filiação do deputado federal Zacharias Calil ao MDB, a base governista possui, ao menos, quatro interessados na segunda vaga da base. Além de Calil, Baldy mantém interesse na Casa Alta, junto do ex-prefeito de Aparecida, Gustavo Mendanha (PSD) e do senador Vanderlan Cardoso (PSD), que busca a reeleição. 

Para a disputa deste ano, Guilherme avaliou que, com duas vagas em jogo, as pré-candidaturas de Gracinha e Gayer se destacam entre as demais. “É muito difícil achar que a Gracinha, com a estrutura do governo e com o trabalho que já vem executando há oito anos, e o Gayer, com a estrutura do PL e uma candidatura nacionalizada, não são os favoritíssimos”, opinou o cientista. 

Porém, Carvalho ressaltou que os demais postulantes possuem capital suficiente para “despontar” suas candidaturas e “dividir votos dentro do bloco bolsonarista”. “É uma disputa que está embolada por um lado, mas por outro tem lá suas concretudes do desenho que vai se afunilando entre Gracinha e Gayer”, afirmou. 

Carvalho vê o atual cenário com o grupo palaciano “conseguindo conglomerar grandes nomes e ao mesmo tempo não polariza a eleição para o Senado”. “Acaba por não concentrar votos em duas candidaturas, mas ao mesmo tempo rouba votos da oposição. Pode dar certo, mas também pode dar bem errado”, concluiu.

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