Chapas enfrentam desafio para escolher vice em Goiás e ao Planalto
No Estado e no cenário nacional, pré-candidatos adiam decisões enquanto partidos avaliam força eleitoral, recursos de campanha e capacidade de articulação política
Bruno Goulart
A aproximação das convenções partidárias aumentou a pressão sobre pré-candidatos que ainda não conseguiram completar suas chapas. Em Goiás e no cenário nacional, a escolha do candidato a vice tem sido adiada enquanto partidos tentam fechar alianças. Em alguns Estados, o PL e outras legendas já admitem disputar com chapas formadas apenas por integrantes do próprio partido, as chamadas puro-sangue, diante da dificuldade de atrair aliados.
Em Goiás, o governador Daniel Vilela (MDB) decidiu deixar a definição do vice para a convenção partidária, marcada para 5 de agosto. O ex-governador Marconi Perillo (PSDB), por sua vez, também segue sem anunciar quem ocupará o segundo posto de sua chapa. O cenário é diferente no PL, que antecipou a escolha de Ana Paula Rezende (PL), filha do ex-governador Iris Rezende, para compor com o senador Wilder Morais (PL) na disputa pelo governo estadual.
Negociação
Para o especialista em Marketing Político e mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Felipe Fulquim, a demora ocorre porque a vaga de vice é um dos principais instrumentos de negociação disponíveis durante a formação de uma chapa majoritária. A escolha pode ampliar o alcance eleitoral, aproximar setores econômicos, garantir apoio partidário ou neutralizar possíveis adversários.
“A posição de vice é estratégica e pode ser usada de diferentes formas. Primeiro, para construir uma composição e contemplar algum grupo político que o candidato deseja ter ao seu lado”, afirma Fulquim ao O HOJE. Segundo o especialista em Marketing Político, os partidos também observam a capilaridade eleitoral, ou seja, a capacidade do possível aliado de mobilizar eleitores, lideranças e estruturas políticas em diferentes municípios.
Além disso, a vaga pode ser oferecida a um adversário competitivo para convencê-lo a abandonar uma pré-candidatura própria. Também pode servir para atrair um grupo com estrutura financeira ou um político com forte desempenho nas urnas. “Pode ser usada para fazer com que um adversário forte desista e venha para o seu lado. Outra possibilidade é escolher alguém que tenha muitos votos e possa engajar a campanha”, explica.
Posição mais confortável
No caso de Daniel Vilela, Fulquim avalia que o emedebista iniciou a pré-campanha em uma posição mais confortável por contar com vários interessados na vaga. Após meses de negociações, três nomes aparecem com maior força: o ex-deputado federal e representante do agronegócio José Mário Schreiner, o ex-senador Luiz do Carmo e o ex-secretário-geral de Governo Adriano da Rocha Lima. Os três são filiados ao PSD.
Cada nome representa um setor diferente. Schreiner tem ligação com o agronegócio; Luiz do Carmo mantém influência entre segmentos evangélicos; e Adriano da Rocha Lima possui experiência administrativa e proximidade com o grupo governista. Dessa forma, a decisão não envolve apenas a popularidade individual, mas também o tipo de apoio que cada um pode acrescentar à campanha.
Marconi Perillo enfrenta situação semelhante, embora tenha uma base partidária mais limitada. O tucano ainda mantém conversas para definir o perfil do vice e deve usar a vaga para tentar ampliar a aliança ao redor de sua pré-candidatura. Para Fulquim, a tendência é que o anúncio seja feito próximo à convenção, depois que o PSDB concluir as negociações sobre a chapa majoritária e as pré-candidaturas ao Senado.
Presidenciáveis
No cenário nacional, o principal impasse está na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O senador ainda não definiu sua companheira de chapa, mas já declarou preferência por uma mulher. Nos bastidores, o partido procura um nome capaz de melhorar o desempenho entre o eleitorado feminino e, ao mesmo tempo, facilitar uma aproximação com outras legendas de direita e de centro.
Em outras pré-candidaturas, a definição ocorreu mais cedo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que disputará a reeleição novamente ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Já Ronaldo Caiado (PSD) anunciou o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para a vice, formando uma chapa pura da legenda.
Na avaliação de Fulquim, Kassab acrescenta mais articulação do que votos. “Fora de suas bases em São Paulo, ele não tem um grande apelo popular. A contribuição está principalmente no fortalecimento da chapa e na articulação política, especialmente em Brasília”, analisa. A escolha também atende à estrutura partidária que sustenta a pré-candidatura de Caiado. (Especial para O HOJE)
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