sexta-feira, 13 de março de 2026
Infraestrutura energética

R$ 6 bilhões em energia transformam o campo e ampliam capacidade elétrica em regiões agrícolas de Goiás

Subestações, redes reforçadas e automação passam a sustentar o aumento do consumo no interior impulsionado pela expansão da irrigação e da produção rural

Thais Munizpor Thais Muniz em 13 de março de 2026
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O avanço do agronegócio em Goiás tem exigido mudanças na infraestrutura elétrica do estado. Nos últimos anos, a ampliação da mecanização, da irrigação e das estruturas de armazenagem aumentou a demanda por energia em áreas rurais. Diante desse cenário, o sistema elétrico goiano entrou em um ciclo de reforço e modernização para acompanhar o crescimento da produção agrícola.

Desde 2023, mais de R$ 6 bilhões foram aplicados na reconstrução e ampliação da rede elétrica rural em diferentes regiões do estado. Os investimentos incluem novas subestações, expansão de alimentadores, automação do sistema, telecontrole e substituição de equipamentos antigos em áreas de forte atividade agropecuária.

Ao completar três anos de concessão no início de 2026, a distribuidora responsável pelo serviço consolidou um conjunto de intervenções voltadas à estabilidade do fornecimento em regiões onde a energia passou a ter papel central na produtividade rural. No campo, interrupções no sistema podem afetar diretamente atividades como irrigação, bombeamento de água, beneficiamento e conservação da produção.

De acordo com as Contas Regionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sistematizadas pelo Instituto Mauro Borges (IMB), o agronegócio responde por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de Goiás. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio do Comex Stat, indicam ainda que o setor concentra a maior parte das exportações do estado.

Esse peso econômico ajuda a explicar o aumento da demanda por energia no meio rural. Levantamentos da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e da própria distribuidora apontam crescimento estrutural do consumo no campo, associado à mecanização das lavouras, à ampliação da irrigação e ao avanço de unidades de armazenagem e processamento da produção.

Subestação no sudoeste amplia capacidade em região agrícola

Entre as obras realizadas nesse processo está a Subestação Fazenda Canadá, localizada no sudoeste de Goiás, uma das regiões com maior intensidade agrícola do estado. A unidade entrou em operação em junho de 2025 após investimento de R$ 107,7 milhões.

Com a obra, a capacidade instalada da subestação passou de 20 megavolt-ampere (MVA) para 53,3 MVA. A ampliação integra um conjunto de intervenções destinadas a reduzir sobrecargas e aumentar a confiabilidade do fornecimento em áreas rurais extensas.

O projeto inclui transformadores de maior porte, reforço em linhas de distribuição e instalação de equipamentos com telecontrole. Esses sistemas permitem operação remota a partir do Centro de Operações Integradas (COI), localizado em Goiânia.

Além disso, geradores de apoio foram instalados na região para ampliar a capacidade de resposta do sistema em momentos de maior demanda energética. No campo, esses períodos costumam ocorrer durante a estiagem, quando o uso de sistemas de irrigação aumenta.

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Expansão da irrigação eleva consumo de energia no campo

A irrigação aparece entre os principais fatores que pressionam o crescimento da demanda elétrica em áreas rurais. Dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa) mostram que Goiás possui atualmente cerca de 721 mil hectares irrigados.

A projeção da secretaria indica que essa área pode alcançar aproximadamente 1,1 milhão de hectares até 2040. O avanço da irrigação contribui para reduzir os impactos de períodos de seca e aumentar a estabilidade das safras, mas também eleva o consumo de energia no campo.

Sistemas de bombeamento, pivôs centrais e equipamentos de controle operam de forma contínua em diversas propriedades rurais. Em períodos críticos do ciclo produtivo, esses sistemas funcionam simultaneamente, aumentando a carga sobre a rede elétrica.

Esse cenário exige redes com maior capacidade instalada e resposta mais rápida em caso de falhas. Por isso, parte dos investimentos realizados envolve automação, monitoramento remoto e reforço estrutural do sistema.

Além do sudoeste goiano, obras também foram executadas em outras regiões estratégicas do estado. No nordeste de Goiás, a implantação de alimentadores expressos ampliou a confiabilidade do fornecimento em áreas rurais extensas. Já no norte do estado, a reconstrução da Subestação Pirenópolis, que passou a operar em 138 quilovolts (kV), reforçou a capacidade elétrica em regiões com crescimento da atividade produtiva.

Somente no primeiro semestre de 2025, os investimentos em reforços estruturais, automação e manutenção da rede superaram R$ 1 bilhão. O planejamento para 2026 mantém prioridade para áreas rurais com forte presença agrícola, acompanhando a expansão da produção no interior.

Dados recentes ajudam a dimensionar essa expansão. A safra de soja 2024/2025 em Goiás alcançou 20,4 milhões de toneladas, volume 18% maior que o registrado no ciclo anterior, segundo levantamentos do setor.

Os investimentos na rede elétrica rural acompanham esse crescimento da produção agrícola e da demanda energética nas regiões produtoras do estado.

Principais números da expansão da rede elétrica rural em Goiás

  • Investimentos entre 2023 e 2025: mais de R$ 6 bilhões
  • Investimentos no primeiro semestre de 2025: acima de R$ 1 bilhão
  • Capacidade ampliada da Subestação Fazenda Canadá: de 20 MVA para 53,3 MVA
  • Área irrigada atual em Goiás: 721 mil hectares
  • Projeção de área irrigada até 2040: 1,1 milhão de hectares
  • Participação do agronegócio no PIB estadual: cerca de 30%
  • Safra de soja 2024/2025: 20,4 milhões de toneladas
  • Crescimento da safra em relação a 2023/2024: 18%

 

Fontes: Equatorial Goiás, IBGE, Seapa-GO e dados setoriais do agronegócio.

 

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