segunda-feira, 16 de março de 2026
Escala 6x1

71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 e debate sobre jornada de trabalho ganha força

Levantamento indica crescimento do apoio à redução da jornada semanal para 40 horas sem corte salarial enquanto debate avança no Congresso

Nívia Menegatpor Nívia Menegat em 16 de março de 2026
escala
71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 e debate sobre jornada de trabalho ganha força. Foto: Reprodução/Tânia Rêgo/ Agência Brasil

Neste sábado, foram divulgados os resultados da pesquisa do Datafolha, onde apresenta a maioria dos brasileiros sendo favoráveis ao fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e tem apenas um dia de descanso. O tema vem sendo discutido no Congresso Nacional e ganhou força no debate político nas últimas semanas.

De acordo com o levantamento, 71% dos entrevistados defendem que o número máximo de dias de trabalho semanais no Brasil seja reduzido. Outros 27% são contra a mudança, enquanto 3% não souberam responder. O apoio cresceu em relação a uma pesquisa realizada em dezembro de 2024, quando 64% se declaravam favoráveis ao fim da escala 6×1 e 33% eram contrários.

A pesquisa mais recente foi realizada entre os dias 3 e 5 de março, com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A proposta em discussão prevê reduzir a jornada semanal para 40 horas sem corte salarial. Na prática, o modelo passaria para cinco dias de trabalho e dois de descanso, conhecido como escala 5×2.

O tema é tratado como prioridade pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente pelo potencial de apoio popular. Em pronunciamento no Dia das Mulheres, o presidente afirmou que a redução da jornada pode beneficiar principalmente mulheres, que frequentemente acumulam atividades profissionais e tarefas domésticas.

escala
71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6×1 e debate sobre jornada de trabalho ganha força. Foto: Reprodução/ Agência Brasil

Segundo o levantamento, as mulheres são as que mais apoiam a mudança: 77% se declararam favoráveis, contra 64% dos homens. Nesse recorte, a margem de erro é de três pontos percentuais. O debate ganhou impulso após manifestações públicas de integrantes do governo, como o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann.

A Câmara dos Deputados também iniciou discussões sobre o tema. Na última terça-feira (10), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) realizou uma audiência pública para analisar propostas de mudança no modelo da jornada de trabalho. A aprovação na comissão é considerada o primeiro passo para que a proposta avance no Legislativo.

Perfil dos entrevistados

Entre os entrevistados, 53% disseram trabalhar até cinco dias por semana, enquanto 47% afirmaram trabalhar seis ou até sete dias. Neste segundo grupo, o apoio à redução da jornada é menor: 68%, contra 76% entre aqueles que já trabalham menos dias.

Segundo a análise, essa diferença pode estar ligada à maior presença de autônomos e empresários entre os que trabalham mais dias. Para esse grupo, trabalhar mais tempo pode significar aumento de renda. Já entre quem trabalha até cinco dias por semana há maior presença de servidores públicos, cuja remuneração geralmente não depende da quantidade de horas trabalhadas.

Em relação à jornada diária, 66% afirmaram trabalhar até oito horas por dia, 28% entre oito e 12 horas e 5% mais de 12 horas. Outros 1% não souberam responder.

Impactos econômicos da escala de trabalho

Questionados sobre os efeitos para as empresas, os entrevistados ficaram divididos: 39% acreditam que o fim da escala 6×1 traria impactos positivos, enquanto o mesmo percentual avalia que os efeitos seriam negativos.

Esse resultado representa uma mudança em relação à pesquisa de dezembro de 2024, quando 42% apontavam possíveis efeitos negativos para as empresas. Já sobre a economia do país, metade dos entrevistados (50%) acredita que a mudança teria impacto ótimo ou bom. Outros 24% avaliam que os efeitos seriam ruins ou péssimos.

Quando o foco são os trabalhadores, o apoio é ainda maior: 76% acreditam que a redução da jornada traria melhorias para a qualidade de vida. Entre quem trabalha até cinco dias por semana, esse índice sobe para 81%, enquanto entre aqueles que trabalham seis ou sete dias cai para 77%.

 

Leia também: Escala 6×1 volta ao centro do debate após governo adiar pela quinta vez regra sobre trabalho em feriados

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Veja também