Irã promete “vingança pelos seus mártires” após mortes
Após mortes de autoridades iranianas, líder endurece discurso e promete retaliação em meio a tensão no Oriente Médio
A escalada do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel ganhou novos desdobramentos nesta semana, com declarações sobre “vingança”, mortes de autoridades do regime iraniano e reações internacionais. O líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, afirmou nesta quarta-feira (18), que o país não irá renunciar à vingança “pelo sangue dos seus mártires”.
Em mensagem publicada nas redes sociais, ele declarou que cada morte causada pelos ataques será tratada como um caso específico de retaliação, ampliando o tom de confronto adotado desde o início da guerra.
“Dou a todos a certeza de que não renunciaremos à vingança pelo sangue dos seus mártires. A vingança que temos em mente não se limita ao martírio do grandioso líder da Revolução; cada membro da nação que seja martirizado pelo inimigo torna-se, por si só, um caso independente no dossiê da vingança”, afirmou.
Não é a primeira declaração sobre vingança
A publicação marcou uma nova manifestação pública do líder, que assumiu após a morte do aiatolá Ali Khamenei, atingido no primeiro dia dos bombardeios iniciados em 28 de fevereiro. Na semana passada, em comunicado exibido pela televisão estatal, Motjaba já havia defendido “vingar o sangue de seus mártires”, além de mencionar o fechamento do Estreito de Ormuz.
Mortes de integrantes da cúpula iraniana
A escalada ocorre após novos ataques aéreos que atingiram integrantes da cúpula iraniana. O presidente Masoud Pezeshkian confirmou a morte do ministro da Inteligência, Esmail Khatib, e lamentou também as mortes de Ali Larijani e Aziz Nasirzadeh. Em publicação, afirmou que os assassinatos atingiram membros do governo, militares e pessoas próximas às vítimas.
“O assassinato covarde dos meus queridos colegas Esmail Khatib, Ali Larijani e Aziz Nasirzadeh, juntamente com alguns de seus familiares e equipe, nos deixou de coração partido. Apresento minhas condolências ao grande povo do Irã pelo martírio de dois membros do gabinete, do Secretário da Assembleia Popular e dos comandantes militares e da Basij. Tenho certeza de que seu caminho seguirá mais forte do que nunca”, publicou.
Em Teerã, uma multidão participou do cortejo fúnebre de Larijani e do comandante da Basij, Gholamreza Soleimani, mortos em bombardeios israelenses. Segundo a imprensa de Israel, Larijani foi atingido junto ao filho em um apartamento utilizado como esconderijo. As cerimônias reuniram apoiadores do regime em meio ao aumento da tensão interna.

Baixas afetam estrutura política do Irã
As mortes das autoridades ocorrem em meio a uma sequência de baixas entre integrantes da cúpula iraniana desde o início da ofensiva. Apesar disso, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou que o sistema político do país não será afetado.
“Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam este ponto: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. (…) A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”, disse, em entrevista à Al Jazeera.

Rússia condena ataques contra líderes iranianos
No cenário internacional, o Kremlin condenou os ataques contra lideranças iranianas e defendeu um cessar-fogo imediato. O porta-voz Dmitry Peskov criticou ações que visem eliminar autoridades de países soberanos. “Condenamos inequivocamente quaisquer ações que visem prejudicar a saúde, ou mesmo assassinar ou eliminar, membros da liderança do Irã soberano e independente, bem como os de outros países”, afirmou.
Já em Washinton, Donald Trump, afirmou que o país está “rapidamente tirando” o Irã “de ação” e voltou a classificar o governo iraniano como principal patrocinador estatal do terrorismo.