PF diz que comissão reinseriu dados do celular de Vorcaro recolhidos a pedido do STF
Comissão admite pedido à Apple, enquanto Polícia Federal aponta reintrodução de dados excluídos por ordem judicial e leva caso ao Supremo
A Polícia Federal informou nesta quarta-feira (18), que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS reinseriu, em seus sistemas, dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, que haviam sido previamente recolhidos por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A constatação ocorreu durante o cumprimento de ordem do ministro André Mendonça (STF) para retirada de informações sensíveis armazenadas na sala-cofre da comissão, instalada no Senado Federal.
De acordo com a corporação, a reintrodução dos arquivos foi identificada no momento em que agentes executavam a determinação judicial. Em nota, a PF afirmou que os dados, anteriormente excluídos sob controle da cadeia de custódia, voltaram a circular no ambiente do Senado após solicitação direta da presidência da CPMI à empresa Apple.
Segundo os investigadores, o procedimento gerou um novo fluxo de download e armazenamento dos conteúdos, fora do controle inicial estabelecido pela Justiça. A situação foi formalmente comunicada ao relator do caso no Supremo, ampliando a tensão institucional em torno da condução dos materiais apreendidos.
Presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG) reagiu às declarações da PF e classificou a solicitação à empresa de tecnologia como legítima. O parlamentar sustentou que não houve qualquer interferência nas investigações conduzidas pelo STF nem quebra da cadeia de custódia das provas, que, segundo ele, permanece sob responsabilidade das autoridades competentes.
Viana também criticou a divulgação pública do episódio, classificando-a como precipitada e capaz de gerar interpretações distorcidas. Para o senador, trata-se de uma questão técnica que deveria ser esclarecida nos autos, sem exposição indevida.
Entre os conteúdos identificados no aparelho de Vorcaro estão mensagens trocadas com a modelo e influenciadora Martha Graeff, incluindo conversas de caráter íntimo. A defesa da influenciadora afirmou que ela tem sido vítima de violação de privacidade e avalia medidas judiciais diante da exposição das mensagens.

Em nota, o advogado Lúcio de Constantino declarou que a divulgação de trechos das conversas configura uma “grave violência” contra sua cliente, ressaltando que o material pertence ao âmbito privado e não possui relevância penal. A defesa também destacou que Graeff não mantém relacionamento com Vorcaro há meses e nega qualquer envolvimento em irregularidades.