Irã acusa EUA e Israel de genocídio na ONU após ataque à escola
Chanceler iraniano pede condenação por ataque à escola que deixou cerca de 175 mortos
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou Estados Unidos e Israel de cometer genocídio durante a guerra no Oriente Médio e pediu que a Organização das Nações Unidas condene os dois países pelo ataque à escola de Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do país. A ofensiva deixou cerca de 175 mortos, entre alunos e professores, e ocorreu no primeiro ataque em 28 de fevereiro.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (27), durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Ao abordar o episódio, Araqchi afirmou que o bombardeio não foi um caso isolado. “Esse ataque brutal [a Minab] é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário. (…) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio”, declarou.
O chanceler iraniano disse ainda que as vítimas foram “massacrados de forma completamente intencional e brutal”, classificando a ação como crime de guerra e contra a humanidade. Apesar disso, análises da mídia norte-americana apontam que o ataque teria sido realizado por engano pelo Exército dos EUA.

Chanceler iraniano acusa nações de destruírem mais de 600 escolas
Durante a sessão, Araqchi também acusou EUA e Israel de destruírem ou danificarem mais de 600 escolas ao longo da guerra, com mais de mil alunos e professores mortos ou feridos. Ele criticou o início do conflito em meio a negociações nucleares e denunciou ameaças recentes contra infraestruturas vitais.
O alto comissário da ONU para direitos humanos, Volker Türk, cobrou rapidez na apuração. “Altos funcionários dos EUA disseram que o ataque está sob investigação. Peço que esse processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas”, afirmou.
Desde o início do conflito, mais de 1.900 pessoas morreram, enquanto cerca de 20 mil ficaram feridas, segundo a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.