sexta-feira, 27 de março de 2026
CRIME CONTRA A HUMANIDADE

Irã acusa EUA e Israel de genocídio na ONU após ataque à escola

Chanceler iraniano pede condenação por ataque à escola que deixou cerca de 175 mortos

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 27 de março de 2026
Chanceler iraniano, Abbas Araqchi pediu que a ONU condene os países pelo ataque
Abbas Araqchi pediu que a ONU condene os países pelo ataque (Foto: Reprodução/ @araghchi)

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, acusou Estados Unidos e Israel de cometer genocídio durante a guerra no Oriente Médio e pediu que a Organização das Nações Unidas condene os dois países pelo ataque à escola de Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do país. A ofensiva deixou cerca de 175 mortos, entre alunos e professores, e ocorreu no primeiro ataque em 28 de fevereiro.

A declaração foi feita nesta sexta-feira (27), durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. Ao abordar o episódio, Araqchi afirmou que o bombardeio não foi um caso isolado. “Esse ataque brutal [a Minab] é apenas a ponta visível de um iceberg muito maior, que esconde tragédias ainda mais graves, incluindo a normalização das mais horríveis violações de direitos humanos e do direito internacional humanitário. (…) O padrão de alvos dos agressores, juntamente com sua retórica, deixa pouca dúvida de que sua intenção clara é cometer genocídio”, declarou.

O chanceler iraniano disse ainda que as vítimas foram “massacrados de forma completamente intencional e brutal”, classificando a ação como crime de guerra e contra a humanidade. Apesar disso, análises da mídia norte-americana apontam que o ataque teria sido realizado por engano pelo Exército dos EUA.

Estados Unidos realizaram um ataque conjunto em Teerã no final de fevereiro de 2025
Estados Unidos realizaram um ataque conjunto em Teerã no final de fevereiro de 2025 (Foto: Divulgação/ Casa Branca)

Chanceler iraniano acusa nações de destruírem mais de 600 escolas

Durante a sessão, Araqchi também acusou EUA e Israel de destruírem ou danificarem mais de 600 escolas ao longo da guerra, com mais de mil alunos e professores mortos ou feridos. Ele criticou o início do conflito em meio a negociações nucleares e denunciou ameaças recentes contra infraestruturas vitais.

O alto comissário da ONU para direitos humanos, Volker Türk, cobrou rapidez na apuração. “Altos funcionários dos EUA disseram que o ataque está sob investigação. Peço que esse processo seja concluído o mais rápido possível e que suas conclusões sejam tornadas públicas”, afirmou.

Desde o início do conflito, mais de 1.900 pessoas morreram, enquanto cerca de 20 mil ficaram feridas, segundo a Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.

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