Médico é investigado por desvio de verbas da Covid-19 e pagamento de propina em Goiás
Esquema envolvia contratos superfaturados, empresas de fachada e “quinteirização” de serviços; 50 mandados judiciais foram cumpridos em cinco estados
A Polícia Federal investiga um médico suspeito de desviar recursos destinados ao combate à Covid-19 para pagar propina a fiscais em Goiás. A apuração, realizada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU), aponta que servidores responsáveis por fiscalizar contratos na área da saúde recebiam vantagens indevidas para ignorar irregularidades.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa do investigado, no Jardim Goiás, em Goiânia, e também na residência do pai dele, no Setor Sul. O médico é ligado a uma Organização Social (OS) que administrava, durante a pandemia, diversas unidades de saúde no estado, incluindo o Hospital de Urgências de Goiás (Hugo).
Ao todo, estão sendo cumpridos 50 mandados judiciais, quatro de prisão preventiva e 46 de busca e apreensão, no âmbito das operações Rio Vermelho e Makot Mitzrayim. As ações ocorrem em Goiânia (GO), Brasília (DF), São José do Rio Preto (SP), além de cidades nos estados do Tocantins e Maranhão.
Médico é investigado por desvio de verbas da Covid-19
As investigações indicam que o esquema funcionava por meio de contratos superfaturados e do uso de empresas parceiras para desviar recursos públicos. Segundo a PF, havia simulação de concorrência e direcionamento de editais, favorecendo empresas ligadas ao gestor da OS, contratadas com valores acima do mercado.

A Operação Rio Vermelho apura especificamente a gestão de verbas destinadas a unidades de campanha durante a pandemia. De acordo com a polícia, o superfaturamento gerava excedentes financeiros usados tanto para enriquecimento ilícito quanto para garantir a conivência de agentes públicos.
Já a Operação Makot Mitzrayim revelou um sistema de “quarteirização” e “quinteirização” de serviços. Nesse modelo, empresas eram subcontratadas para executar atividades que não eram totalmente entregues ou tinham valores inflados, o que possibilitava o desvio de recursos.
Além das irregularidades financeiras, a PF aponta que o esquema também contribuiu para a precarização das relações de trabalho nas unidades de saúde, priorizando o lucro em detrimento da qualidade do atendimento e dos direitos dos profissionais.
Os nomes dos investigados não foram divulgados, e as defesas não foram localizadas até a última atualização. O espaço segue aberto para manifestações.
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