quinta-feira, 16 de abril de 2026
EM BRASÍLIA

PEC da jornada 6×1 avança na CCJ, mas votação é adiada após pedido da oposição

Relator dá parecer favorável à proposta, mas análise é suspensa por duas sessões enquanto governo envia projeto próprio com urgência

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 15 de abril de 2026
deputado Paulo Azi
Governo enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional para tratar do mesmo tema. Foto: Bruno Spada/Agência Câmara

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da jornada de trabalho 6×1 avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (15), após receber parecer favorável do relator, deputado Paulo Azi (União Brasil-BA). No entanto, a votação do texto foi adiada depois que parlamentares da oposição pediram mais tempo para analisar o relatório.

O pedido de vista foi apresentado pelo deputado Lucas Redecker (PSD-RS), que alegou necessidade de leitura mais detalhada da proposta. A solicitação foi acompanhada pela deputada Bia Kicis (PL-DF), o que suspende a tramitação da matéria por duas sessões do plenário. Além disso, Redecker criticou a condução do tema e afirmou que o governo federal esvaziou o debate ao enviar uma proposta própria sobre o assunto.

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Mais cedo, ao apresentar seu parecer, Paulo Azi considerou a PEC admissível do ponto de vista legal, etapa em que a CCJ avalia apenas se a proposta respeita a Constituição. O relator manteve o texto original dos deputados Reginaldo Lopes (PT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP), sem alterar as regras previstas para a jornada de trabalho. Apesar disso, ele sugeriu que o tema seja aprofundado em uma comissão especial, com atenção para a criação de uma transição gradual na redução da jornada.

Negociações coletivas

Ao mesmo tempo, o relator fez ressalvas sobre a inclusão de regras específicas de trabalho diretamente na Constituição. Segundo ele, isso pode limitar a atuação futura do Congresso e engessar mudanças necessárias. Paulo Azi defendeu que a definição de jornadas e escalas seja tratada, preferencialmente, por meio de negociações coletivas entre trabalhadores e empregadores, embora reconheça que, na prática, essas negociações ainda enfrentam dificuldades no Brasil.

Paralelamente à tramitação da PEC, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou ao Congresso um projeto de lei com urgência constitucional para tratar do mesmo tema. A proposta altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e outras normas específicas. A iniciativa foi vista pelo Planalto como uma forma de acelerar o debate e dar peso político à pauta, diante da possibilidade de demora na análise da PEC, que ainda precisa passar por outras etapas antes de chegar ao plenário.

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