quinta-feira, 7 de maio de 2026
Racha no partido

Discussão na Alego é sintoma da guerra no PL goiano

Troca de ameaças entre os deputados Major Araújo e Amauri Ribeiro escancara o nível de tensão que paira a legenda bolsonarista em Goiás

Thiago Borgespor Thiago Borges em 7 de maio de 2026
Discussão na Alego é sintoma da guerra no PL goiano
Bate-boca durante a sessão foi só o ápice de um desentendimento que se arrasta há meses na legenda | Fotos: Sérgio Rocha/Alego e Hellen Reis/Alego

O bate-boca para lá de acalorado entre os deputados estaduais Amauri Ribeiro e Major Araújo, ambos do PL, no plenário da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) escancarou o momento vivido pela legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro em Goiás. 

A briga dos parlamentares liberais durante a sessão ordinária da última quinta-feira (7) foi o estopim do desentendimento da bancada do partido na Alego. Durante as sessões na última semana, Amauri cobrou publicamente o senador Wilder Morais (PL-GO) pela ausência na votação do Senado Federal que barrou o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, de ser o próximo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). 

No plenário da Casa na última quarta-feira (6), Araújo saiu em defesa de Wilder e disse que o deputado recém filiado ao partido “induziu as pessoas a pensarem” que a ausência na votação favorecia Messias. “A ausência prejudicava. Ele sabe disso, mas fez de má fé”, afirmou o parlamentar na ocasião. 

Na briga da última quinta, os parlamentares trocaram xingamentos e acusações. Araújo afirmou que o colega “se vendeu para o caiadismo e o vilelismo”. Enquanto os parlamentares eram separados pelos demais colegas, Amauri gritou para Araújo: “Não deixa eu por a mão em você não”. Araújo respondeu: “Põe a mão em mim que amanhã você aparece morto”.

Fato é que bate-boca durante a sessão foi só o ápice de um desentendimento que se arrasta há meses na legenda. A ida de Amauri para o PL durante a janela partidária não agradou nem Araújo e nem Eduardo Prado, o outro deputado estadual do PL na Assembleia. 

Araújo e Prado são aliados de Wilder. Já Amauri era base do governador Ronaldo Caiado (PSD) e mantém proximidade com o vice-governador Daniel Vilela (MDB). Antes de se filiar aos liberais, era do União Brasil. Chegou ao PL alinhado ao deputado federal e pré-candidato ao Senado, Gustavo Gayer (PL-GO), líder da ala do partido que defende um alinhamento com o grupo governista. 

O desentendimento entre os parlamentares é fruto do racha entre Wilder e Gayer, que se estende desde o início do ano. Porém, vale ressaltar que o clima de ruptura interna do partido teve início em maio de 2025. Na ocasião, o vereador Major Vitor Hugo (PL) buscava ser o candidato do partido ao Senado em uma aliança com a base. Inclusive, na época o vereador articulou um encontro de Daniel com Bolsonaro, que ainda estava em liberdade, antes de ser condenado e preso por chefiar a trama golpista. 

Naquela época, tanto Gayer quanto Wilder repudiaram a conduta de Vitor Hugo, em uma nota de repúdio conjunta dos diretórios estadual e municipal. Após o acerto de que o vereador disputará uma cadeira na Câmara dos Deputados e o deputado na Casa Alta, Gayer, interessado em ter o apoio da base governista, começou a defender uma aliança do PL com Daniel. 

Leia mais: Por palanque, interesses de Lula sobressai os de seu partido nos Estados

A defesa da ala chefiada por Gayer por uma aliança com o grupo palaciano levou à ruptura com o senador. Se no atrito com Vitor Hugo, Bolsonaro ainda estava em liberdade para colocar panos quentes no PL goiano, com o ex-presidente preso, a situação não foi a mesma. Em 14 de fevereiro, quando Wilder anunciou que recebeu o aval de Bolsonaro para ser pré-candidato ao governo do Estado, em uma visita ao ex-chefe do Executivo na Papudinha, Gayer reagiu com desconfiança em vídeo publicado na internet. 

Nos bastidores, o grupo de Wilder aposta que o interesse de Gayer em atrair o segundo voto da base aliada — o primeiro será da ex-primeira-dama, Gracinha Caiado (União Brasil) — pode levar o deputado a uma encruzilhada política no futuro. O entendimento é que Daniel irá priorizar os outros três pré-candidatos ao Senado, leia-se Zacharias Calil (MDB), Vanderlan Cardoso (PSD) e Alexandre Baldy (PP), e Gayer será escanteado. Wilder e companhia avaliam que sobrará ao deputado apenas o PL goiano, com quem o parlamentar cultiva desentendimentos.  

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