sexta-feira, 17 de abril de 2026
até 19 de maio

Edital seleciona pesquisa afrodiaspórica sobre arte e educação

Iniciativa das fundações Itaú e Tide Setubal seleciona até 12 pesquisas de autores pretos, pardos e indígenas; prazo vai até 19 de maio

Luana Avelarpor Luana Avelar em 16 de abril de 2026
arte
Foto: divulgação

Quando a Fundação Itaú e a Fundação Tide Setubal abriram, em 14 de abril, as inscrições para a terceira edição do Programa Ancestralidades de Valorização à Pesquisa, a temática escolhida foi direta: Arte e Cultura na Educação Integral em Perspectivas com Saberes Afrodiaspóricos e Indígenas. O recorte tem um propósito. Pesquisadores negros e indígenas seguem sub-representados nas universidades e nos centros de pesquisa brasileiros, e o programa aposta que a escola é o lugar onde essa realidade pode ser confrontada.

O chamamento seleciona até 12 pesquisas de pesquisadores pretos, pardos e indígenas. As inscrições são gratuitas e vão até 19 de maio, às 17h, pelo site www.ancestralidades.org.br. O resultado será divulgado até 3 de novembro.

Os quatro eixos

Os projetos inscritos devem se enquadrar em um dos quatro eixos temáticos: Expressões Artísticas e Linguagens; Identidade, Memória e Patrimônio; Diversidade e Direitos Humanos; e Sustentabilidade e Território. A abrangência dos eixos é intencional. Ao reunir desde expressões artísticas até questões territoriais, o programa parte do entendimento de que os saberes afrodiaspóricos e indígenas não se organizam por fronteiras disciplinares e que estudá-los exige atravessar diferentes áreas do conhecimento.

Todos os projetos precisam estar inseridos, com aplicação prática, no contexto da educação integral, entendida como abordagem que promove o desenvolvimento pleno dos indivíduos em suas dimensões cognitiva, física, emocional, social e cultural. A exigência distingue o programa de um chamamento acadêmico convencional: não basta produzir conhecimento, é preciso que ele chegue às escolas e aos territórios onde essas comunidades existem.

Leia mais: Após dois meses na Amazônia, Giovanna Antonelli revela bastidores de “Rio de Sangue”, thriller nacional que estreia nos cinemas

Quem pode se inscrever

O chamamento é voltado a pesquisadores pretos, pardos e indígenas maiores de 18 anos, nascidos no Brasil, naturalizados ou estrangeiros com residência fixa no país há mais de dois anos, vinculados a universidades, centros de pesquisa, organizações da sociedade civil, coletivos ou observatórios. A inclusão de coletivos e observatórios amplia o alcance para além das instituições acadêmicas tradicionais.

As inscrições podem ser feitas em duas categorias: Pesquisa e Estudos em Andamento ou Pesquisa e Estudos Concluídos. É permitida a participação nas duas, com inscrições separadas, mas o candidato só pode ter um trabalho selecionado.

Além dos formatos escritos, são aceitas produções digitais e audiovisuais, como registros fotográficos, sonoros, documentários, sites e aplicativos. A decisão de ampliar os formatos aceitos tem consequências práticas: reconhece que determinados saberes só se expressam fora do texto escrito, e que restringir a inscrição ao formato convencional seria impor, no próprio processo seletivo, os mesmos critérios que o programa busca rever.

Como funciona a seleção

O processo seletivo ocorre entre junho e outubro. Os inscritos serão avaliados por duas instâncias. A Comissão de Avaliação analisa os projetos em relação aos critérios do programa e às temáticas propostas. A Comissão de Seleção, composta por cinco profissionais com atuação reconhecida nas áreas de educação integral e cultura, define os trabalhos contemplados entre os pré-selecionados.

A plataforma que sustenta o programa

O Programa Ancestralidades integra a Plataforma Ancestralidades, criada em novembro de 2021 com a proposta de difundir e potencializar conteúdos sobre o tema. A plataforma está organizada em quatro eixos: Arte e Cultura, Democracia e Direitos Humanos, Religiosidade e Espiritualidade e Ciência e Tecnologia. Disponibiliza verbetes sobre raízes afro-brasileiras, biografias de personalidades negras, marcos históricos desde o século XVI e conceitos como raça, gênero, quilombo e afrofuturismo, além de cursos e materiais de formação.

O programa tem como proposta contribuir para o enfrentamento do racismo e de outras formas de violência correlatas, a partir de práticas e reflexões que ampliam as possibilidades de aprendizagem e valorizam diferentes formas de conhecimento. Ao aproximar o universo acadêmico das experiências vividas por comunidades negras e indígenas, busca estimular estudos que dialoguem com territórios, identidades e práticas culturais diversas. A escolha dos conteúdos ensinados nas escolas, a preservação ou o apagamento de certas histórias e os critérios pelos quais uma pesquisa é considerada válida são decisões que definem quem ocupa o lugar de produtor de saber no Brasil. O programa age sobre essa definição.

Siga o Canal do Jornal O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do Jornal O Hoje.
Tags:
Veja também