quinta-feira, 16 de abril de 2026
Eleições 2026

Entrada de Caiado na disputa presidencial opõe estratégias de Lula e Flávio

Aliados do petista e do senador discordam na avaliação sobre pré-candidatura do ex-governador; especialistas destacam voto “personalista” e cenário diferente em relação a 2022

Thiago Borgespor Thiago Borges em 16 de abril de 2026
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“Essas candidaturas estão muito próximas entre si e disputam basicamente o eleitorado bolsonarista”, diz especialista | Fotos: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr, Ruber Couto/Alego e Carlos Moura/Agência Senado

A avaliação do grupo político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dos aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diverge a respeito da entrada do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pela Presidência da República.

Segundo as informações do jornal Folha de S.Paulo, a cúpula do Palácio do Planalto diz acreditar que a adesão de Caiado à corrida presidencial aumenta a rota de colisão entre os nomes à direita. O entendimento é que as pré-candidaturas no mesmo espectro político, além de Caiado e Flávio, ainda há o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo); o ex-ministro Aldo Rebelo (DC); e Renan Santos (Missão), que irão disputar, majoritariamente, o mesmo eleitorado.

Já na avaliação do grupo do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o cenário posto facilita o projeto do senador em razão da possibilidade de Caiado atrair votos com o discurso de terceira via e aumentar as chances de um segundo turno, mas não o suficiente para romper a polarização entre Flávio e Lula. Aliados do grupo bolsonarista ainda ressaltam que, em um eventual mano a mano entre os dois, é possível atrair mais votos do eleitorado insatisfeito com o atual governo.

Para o mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Lehninger Mota, a ideia de que múltiplas candidaturas à direita ampliam automaticamente as chances de segundo turno precisa ser relativizada.

“Hoje, o eleitor do Lula provavelmente não migra para um candidato como Caiado. Quem pode migrar é o eleitor do Flávio Bolsonaro”, afirma ao O HOJE. Mota destaca que a movimentação de Caiado já indica uma estratégia de crescimento baseada na disputa direta com o senador.

O especialista lembra que Caiado, sem citar Flávio, fez referência ao fato de o parlamentar nunca ter ocupado um cargo no Poder Executivo, durante o lançamento de sua pré-candidatura no último dia 30 de março.

Na avaliação do especialista, esse tipo de confronto interno pode gerar argumentos para os próprios petistas. “Uma crítica mais contundente pode repercutir e até ser apropriada por adversários de esquerda”, frisa. Lehninger ainda ressalta que o comportamento do eleitor não é automático.

“O voto é personalista. A pessoa pode deixar de votar no Lula para votar num candidato da direita, mas quando o candidato dele não chega no segundo turno, ele pode retornar ao Lula por ter uma rejeição maior ao [Flávio] Bolsonaro. São várias nuances de pensamento do eleitor”, destacou.

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Sem diferença na direita

Já o doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e professor da PUC-GO, Pedro Pietrafesa, avalia, em conversa com a reportagem do O HOJE, que o atual conjunto de candidaturas não representa uma diversificação ideológica dentro da direita.

“Essas candidaturas estão muito próximas entre si e disputam basicamente o eleitorado bolsonarista, seja aquele mais fiel ou o que apresenta algum grau de insatisfação”, explica.

Pietrafesa ressalta que o cenário é diferente, já que, atualmente, favorece Flávio. “Em 2022, o Lula conseguiu, mesmo que não fosse a maioria dos votos da Simone Tebet e do Ciro Gomes, o suficiente de votos desses dois candidatos para vencer no segundo turno. Agora, é muito difícil que alguém que vote no Renan Santos, no Aldo Rebelo, no Zema ou no Ronaldo Caiado vote no Lula no segundo turno”, pondera o professor.

Lula precisa do eleitor indeciso

O cientista político ainda aponta que Lula precisa buscar, ao invés de votos da direita, o eleitorado indeciso. “As pesquisas eleitorais indicam que ainda tem uma quantidade de eleitores que estão pensando em não votar nessas eleições ou que ainda não têm um candidato. São esses eleitores que o Lula tem que buscar. Aqueles que já declaram votos nos pré-candidatos de direita e extrema direita dificilmente votarão no Lula no segundo turno”, conclui Pietrafesa.

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