sexta-feira, 17 de abril de 2026
CONFUSÃO EM PIRENÓPOLIS

OAB pede afastamento de delegado após prisão de advogada em escritório em Goiás

Ordem classifica condução como arbitrária e cobra apuração do caso ocorrido em Pirenópolis

Bia Salespor Bia Sales em 17 de abril de 2026
OAB pede afastamento de delegado após detenção de advogada em escritório em Goiás
(Imagem: Reprodução)

A Ordem dos Advogados do Brasil pediu o afastamento de um delegado envolvido na detenção da advogada Áricka Cunha, ocorrida dentro do próprio escritório, em Pirenópolis. A entidade também cobra a apuração imediata do caso e a responsabilização dos envolvidos.

A atuação é conjunta entre o Conselho Federal e a seccional goiana da OAB, que passaram a acompanhar o episódio desde o momento em que a advogada foi conduzida.

Segundo o presidente nacional da Ordem, Beto Simonetti, a forma como a detenção foi realizada levanta questionamentos legais. Para ele, a condução pode configurar abuso de autoridade e violação das prerrogativas da advocacia. “A condução da profissional, nos moldes em que se deu, é incompatível com a ordem jurídica e configura, em tese, abuso de autoridade, além de representar grave violação das prerrogativas asseguradas pelo Estatuto da Advocacia (Lei 8.906/94). O livre exercício da advocacia não admite constrangimentos ilegais nem medidas arbitrárias por parte de agentes públicos”, afirma Beto Simonetti.

A OAB sustenta que o exercício da profissão deve ocorrer com garantias previstas em lei e que medidas consideradas arbitrárias por agentes públicos não podem ser admitidas.

Entidade cobra responsabilização

Em Goiás, o presidente da seccional, Rafael Lara Martins, também criticou a atuação do delegado e afirmou que o caso exige investigação rigorosa. Segundo ele, a conduta precisa ser analisada pelos órgãos competentes, com eventual aplicação de sanções, caso sejam confirmadas irregularidades. “É desrespeitosa, ilegal e flagrantemente arbitrária a atitude do delegado. A autoridade que o cargo lhe investe não é privilégio para que atue em causa própria, atropelando o direito dos cidadãos e as leis que deveria proteger. Sua conduta precisa ser investigada pela entidade correicional e punida como exemplo de que função pública exige responsabilidade e moderação”, destaca Rafael Lara.

A OAB informou ainda que acionou o sistema de defesa das prerrogativas para acompanhar o caso e prestar assistência à advogada.

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O caso

O delegado responsável pela prisão foi Christian Zilmon Mata dos Santos. Segundo ele, a advogada o difamava na rede social. Quando as equipes chegaram até o local, segundo o delegado, houve desacato e resistência à prisão, sendo necessário algemá-la.

Áricka Cunha  foi liberada horas depois e afirmou via redes sociais que “as medidas cabíveis já estão sendo tomadas”.

A Polícia Civil de Goiás informou por meio de nota que o fato foi levado ao conhecimento da Superintendência de Correições e Disciplina da PCGO, que está tomando as providências necessárias para a escorreita apuração do ocorrido.

Confira o vídeo:

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