quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Legislativo Goianiense

Pressão do Paço por projetos gera atrito com parte dos vereadores da Câmara

Prefeito Sandro Mabel (UB) cobra CCJ por agilidade nas pautas do Executivo. Luan Alves (MDB), presidente da comissão, diz que pressa é injustificada

Thiago Borgespor em
Pressão do Paço por projetos gera atrito com parte dos vereadores da Câmara
Motivo do destempero entre Mabel e parte dos vereadores é a velocidade de tramitação das matérias do Executivo | Foto: Mariana Capeletti/Câmara Municipal

A relação entre parte dos vereadores da Câmara Municipal de Goiânia e o Paço Municipal voltou a estremecer na última semana. O motivo do destempero na relação entre alguns parlamentares e o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) é a velocidade de tramitação das matérias do Executivo goianiense na Casa.

Durante reunião da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) na última semana, o ritmo do andamento dos projetos na Casa foi motivo de discordância entre parlamentares da base e de vereadores de oposição e independentes. No centro da discussão estavam as matérias que tratam sobre o Programa de Autonomia Financeira das Unidades de Saúde (Pafus) e o Programa Morar no Centro, que estão sob análise do colegiado presidido pelo vereador Luan Alves (MDB).

O conflito teve início após os projetos não andarem com a celeridade que o Paço esperava. A situação não agradou o chefe do Executivo municipal que, desde a reforma na base aliada no segundo semestre do ano passado, cobra apoio integral e irrestrito dos vereadores aliados em todas as pautas de autoria do Paço.

Mabel, inclusive, tratou sobre o tema com o presidente da Câmara, Romário Policarpo (Cidadania), segundo relato de uma fonte ligada ao Paço em entrevista ao O HOJE. O prefeito, que mantém contato diário com os parlamentares aliados, articula com Policarpo para resolver o impasse.

Conforme apurado pela reportagem, a insatisfação do prefeito acontece, sobretudo, pelo entendimento de que se tratam de projetos importantes para o município. A Prefeitura de Goiânia estima que o Pafus viabilize até R$ 20 milhões em investimentos na saúde até 2027, enquanto o Morar no Centro pode oferecer até 50% de desconto no aluguel de imóveis no Centro da Capital por um período de três anos.

Entre críticas e pedidos na CCJ

Durante a reunião do colegiado, vereadores da base de Mabel se dividiram entre críticas e pedidos a Luan. Pedro Azulão Jr. (MDB) “pediu humildemente” para que os projetos fossem tratados com “seriedade”. Já o líder do prefeito na Câmara, vereador Wellington Bessa (DC), subiu o tom ao dizer que a cobrança era apenas pelo cumprimento do prazo regimental e que as matérias já tramitavam na Casa há 15 dias.

Alves rebateu ao citar que, em decorrência dos recentes feriados e das provas práticas do concurso público da Câmara, as semanas tiveram poucos dias úteis. “A pressa que hoje está na prefeitura é injustificada. Demorou muito para enviar os projetos e querem que a gente aprecie a toque de caixa, sem o devido conhecimento. Não vou aceitar isso nessa comissão”, disse o parlamentar. O presidente da CCJ ainda citou que há cerca de 200 projetos na comissão.

“Aqui não é o Paço que dita as regras. A comissão vai cumprir os trâmites necessários para todas as matérias, sejam do Executivo ou de autoria dos parlamentares”, completou o presidente. Luan recebeu o apoio dos vereadores Igor Franco (Podemos), Léo José (Solidariedade) e Kátia Maria (PT).

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Falta de diálogo

Além disso, Alves citou a falta de diálogo direto com o Paço. “Estamos sabendo de projetos pela imprensa. Amanhã chegam aqui querendo aprovação rápida, sem discussão. Isso não pode acontecer”, frisou o vereador.

Antes integrante da base, o presidente da CCJ deixou o grupo de aliados de Mabel na Câmara ainda em 2025. O parlamentar faz parte do grupo político liderado por seu pai, o deputado estadual Clécio Alves, que se filiou ao PSDB recentemente. Clécio apoia o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que rivaliza com o governador Daniel Vilela (MDB), aliado de Mabel, na disputa pelo governo estadual.

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